Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

13
Abr 12

Numa noite, em Washington, ocorre a perseguição e homicídio de um jovem drogado. Na manhã seguinte, o congressista Stephen Collins (Ben Affleck), responsável pela comissão de investigação às actividades de uma empresa de segurança privada em cenários de guerra, é informado do suicídio da assistente. Se, aparentemente, estes acontecimentos parecem não estar ligados, uma averiguação jornalística vai revelar indícios que aliam estas mortes a uma grande conspiração política. Num jornal dirigido por uma impaciente editora, a investigação do caso desencadeia-se quando Cal McAffrey (Russel Crowe), um jornalista reconhecido e experiente, une forças a Della Frye (Rachel McAdams), jornalista ‘novata’ e ambiciosa, no sentido de perseguir esta história.

 

O fio condutor de “Ligações Perigosas” traduz-se no confronto de sensibilidades jornalísticas e estilos geracionais entre Cal e Della. A ingénua e inexperiente jornalista depara-se com rotinas e práticas jornalísticas desconhecidas, considerando algumas até incorrectas e ilegais. Por outro lado, Cal desconfia das capacidades jornalísticas de Della, mas sobretudo dos novos meios digitais que ela domina. A frase “tem garra, é barata e produz textos de hora em hora”, dita pela editora do jornal sobre Della, resume a inaptidão de Cal face às necessidades de um novo contexto de organização das empresas jornalísticas. A redacção é aqui um lugar de gestão de forças, baseada em relações, por vezes conflituais, entre os jornalistas, os jornalistas e os editores e a redacção e a organização económica do jornal. Havendo, assim, um debate constante sobre as pressões exteriores, a ética e a moral do jornalismo.

O filme de Kevin Macdonald espelha facetas novas, como o ciberjornalismo e a concentração, responsáveis por uma transformação no exercício esta profissão. De forma igual, dá-nos a ver fenómenos clássicos do jornalismo, como o contacto com as fontes e as relações de desconfiança entre profissionais, mas também de solidariedade e corporativismo

Sobretudo, retrata o processo que leva à legitimação de um jornalista jovem. A última cena do filme é representativa disso: Cal sai da redacção, mas ao contrário da cena inicial, desta vez não vai sozinho. Della corre ao seu encontro e acompanha-o na saída. O passado e o presente, do jornalismo, juntos.

 

Sara Castelo Branco

 

publicado por saracbranco às 23:48

Good Night And Good Luck – George Clooney

 

O filme retrata uma relação triádica de poder nos primórdios do jornalismo televisivo, anos 50, altura em que se vivia a guerra fria e predominava o medo pelo comunismo. De um lado, está a pressão política exercida por McCarthy, senador dos Estados Unidos da América, sobre a televisão e, em particular, sobre o programa “Veja agora” do canal televisivo CBS, apresentado por Edward Murrow, que se destina a informar a audiência, procurando não lhe ocultar qualquer facto relevante. Por outro lado, existe pressão económica manipulada pela ALCOA, patrocinadora do mesmo programa. Por último, do lado da televisão, está a pressão mediática, que é inerente a este meio de comunicação e que é acentuado com os programas informativos de Murrow, assentes em pilares de liberalismo.

 

Durante o filme, podemos perceber a forma como o sistema de selecção de informação funciona e como os News Makers lidam com os diversos tipos de pressão. Exemplos disso, é o facto de seleccionarem alguns fragmentos de um discurso de McCarthy para que a sua imagem não fosse prejudicada ou a situação em que optam por não colocar a notícia do falecimento de um jornalista do Times.

 

Podemos observar, igualmente, que a televisão funcionava também como um vínculo forte para a criação de um conceito e da sua propagação, é o caso de um discurso de McCarthy no qual ele define “Perigo nacional” referindo-se aos comunistas e os simpatizantes da política comunista, fomentando, assim, o clima de desconfiança e insegurança social perante comunistas e incentivando a “caça as bruxas”.

 

Outro exemplo da potencial manipulação nos media, e sobretudo na televisão, foi o facto de, num dos programas, Murrow denunciar alguém relacionado com o poder político. A consequência foi o produtor da CBS, Fred Friendly e o director Paley alterarem o horário de transmissão desse programa para os domingos à tarde, horário em que menos pessoas assistiam televisão. Podemos, então, concluir que todas estas formas de manipulação apoiadas no poder político, económico ou mediático constituem uma espécie de censura.

