Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 10

 

 

 

Um vasto e distinto percurso profissional que surge de uma grande paixão pela leitura e escrita.

Ana Maria Fonseca é jornalista licenciada na Universidade da Beira Interior e tirou pós-graduação na mesma área. Fala do jornalismo digital como um meio de excelência que veio alterar o ritmo do jornalismo e que “obriga” os jornalistas a dominarem multimeios. 

 

 1- Considera que o jornalismo digital é o jornalismo do futuro?

Considero que o formato digital vai continuar a crescer e afirmar-se como meio por excelência, não apenas através das suas expressões actuais mas também das que aí vêm, com novos formatos, meios, mensagens, e dirigindo-se também a um público diferente do actual. Creio que o formato digital será, sem dúvida, dominante no futuro.

 

2- O que entende por jornalismo como sendo o 4º poder?

O jornalismo é designado há muito como quarto poder, equiparando-se aos poderes tradicionais que cabem ao Estado, nomeadamente legislativo, executivo e judicial. Esta equiparação demonstra bem o papel essencial e basilar que o jornalismo desempenha socialmente.

 

3- Porque disse que o jornalismo digital está associado à crise? 

Na minha opinião, o que está estreitamente associado à crise actual é a palavra convergência. Ela não se refere apenas aos meios digitais, mas implica que o jornalista domine multimeios. Um domínio que não serve apenas os propósitos de informar de novas e melhores formas, mas também o de permitir - e é essa a associação mais estreita que faço - que um grupo mais reduzido de jornalistas faça o trabalho antes desempenhado por um conjunto mais alargado de profissionais, com o evidente prejuízo que isso traz à qualidade das peças.

 

4- O papel dos jornalistas mudou com a evolução do jornalismo?

Penso que o papel do jornalista continua a ser o mesmo na sua essência, tratando-se de investigar, conhecer, perceber, transmitir, etc.. Tudo o que envolve esse processo, como os métodos, os instrumentos, os meios que utiliza para transmitir a sua mensagem e chegar ao público, mudaram radicalmente e ainda estão em transformação.

 

5- O jornalismo digital veio transformar o ritmo do jornalismo?

Sem dúvida que o ritmo do jornalismo se alterou com os novos meios, já que cabe ao jornalista dominar uma multiplicidade de meios e transmitir a sua mensagem utilizando tantos quanto possível e adequado. Alterou-se também a necessidade de carácter de actualidade da informação, que tem de ser imediatamente, ou o mais rapidamente possível, disponibilizada ao utilizador. Da mesma forma que depressa chega ao público, também rapidamente se esgota enquanto notícia.

 

6- Ciberjornalismo implica mudança de mentalidades e investimento em formação?

Considero que o ciberjornalismo já se afirmou nas redacções em geral, pelo menos no que se refere ao Ocidente, e já desempenha o seu papel particular no que respeita aos outros meios. Essa adaptação, que ainda está em curso porque assistimos a uma evolução constante do conceito - podemos perguntar o que é hoje ciberjornalismo e facilmente concluímos que é diferente de o site de um jornal, implicando muitas mais acepções, nomeadamente no que respeita à crescente importância das redes sociais - continua a suceder-se.

 Certamente que o jornalismo tradicional pouco tem em comum com as novas formas de o fazer, exigindo, por essa razão, que jornalistas habituados a meios tradicionais, necessitem de formação a nível da utilização de multimeios. De qualquer forma, a formação ao longo da carreira é sempre essencial. Hoje, por exemplo, já não se trata apenas de dominar os ‘novos meios’ e a convergência, mas também de compreender e utilizar as redes sociais como instrumento de trabalho para o jornalista.

 

7- O Jornalismo digital veio alterar a integração nas redacções. Neste sentido considera que veio afectar a forma como se faz jornalismo e as competências jornalísticas?

O jornalismo digital veio, sem qualquer dúvida, alterar a forma como o jornalismo é exercido. Tal como outras tecnologias, no passado, vieram fazê-lo, a Internet abriu ‘uma porta’ aos métodos tradicionais, gerou novas formas de criar e divulgar informação e até fez subir ao palco novos actores: os utilizadores que passaram a ter não só uma palavra a dizer, mas uma palavra activa que por vezes faz parte e integra a própria notícia.

 

8- Considera que a internet é um novo ou velho meio, uma vez que já existem os Ipad, Iphone?

Julgo que a internet é o meio por excelência do presente, mas será também no futuro. No meu entender, o que poderá mudar, e irá mudar com certeza, será o suporte através do qual se acede à internet. Se hoje se utiliza ainda, essencialmente, o computador pessoal, meios como o telemóvel ou outros dispositivos como o iPad serão essenciais no futuro como meios privilegiados de aceder à internet. Creio que por esta e outras razões – como o facto de reunir em si vários meios, tais como a palavra escrita, a imagem, o vídeo e o som, a portabilidade, a facilidade de difusão, entre outras características – a internet será um meio do futuro.

 

9- Vê as questões económicas como um entrave ao ciberjornalismo?

No meu entender, as questões económicas sempre influenciaram, de uma forma ou de outra, os meios de comunicação social, que, como outras empresas necessitam, em primeiro lugar, de investimento e receitas para poderem funcionar. A relação entre o financiamento e a notícia nem sempre foi transparente, e uma limitou sempre a outra. O mesmo continua a suceder hoje em dia, de forma cada vez mais evidente, com a redução das redacções por razões de equilíbrio financeiro e suas consequências. No entanto, não creio que o ciberjornalismo seja o género mais afectado por estas limitações, sendo que o seu principal problema, a meu ver, a este nível, actualmente, prende-se com o facto de ainda não ter conseguido encontrar o seu caminho ideal em termos de publicidade.

 

10 - Concorda com o que se diz relativamente ao jornalismo impresso deixar de existir daqui a uns anos?

Não acredito que o jornalismo escrito deixe de existir, nem a médio nem a longo prazo, uma vez que ele mantém um lugar específico e especializado, que concede ao leitor um tipo de informação único e mais aprofundado. Não creio que os leitores prescindam desse tipo de jornalismo. Falamos de jornais mas também de revistas de todo o tipo, que por características do conteúdo que fornecem mas também pela sua portabilidade ocupam um importante lugar no quotidiano de muitos leitores.

 

Joana Teixeira

publicado por joanamorais às 23:24

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