Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 10

 

Para a realização deste trabalho final o tema por mim escolhido foi o Desporto. Como tal, nada melhor que recorrer a dois especialistas nesta área para deixar bem claro qualquer questão que permaneça sem resposta e desfazer alguns mitos que ainda possam existar. Ao Jornalista de imprensa escrita optei por uma entrevista por escrito e ao jornalista televisivo uma entrevista em audiovisual no seu local de trabalho: "Esposende TV", à qual pode assistir aqui ou no final do texto.

São dois profissionais cujo trabalho principal é de diferente plataforma mas cujas ideias assemelham-se em determinados pontos. Ora confirme:

 


Por: Carla Coelho

 

 

 

Entrevista a Fernando Emílio

 

 

 

Jornalista há 38 anos, Fernando Emílio iniciou-se como colaborador do jornal regional “Montemorense”. Fez relatos de futebol para o Cine Teatro Curvo Semedo e para as sedes do Lusitano e Juventude de Évora. Na impossibilidade dos adeptos se deslocarem ao Algarve e à Madeira, os relatos eram feitos como se tratasse de um circuito fechado, pois nesta altura, em 1972, não existiam rádios locais. Foi convidado para ingressar na Rádio Comercial por Amadeu José de Freitas e Orlando Dias Agudo, onde se manteve como relator principal até 2006. Neste mesmo ano foi para "A BOLA", jornal com o qual trabalha actualmente em simultâneo com a Antena 1 onde é colaborador permanente.

 

 

O que é jornalismo desportivo ?

 

- Aquele que trata especificamente de assuntos relacionados com o desporto, situação que se pode aplicar aos diários desportivos (A Bola, Record e O Jogo), contudo, os jornais generalistas também trabalham nessa área pelo que o termo “jornalismo desportivo” acaba por ser discutível. Os especialistas em diversas modalidades poderão ser apontados como jornalistas desportivos, no entanto a legislação portuguesa apenas os define como jornalistas.

 

Um bom jornalista de desporto deve dominar o tema futebol?

 

- Trata-se de um conceito errado. Com tendência para acabar com os especialistas nas diversas modalidades, o futebol surge como o rei do desporto para o qual existem um sem número de entendidos e do qual qualquer português fala. Por questões económicas, as redacções têm optado nos últimos anos por generalizar as situações e colocar um jornalista a escrever ou a falar sobre andebol, basquetebol, ciclismo, hóquei em patins, natação e outras modalidades, muitas das vezes com conhecimentos muito limitados. Estamos perante a tão falada “globalização” que na maioria dos casos não favorece os leitores que ficam a saber menos do que aquilo que já sabiam.

 

 

O que é o jornalismo sensacionalista? O desportivo pode ser considerado como tal?

 

- A forma como hoje se trabalha na comunicação social obriga a que os títulos nem sempre correspondam ao corpo da notícia, isto é exemplo de jornalismo sensacionalista. No desporto, admito que por vezes exista exagero principalmente na área do futebol, dou como exemplo o facto de Portugal nunca ter conquistado qualquer campeonato da Europa ou do Mundo, mas ainda antes de partir já estão a jogar a final, quando na maioria das vezes o nosso País não passa da primeira fase.

 

A transmissão de uma competição é jornalismo ou entretimento ?

 

- Depende da forma como a corrida ou jogo é encarado. Para o jornalista cumpre-lhe fazer a reportagem, transmitir a imagem real dos acontecimentos e conquistar de forma correcta os seus leitores ou ouvintes. Para alguns espectadores é o prazer de ver o espectáculo desportivo, para outros a paixão e o fanatismo estão à frente de tudo, para estes o importante é que o seu clube vença a qualquer preço.

 

O que leva os jornais a dedicarem 90% ao futebol em detrimento de outras modalidades ?

- Trata-se de uma questão comercial. Os estudos de mercado definem o perfil dos leitores e aquilo que gostam de ler, não é por acaso que o jornal A BOLA tem sempre notícias do Benfica na primeira página, o mercado a isso obriga. Nos estudos efectuados por diversas empresas com destaque para a Markteste, verifica-se que a secção denominada por “Mais Desporto” que engloba todas as outras modalidades não tem muitas vezes impacto junto do leitor, salvo em situações pontuais como por exemplo a Volta a Portugal. Apercebendo-se desta situação, algumas modalidades como atletismo, andebol, rugby, natação, basquetebol e outras, conseguem patrocinadores que lhes permite comprar o rodapé de uma página num jornal para falar das suas actividades.

 

Acredita que a médio prazo o jornal em papel poderá deixar de existir ?

 

- O jornal em papel vai continuar a manter-se mas terá que acompanhar a evolução que se processa a todos os níveis nos tempos actuais. A internet é um concorrente poderoso, mas não funciona sem notícias e elas têm que ser feitas por jornalistas. O jornal vai para qualquer lado a internet por enquanto tem algumas limitações.


 

Entrevista a Paulo Gonçalves

 

 

Carla Coelho

publicado por carlacoelho às 18:00

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