Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

31
Mai 10

 

Jornalismo

 

Um jornalismo dificil, mas importante

 

“Sou um jornalista! Não sou um político. Os políticos são o meu alimento. Construo-os; derrubo-os. Mas nunca seria um. Não poderia ser um – isso destruir-me-ia. Sou a vossa consciência. Sou uma pequena voz que atroa na noite. Sou o vosso cão de guarda que uiva aos lobos. Sou o vosso padre confessor…”

in “The Man Who Shot Liberty Vallance”, John Ford, EUA, 1962

 

INTRODUÇÃO

Antes do 25 de Abril o jornalismo era sensivelmente inexistente. Os jornalistas viviam num mundo onde havia censura nos jornais, nas televisões, nas rádios, e nas revistas. Depois a Revolução dos Cravos nasceu a Liberdade de Expressão, que ajudou a revelar o mundo que nos rodeia.

A partir daí, esta área evoluiu de tal modo que conseguiu ser considerado, por alguns teóricos, o “Quarto Poder”. O jornalismo per si agora é visto como uma das mais importantes profissões. Logo numa primeira análise, são considerados uns cães de guarda da sociedade, ajudam a formar opiniões sobre o contexto social em que vivemos, estão comprometidos com a sociedade e têm o poder de fiscalizar as instituições.

Em suma, é através das suas descobertas, das suas informações, que se promove a justiça.

Pretende-se analisar, ao longo deste trabalho, vários assuntos que são úteis para uma melhor compreensão no que se passa nesta área tão controversa. Para isso, entrevistamos o jornalista José Vinha, do Jornal de Notícias, e citamos importantes teóricos jornalistas ao longo deste trabalho.

 

Jornalista do Jornal de Notícia José vinha.

 

 

Jornalismo Politico

  •  “O jornalismo político não é meramente crítico. Ajuda a lançar o debate de temas que de outra forma não teriam visibilidade(Isabel Oneto, vereadora Socialista da Câmara do Porto) ou;
  •  O jornalismo político envolve assuntos do parlamento, partidos, e estados de poder de uma sociedade;
  •  É aquele que dá a conhecer ao público aquilo que os políticos não querem dar a conhecer;
  •  É aquele que abre discussões na opinião pública;
  •  Os comentadores políticos ajudam o consumidor a entender o que se está a passar no campo da política internacional, nacional, local” (José Vinha)
  •  Cada jornal tem a sua política e isso pode afectar na decisão do eleitor;
  •  Se um jornalismo não gostar de um político pode apresentar no jornal, notícias que só revelem lados negativos;

 

 

Esta área é cheia de opiniões que divergem desde o positivo ao negativo. Mas na verdade, o jornalismo e a política mantêm uma relação de amor e ódio. O jornalismo tem que falar sobre política porque é uma área importante da sociedade e a politica precisa do jornalismo para ter voz no público, como propaganda.

De acordo com o cientista político Thomas Patterson, o jornalista dá as notícias a partir do que pensa, e depois procura factos para ilustrar a verdade da sua interpretação. Se não conseguir ilustrar, a notícia cai no esquecimento por causa da quantidade de informação que é fornecida ao público.

O analista Carlos Magno afirma que “o jornalismo político português trabalha na confluência de pressões políticas, pessoais e económicas, acabando por ser uma das profissões mais escrutinadas”. Esta afirmação diz que, os meios de comunicação estão aglomerados em empresas que podem provocar diversos condicionalismos na construção de um jornal. Podem tornar-se “agentes políticos”, (ao apresentar ligações a partidos de esquerda e de direita) em vez de serem “cães de guarda” e com isso o público perde a confiança nos políticos e nas suas capacidades de resolverem os problemas da sociedade.

José Vinha descreve o jornalismo político como alguém que abre espaço ao leitor para ficar informado: “ os ingleses ou os americanos sabem que determinados jornais são afectos à esquerda e outros à direita (…) o jornalismo político tem cada vez mais espaço, ajuda a interpretar os acontecimentos políticos”.

 

Jornalismo como "Quarto Poder

Com democracia nasceu a liberdade de expressão e com isso os cidadãos ganharam o direito de serem informados e de informar. Tornou-se um dos poderes mais importantes num estado democrático. Outro poder, é o Governo e as suas fontes institucionais que querem controlar a imagem, as palavras, o jornalista, ou seja, todo o jornalismo em si. Tudo isto acontece porque os órgãos de comunicação social conseguiram ganhar importância na sociedade, e a actividade política coloca-se num papel de “defensor” dando oportunidade ao jornalista para explorar o caminho da política, mas só até onde o agente político deixar. Na opinião de José Vinha "acho que é o quarto do poder, onde o poder dorme, descansa. Acho que essa ideia do 4º poder nao tem sentido".