 

Good Night And Good Luck acaba por esquematizar um dos principais perigos da televisão: o fabrico da opinião pública e através dela, a manipulação da realidade. Apesar disso há uma visão optimista, focada no poder do indivíduo e na sua racionalidade.

 

O filme termina com a continuidade de um discurso de Murrow, já iniciado no princípio do filme, em que ele afirma que “a nossa história será o que fizermos dela”, procurando transmitir o poder de persuasão da televisão. Refere, ainda, que este meio de comunicação pode ser utilizado para ensinar, para educar, ao invés de servir interesses políticos ou económicos, porque, afinal “os humanos usam a televisão para o que quiserem”.

 

Sílvia Silva

publicado por jessicasantos às 23:35

 

      A constante busca pela verdade e todo o trabalho jornalístico detalhado e delicado, fazem de “State of Play”, um importante filme de investigação jornalística.

      O assassinato de Sonia Baker, assistente e amante do congressista Stephen Collins (Ben Affleck), desencadeia uma história sensível e uma grande investigação.

      Cal McAffrey (Russel Crowe) e Della, jornalistas do jornal Washington Globe, são os jornalistas destacados pela directora do jornal, Cameron, para investigar este caso e para desvendarem a identidade do assassino.

      Pela experiência e pelo fato de Collins ser um amigo de longa data, McAffrey, assume o papel de maior destaque neste caso e é ele que efectua o trabalho mais perigoso da investigação, conseguindo desvendar um esquema de ocultação na área da defesa, que ameaça toda a estrutura de poder dos Estados Unidos da América, onde está inserido o seu amigo Stephen Collins. Após este facto, McAffrey, não teve dúvidas que tudo se tratava de uma conspiração política e de um esquema oportunista por parte do Governo de Collins. O assassínio de pessoas ligadas ao Estado era um dos objetivos desta “rede” e Sonia Baker foi uma das pessoas a caírem nesta “armadilha”.

      Neste filme a objetividade e a constante procura pela veracidade dos fatos são duas caraterísticas jornalísticas bastante evidentes, que fizeram com que a Sociedade tivesse conhecimento de toda a manobra manipuladora dos grandes membros do governo americano.

Apesar dos laços de amizade que uniam o congressista e o jornalista, estes mesmos laços, não impediram, que a verdade viesse ao de cima, em que McAffrey esteve sempre do lado das questões éticas, fazendo com que tivesse a noção que havia uma barreira entre o profissionalismo e a amizade.

      Outro aspeto bastante importante de análise é o contributo dado pelas fontes e a forma como o jornalista se relaciona com as mesmas. De salientar, ainda, a relação menos simpática entre os jornalistas e a polícia. Em diversas partes do filme é notória, a contradição das investigações elaboradas pelo jornal, por parte das entidades de segurança, que se queixam do fato dos jornalistas não partilharem a informação do caso. Pode-se assim dizer que o segredo jornalístico não agrada a todos!

      State of Play é um filme rico em detalhes, onde a profissão de jornalista é muito bem retratada e onde é evidenciado o jogo de interesses que há no poder e a “maquilhagem” que o Governo faz em relação à realidade.

 

Gonçalo Silva

 

