Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 10

Joaquim de Magalhães Teixeira

Licenciado em Jornalismo em 1990, começou a trabalhar neste mesmo ano com a criação do Jornal Repórter do Marão. Actualmente é jornalista desportivo, colaborando com o Jornal de Notícias e o Jornal O Jogo.

 

“No mundo desportivo o futebol é o desporto rei”

 

 

A pensar, como gosta de fazer nos tempos livres

 

Teixeira elabora minuciosamente a sua agenda num pequeno bloco, estando dividido entre a sua profissão e a família. Adora a profissão que tem, mas sabe que por vezes não dedica o tempo que devia a sua família, não tendo muita vezes os fins-de-semana disponíveis. Quando não está a exercer nenhuma destas profissões dedica-se a ler, viajar e escrever. Hobbies que o preenchem, mas sobretudo gosta de estar com a família sempre que possível.

 

Há quanto tempo exerce a profissão? Trabalhou sempre como jornalista desportivo? Como surge a oportunidade de trabalhar nesta área?

 

Exerço a profissão desde 1990. Sim, a minha área foi sempre o desporto. Tive oportunidade de começar a trabalhar nesta área com a criação do Jornal Repórter do Marão e posteriormente com o Jornal Ribatâmega com sede em Vila Meã. Após algum tempo comecei a cooperar com o Jornal de Noticias e com o Jornal a Bola, tendo como responsabilidade fazer a cobertura de todos os jogos nos concelhos de Marco de Canaveses e de Amarante. Actualmente, colaboro com o Jornal de Notícias e o Jornal O Jogo.

 

 

Como caracterizaria o jornalismo desportivo, em comparação com a prática jornalística aplicada a outras áreas? O que o diferencia?

 

A parte desportiva é bem diferente das restantes notícias, dado que acompanhamos ao fim de semana os jogos, mais concretamente o futebol. É como tirar uma radiografia e transmiti-la ao público e em geral aos amantes do futebol que não lhes foi possível deslocarem-se aos estádios para acompanhar as respectivas partidas.

 

Como é ser jornalista desportivo num país onde o desporto desperta tantas paixões?

 

O futebol é e continua a ser o desporto rei, onde atrai milhares de simpatizantes aos estádios, é a emoção dos golos, tendo como intervenientes atletas que são pagos a peso de ouro. É o desporto que envolve verbas avultadas a todos os níveis, tendo como pano de fundo, sempre a rivalidade clubista entre atletas e dirigentes, o que fascina os espectadores.

 

Que tipo de fontes tem um jornalista desportivo?

 

Há sempre uma informação atrás da cortina, que nos vai dando os palpites e algumas certezas em todo este misterioso envolvimento desportivo. É um acompanhamento muito atento, antes, durante e após os jogos de tudo o que se movimenta dentro e fora das quatro linhas.

 

O jornalista Hugo Gilberto afirma que os jornalistas desportivos têm como principal obstáculo os assessores de imprensa, a que chama “bloqueadores de imprensa”. Concorda?

 

Na maior parte dos casos condizem bem com a realidade, dado que os assessores de imprensa tentam por todos os meios preservar tudo o que é notícia e dar a informação. Quando praticamente tudo está concretizado e de uma forma muito especial, dar a notícia em primeira mão a determinado leque de imprensa.

 

O jornalismo encontra cada vez mais dificuldade em estabelecer uma fronteira entre informação e entretenimento. No jornalismo desportivo essa dificuldade sente-se possivelmente, há mais tempo. Porquê?

 

Na vida real, esta afirmação não condiz com a realidade, dado que cada jornalista movimenta-se no sector que lhe diz respeito e não nas áreas que lhe são adversas.

 

Noticiar e analisar são funções diferentes. No entanto, nesta área o jornalista transforma-se facilmente num comentador, porque ao jornalismo desportivo aceita-se mais facilmente que comprometa o ideal da imparcialidade jornalística. Porquê?

 

A escrita está e sempre esteve de mãos dadas com o jornalismo falado. Quem está a comentar e a escrever o desenrolar de uma partida, tem de ter em atenção que há milhares de espectadores nos palcos do desporto, como também a assistir pelas imagens televisivas, temos assim que ser imparciais, esquecer por completo o nosso clubismo para não decepcionar o público.

 

Em Portugal têm-se muitas vezes a sensação de que “desporto é futebol”, porque os meios de comunicação tendem a valorizá-lo em relação às restantes modalidades. Quais as razões que aponta para esta preferência?

 

Todo o desporto lhe é dado a devida atenção, mas o futebol é sem dúvida um fogo mais atraente a todos os níveis. É os fora-de-jogo que tanta controvérsia tem dado, é os golos mal anulados, as bolas à trave e as faltas que por vezes não são assinaladas e que resultam em golos, as periódicas conversas nas mesas do café, ao longo da semana, tendo como base as afirmações de treinadores e dirigentes e as astronómicas verbas que envolvem o futebol.

 

"Futebol é sem dúvida um fogo mais atraente a todos os níveis"

 

 

Os três maiores jornais desportivos portugueses estão claramente vinculados a clubes de futebol. Promiscuidade ou estratégia?

 

Sem margens para dúvida que é estratégia. Ora vejamos: será que fazia sentido um diário desportivo, com sede em Lisboa, dar uma maior atenção a um clube do Norte? E vice-versa? É lógico que a imprensa existe para transmitir a notícia até aos seus leitores, mas também necessita de vender os seus jornais, é um motivo forte para dar maior destaque aos clubes das suas regiões.

 

Saindo do âmbito profissional e entrando no particular. O que gosta de fazer nos tempos livres?

Gosto muito de escrever, pensar, estar atento a tudo que se passa no mundo desportivo, mas sobretudo estar com a família.

Quais são os seus hobbies?

Adoro viajar e ler.

publicado por taniaaguiar às 19:44

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