A política tornou-se uma das áreas mais “espectaculares” do que a área do crime. E o poder mudou de lugar, mas só porque os políticos assim o querem. Os políticos tomam mais atenção àquilo que dizem, e à sua imagem do que àquilo que decidem, porque os media têm o poder de “manipular”, “há uma promiscuidade entre ambos que é preciso estarmos atentos”, segundo José Vinha, “os políticos procuram os jornalistas para fazer propaganda (…) para passar uma mensagem”.

Os jornalistas através das fontes possuem o poder de decidir quem tem voz e quem é excluído da agenda pública.

Óbvio que o jornalismo não tem o poder executivo, legislativo, e judicial, mas é ele quem decide e quem julga em praça pública, e isso pode influenciar as decisões dos tribunais ou de outras instituições.

 

Crise na Investigação e Conflitos no Jornalismo

As teorias da acção política, nascida nos anos 70, lançaram um novo rumo ao Jornalismo, com implicações políticas e sociais da actividade jornalística e a capacidade do “Quarto Poder” corresponder às expectativas democráticas. Os jornalistas passaram a “estudar” os políticos em todas as maneiras para mostrar aos cidadãos a actividade política, fazendo-lhes entrevistas, sondagens, artigos, reportagens, e notícias. Tentam controlar de alguma maneira a política, procurando notícias escandalosas ou rumores para fazerem disso manchetes em jornais e ganharem audiências e/ou vendas. Servem-se da política e vice-versa. Em Portugal, foram muitos casos controversos entre jornalistas e políticos. Muitos ainda se lembram do caso do Jornal Nacional da TVI, do artigo do jornalista Mário Crespo, e do advogado Marinho Pinto.(ver abaixo videos)

A maioria destes casos que são lançados para o público não tem investigação. Os jornalistas não verificam a informação que lhes chega, não procuram factos, nem procuram novas fontes. Mas há uma explicação para este problema, os condicionalismos económicos e/ ou políticos são os que mais afectam a produção jornalística: “desde logo o jornalista pensa, tem opções”. Não há capital para os jornais fazerem uma boa investigação e há pressa de produzir notícias novas para ganharem lucros e vencerem os concorrentes.

O caso do jornalista Mário Crespo é exemplo disso, o jornalista publicou um artigo com o que ouviu e fez acusações que podem ou não ser falsas.

O caso do Jornal Nacional era “um show televisivo, tinha algumas notícias à mistura, muita opinião, uma atitude electiva por parte do pivô. É um estilo virado para o popularismo è por isso que tinha audiências”. Este foi um problema jornalístico que envolveu directamente agentes políticos e as instituições que devem assegurar o bom jornalismo. Desenvolveu-se um processo e o Jornal Nacional apresentado pela jornalista Manuela Moura Guedes acabou.

Apenas alguns casos obtiveram grande mediatismo, pois incluíam pessoas e temas de relevada importância para a sociedade portuguesa.

 

 

Conclusão

 

O jornalismo é uma forma de dar vida ao mundo. os media tanto podem promover ou despromover a imagem dos políticos, tornando-os susceptíveis a opiniões menos agradáveis, e podem perder confiança por parte dos cidadãos. Mas isso também acontece com os meios de comunicação, uns são mais credíveis do que outros: " è o jogo do gato e do rato. É preciso perceber o objetivo daquele, e qual papel é o meu".

Em suma, podemos concluir que tanto na área política como na área jornalística, são as duas necessárias numa sociedade. O "bem" e o "mal" sempre viveram juntos, e se definirmos as duas àreas como uma má e a outra boa, estamos num bom caminho para continuar a expressar as nossas opiniões, os partidos a fazerem propaganda.

Toda a junção de manipulação, pressões, rumores, etc., tornam estas duas áreas das mais fascinantes a serem estudadas.

 

Trabalho realizado por: Luana Barbosa e Hugo Ferreira

 

 

SECÇÃO VIDEOS. Veja aqui videos sobre entrevista nas televisões portuguesas

 

Manuela Moura Guedes, jornalista no canal televisivo TVI a apresentar o Jornal Nacional,
 
Nesta edição, a jornalista Manuela Moura Guedes interroga Marinho Pinho. Abaixo, 1º Ministro numa entrevista à RTP comenta Jornal Nacional
Siga estes links para visualizar mais videos: Declarações Manuela Moura Guedes; Grupo PRISA

 

CURIOSIDADES. Veja aqui nomes de filmes que envolvem jornalismo

 

  • Cidadão Kane (1941);
  • Todos os Homens do Presidente (1976);
  • O Informante (1999);
  • O Quarto Poder (1997);
  • O Show de Truman (1998);
  • O Preço de Uma Verdade (2003);
  • A Montanha dos Sete Abutres (1951);
  • The Big Carnival;
  • Capote;
  • Boa Noite e Boa Sorte (2005);
  • Cidade de Deus (2002);
  • Redentor (2004);
  • State of Play;
  • Diamante de Sangue;
  • O jornal;
  • Um Grito de Liberdade;
Siga o site: http://www.imdb.com/, onde encontra a pontuação dada a filmes

 

 

publicado por luanabarbosa às 15:51

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