publicado por goncalosilva às 23:24

Good night and good luck, obra de George Clooney, surge nos anos 50 nos Estados Unidos, retrata e reflete sobre o confronto e relação de três elites, os Media, o Estado e a Informação, tendo em conta a conquista do poder da informação sobre uma sociedade e um povo. E deste triângulo de forças antagónicas, emergem outros “conflitos”.
A história desenrola-se numa altura em que se vivia ainda os meandros da guerra fria. Designada como época "McCartismo", graças a campanha promovida pelo senador Joseph McCarthy, de denúncia a simpatizantes comunistas e colaboradores da União Soviética, originando à caça e perseguição dos mesmos.
Porém este movimento sofre grande contestação por parte Edward R. Morrow, apresentador da CBS, que usa o seu programa para de forma livre transmitir as suas convicções, desafia a situação política da época e a sua própria emissora para mostrar a falta de ética na caça aos comunistas, promovida pelo senador.
Fiel ao ideal jornalístico distancia-se de forma brusca da visão passiva do povo americano, expondo uma campanha de McCarthy em directo para o grande público.
O senador, por sua vez, prefere intimidar Morrow ao invés de usar o direito de resposta por ele oferecido em seu jornal, dando assim inicio a um grande confronto público que trará consequências à recém - implantada TV nos Estados Unidos.
O conteúdo do filme traz a tona a eterna discussão sobre o sobre o papel e a ética dos meios de comunicação; relações entre os meios de comunicação e os orgãos do poder (pressões políticas e económicas “autocensura/ em virtude dos patrocínios financeiros – Alcoa”, “censura/senador McCarthy” vs pressões mediáticas “denuncia/ Edward R. Morrow”, que origina uma relação causa/efeito, os media “efeito ping pong” sofrem pressão e também exercem, sobre a política principalmente); e o papel da televisão, e do jornalismo, como ambos devem funcionar, qual a sua função primordial, educar ou apenas entreter?
É também importante referir os efeitos da guerra fria (entre USA vs URSS) na sociedade norte americana, que era dominada por uma comunicação sensacionalista, completamente condicionada, e que transmitia medo para o grande público, o medo da URSS, onde os habitantes pensavam que o comunismo era o inimigo, sem nem saber o que isso representava (em virtude daquilo que lhes era fornecido pela media), originando a caça as bruxas a comunistas e eventuais comunistas.
O filme abarca um tema extremamente pertinente, intemporal, para além do facto de partir de casos reais, tem a capacidade de criar em cada um, perguntas retóricas.
O título original do filme é uma referência à frase com a qual o verdadeiro Edward R. Morrow encerrava todos os seus programas.
E parafraseando o próprio num dos seus discursos, alertando para o futuro da televisão, "o empobrecimento da programação que só leva em consideração a diversão e não se preocupa em informar e educar. Mudaram as pessoas, os equipamentos são mais modernos, mas as questões ainda são as mesmas, ou seja, continuamos em debate com paradigmas clássicos".
publicado por yamuss às 23:11

 

State of play, filme realizado por Kevin McDonald, retrata aquilo o jornalismo de investigação num contexto de interesses políticos e em clima de corrupção.

Um veterano repórter de Washington, Cal MCAffrey, desvenda um assassinato onde estão implicados alguns dos maiores políticos e empresários dos EUA.

No decorrer da investigação jornalística, dá conta de um esquema de ocultação na área da defesa que poderia ameaçar toda a estrutura de poder do país.

O filme retrata de forma exaustiva o modo como se processa a investigação em volta de um caso de mediatismo extremo.

A total proteção das fontes é outro assunto retratado no filme que mostra de uma forma coerente o esforço dos jornalistas na seleção e tratamento dos depoimentos recolhidos, de maneira a não prejudicar qualquer interveniente.

Todo o jornalismo de investigação pressupõe o tratamento de informação de forma individual, investigando minuciosamente os factos, disponibilizando os recursos específicos a cada dado novo no que diz respeito á sua credibilidade, procurando sempre a precisão jornalística em determinado contexto bem como a ausência de ruído em cada dado novo.

O jornalista tem a função de equilibrar a balança da verdade na comunicação.
No jornalismo de investigação o jornalista age como se de um detetive se tratasse.

O critério de noticiabilidade do próprio profissional determina todo um valor de notícia, que nada mais é que um valor subjetivo que determina a importância que determinado facto ou acontecimento tem para ser noticiado.

Em suma, a investigação é uma vertente jornalística pouco explorada, os seus custos e dificuldades a nível de respostas rápidas tornam esta uma opção de recurso limitado. Porém, é uma área importantíssima na exploração de assuntos altamente mediáticos e polémicos, com elevado interessa público e que necessitam de um empurrão informativo profundo para o seu desenvolvimento.

 

 

 

 

 

Por: Fábio Daniel Soares Dias

 

 


 


 

publicado por fdsd às 23:06

 

 

Por: Regina Machado

 

Stephen Collins, jovem congressista republicano e membro de uma comissão de investigação do congresso, vê a sua vida exposta e remexida pelos meios de comunicação social aquando a morte de Sonia Baker, investigadora chefe e sua amante. Esta morre no metro de Washington se uma forma misteriosa (a morte, o inesperado, o escândalo e a notoriedade são alguns dos grandes valores-notícia estabelecidos por Nelson Traquina e aqui verificados). Quando Stephen se prepara para falar numa conferência de imprensa sabe da notícia e, em plena conferência começa a chorar, o que dá azo às especulações por parte dos meios de comunicação. Tem como valor noticioso primário o facto de ser acontecimento que envolve figuras importantes merece o envio de uma equipa para o local; de imediato foram enviados jornalistas para a frente da casa do congressista, para vigiarem cada passo por ele dado. Outro dos valores aqui presente é o valor das imagens que quanto mais dramáticas e interessantes forem, têm um valor acrescentado para entrarem na agenda; o facto de Stephen chorar foi captado em direto e retransmitido vezes sem conta. Os rumores que associavam o congressista à investigadora chefe e a um eventual suicídio abriram as emissões televisivas, generalizaram-se por cada órgão e meio noticiosos. Ao pensarmos no jornalismo como uma organização, temos que ter em conta as várias hierarquizações. Warren Breed estudou como as relações de força ocorriam dentro de uma redação jornalística, tanto no confronto entre os jornalistas como entre as chefias. Cal era um grande repórter; estes são os jornalistas que se destacaram pela sua competência, pela sua capacidade de comunicação e pela confiança que neles pode ser depositada e que são convidados a trabalhar em grandes reportagens, gozando de elevada autonomia. No caso específico de State of Play, a autonomia de Cal era notória: não deixava a diretora interferir no seu trabalho, apenas participava nas reuniões para fazer o ponto de situação e era uma base inclusive para o redator do próprio jornal. Habitualmente são jornalistas especializados num determinado campo/área e destacam-se por isso. São bons enquanto especialistas e servem de apoio à restante redação. Normalmente são incutidos de tratar os grandes acontecimentos e usufruem de uma grande margem de manobra dentro da organização. Relativamente às chefias, Cameron Lynne, a diretora do jornal assume o pensamento cada vez mais comum numa organização jornalística: “os nossos donos têm a estranha noção de que devemos dar lucro”. A preocupação pelas vendas levou à sede permanente por parte da diretora em apurar factos pessoais, com base na amizade de longa data entre Cal e Stephen Collins. Algo fundamental a reter é exatamente relativo a este facto: hoje em dia, e cada vez mais, o que conta é a rapidez com que uma notícia sai e os custos com pessoal cada vez menores. Uma realidade que é importante absorver, à luz dos nossos dias.

 

 

publicado por Regina Machado às 22:36

O filme 5 Days of War realizado por Renny Harlin em 2011, baseado em factos reais, retrata a invasão russa à Geórgia, levada a cabo em Agosto de 2008. A guerra que ocorreu na zona do Cáucaso, expôs a ganância russa por poder e por reaver as terras que outrora pertenceram à URSS, nesta caso os territórios da Geórgia e da Ossétia do Sul. O filme protagonizado por Rupert Friend, retrata a vida de um jornalista de guerra que em 2007, na guerra do Iraque perde a sua namorada num ataque terrorista e que no ano a seguir parte para a Geórgia em busca de documentar, juntamente com o seu colega repórter de imagem, personagem interpretado por Richard Coyle. Num cenário de guerra, os dois jornalistas vivem os dramas do povo geórgio enquanto acompanham uma família de refugiados.

 

Durante a trama, é perceptível de avaliação algumas falhas de ética por parte da equipa de jornalistas:

 

1)      O facto de, no início, o personagem principal admitir que mantém uma relação, inclusive sexual, com a sua companheira de profissão, a também jornalista Miriam, poderá ser considerado uma falha ética, na medida em que a relação entre ambos os aproxima, sendo possível que profissionalmente deixe de haver uma separação e distanciamento adequado e leve a que exista um envolvimento mais emocional nas situações, neste caso, de perigo.

2)      Embora as imagens recolhidas fossem para ser entregues a organizações de defesa dos direitos humanos, estas eram bastante violentas. Um repórter de imagem para mostrar a violência de algo não necessita de filmar “o ato” ficando-se pelas “consequências” por exemplo. Assim sendo, considero não ser muito ético a captação de imagens de sofrimento, tortura e morte que foram recolhidas.

3)      Ao longo da história, os jornalistas filmaram a fuga e reencontro da família de refugiados, com todas as contrapartidas que isso trouxe, acompanhando-os. Neste caso, para serem respeitadas normas éticas deveria ter existido um distanciamento, não sendo usada a família como modelo de “família fugitiva geórgia”.

4)      Outro facto que demonstra falta de ética, prende-se pelo facto de as cadeias não aceitarem as imagens, cedendo a pressões do presidente russo, optando por passar imagens dos Jogos Olímpicos.

 

Por fim, creio que a frase proferida pelo senador americano Huram Johnson, em 1918, “The first casualty of war is truth”, isto é, “A primeira vítima da guerra é a verdade”, demonstra como a cobertura de um conflito pode não ser objectivo, sendo possível manipular a realidade. Outra questão que se pode colocar, é, Quem tem razão? Quem diz a verdade?

 

 

 

Por: Pedro Miguel Martins

publicado por blogafazerdeconta às 22:34

 

 

 

 

 


O filme Good Night, And Good Luck realizado por George Clooney, descreve os primórdios do jornalismo televisivo, na América dos anos 50, centrado na tríade: Media (4º poder/ contra poder), Estado/Forças Armadas e Informação.

 

No filme existe o confronto de ideais entre Edward R. Murrow, um pivô pioneiro da estação CBS e o Senador Joseph McCarthy. Graças ao desejo do pivô e da sua equipa em comunicar os factos e esclarecer o público americano, os jornalistas vêem-se a braços com dilemas e questões de integridade e ética profissional, remetendo sempre para valores humanos e políticos que ainda hoje permanecem actuais.

 

Por um lado, surgem as pressões da empresa de comunicação, tendo de se impor a autocensura e as pressões económicas dos patrocinadores (ALCOA), que retiram o patrocínio. Por outro lado, os jornalistas enfrentam as pressões políticas, onde havia o medo das perseguições, para revelar aos telespectadores as mentiras e as estratégias levadas a cabo pelo Senador durante a sua “caça às bruxas” aos comunistas. É visível também, a discórdia entre as ideologias dos jornalistas.

 

Num ambiente de terror e represálias o chefe dizia: «Estamos todos no mesmo barco, tenho que informar os patrocinadores, senadores e a força aérea sobre a emissão da peça… porque o terror já se instalou nesta sala… Ao passo que o general avisava que a equipa da CBS devia: Reconsiderar passar a peça, pois é navegar por águas muito perigosas!»

 

Após a emissão do programa no qual Murrow desmarcara o Senador, os críticos jornalísticos elogiavam a coragem do apresentador, excepto o jornal O'Brien (conservador) que acusava a estação televisiva de estar conotada com a esquerda. A pressão exercida sobre o jornalista Murrow e sua equipa, mostra o quanto é difícil manter o equilíbrio e a liberdade de expressão nos media.

 

O direito de resposta e o contraditório estão, também, presentes neste filme, porque o Senador McCarthy tem a possibilidade de se defender sobre os factos de que é acusado. A discórdia agrava-se quando o Senador reage sem provas , chamando comunista ao pivô, mencionando inclusive: «Não me deixarei demover. Murrow é o símbolo, o líder e o mais esperto da matilha de chacais.» Todavia, Murrow e a equipa pagaram cara a sua ousadia e o programa foi transferido para um horário menos nobre.

 

Num tempo em que se vivia a Guerra Fria são ainda retratados na trama dois casos de afastamento das suas funções exercidas, por suspeitas de ligação ao comunismo. Um caso é o do Tenente M. Radulovick que foi convidado a abandonar a Força Aérea, devido ao seu progenitor ler jornais comunistas. Após a vinda do caso à praça pública, o Tenente foi reintegrado, visto que os “filhos não devem ser julgados consoante o rótulo que atribuíram aos pais”. O outro acontecimento que suscitou controvérsia na sociedade americana foi o caso de um membro feminino do FBI ter sido acusado de quotizar nas listas do Partido Comunista. A defesa exigiu a materialização das provas com o intuito de a indiciada bem como o público tivessem acesso as provas de delação.

  

Do início ao fim do filme, o pivô Edward R. Murrow consegue transmitir uma imagem de honestidade e de ética, porque não cedeu às pressões e procurou exercer um jornalismo objectivo e isento, sem influências políticas. Acabando por colocar em risco o próprio emprego.

 

O filme “Boa Noite, e Boa Sorte” é uma personificação da sociedade actual. Não só sobre os direitos dos cidadãos, mas também sobre a responsabilidade dos media numa sociedade. A televisão não é somente uma “caixa mágica” que serve para entreter, divertir e isolar, tem a incumbência de educar e tornar os seus espectadores informados e conscientes da realidade.


 

 

Por: Renata Costa

publicado por renatadbcosta às 22:24

 

A obra cinematográfica "5 days of war" da autoria de Reny Harlin descreve as vivências de um jornalista de Guerra, Thomas Anders,  e do seu repórter de imagem, Sebastian Ganz, no período de Guerra vivido na Geórgia devido à invasão da Rússia em 2008. Os audaciosos e destemidos, conseguiram testemunhar e filmar os mais terríveis crimes enquanto lutavam pela suas sobrevivências em lugares inóspitos e isolados trespassados por tiros e pela morte.

 

É na possibilidade de transmitir uma história em clima de conflito, característico da guerra, que levou estes jornalistas aventurarem-se em cenários preenchidos de pânico. A ambição de relatar acontecimentos com intuito do Mundo se manter informado dos avanços da guerra, influenciando, consequentemente, o quotidiano dos envolventes directos e indirectos poderá, eventualmente, ser subordinada a poderes sociais, por questões políticas ou económicas . Foi o que aconteceu com Thomas Anders. Na oportunidade de enviar as suas reportagens recebeu uma negação  no acesso à transmissão. Os editores justificaram a recusa com o desinteresse do público referente à realidade vivida na Geórgia, utilizando a transmissão dos Jogos Olímpicos como forma de ocupar grande parte da programação.

 

A velocidade e a pressão simbólica do clima de alarme limita o tempo de analisar com rigor o material que tem ou não valor de notícia e até que ponto se justifica a trasmissão de imagens violentas que poderão agredir a susceptibilidade do público, tal como também a segurança dos expostos. Esta é a problemática que Sebastian Ganz confronta usando Tatia como foco principal da sua reportagem. É na opção por um jornalismo sensacionalista, apelando a dor de uma rapariga perdida na procura da sua família após o casamento da sua prima ter sido alvo de um bombardeamento,  que o repórter encontra a solução para a possível transmissão das suas imagens, uma vez que este tipo de jornalismo apela um maior número de ouvintes para um problema.

 

Tendo em conta a falta de protecção dos jornalistas e restantes profissionais da área de comunicação presentes nos países em guerra coloca-se a questão se é um privilégio presenciar tal acontecimentos ou considerar uma verdadeira prova de vida.

 

Edgar Alves

publicado por edgaralves às 22:20

 

 

 

 

"Boa noite e boa sorte" ("Good night, and good luck"), filme de 2005 dirigido e escrito por George Clooney, traz à tona a história verídica do pivot Ed. Murrow.

O filme conta a historia de um grupo de jornalistas da rede televisiva CBS, em Nova York, que travaram uma luta contra o Senador McCarthy, o nome por de trás da “caça às bruxas” comunista. A televisão conhece assim a sua primeira cruzada política, reconhecendo um grande poder sobre a opinião pública.

O título refere-se à expressão utilizada pelo jornalista Ed. Murrow, ao despedir-se dos espectadores no final de cada emissão de um dos seus programas. Murrow era apresentador do programa "See it Now", virado para a investigação jornalística, e deixou a sua marca não apenas pelo uso da sua frase típica, mas também pela qualidade e rigor das transmissões.

É através deste programa que Murrow aborda a problemática da caça às bruxas. Na sua fase mais crítica, os inquéritos eram dirigidos a todo aquele que fugisse ao ideal patriota, sendo os mesmos consequentemente acusados de "comunismo" e conspiração contra o Estado.
O filme retrata ainda o quotidiano dos restantes membros da redacção, assim como a relação entre os jornalistas e o chefe da cadeia televisiva norte-americana.
Com um caráter documental, mostra os bastidores do jornalismo, o dia a dia de uma redação e os desafios enfrentados na produção de um jornalismo de denúncia.

Apesar de descrever a década de 50, o filme é uma profunda análise da sociedade actual, não só sobre os direitos dos cidadãos, como também sobre a responsabilidade dos media numa sociedade cada vez mais dominada pelo poder da imagem.

 

Inês Marques

publicado por patriciaalves às 21:19

O filme “5 Days of War” de Renny Harlin retrata a invasão da Rússia à Geórgia em 2008. Juntamente com a narrativa da guerra, é focado o prisma do jornalismo de guerra, ao acompanhar a viagem de um jornalista de guerra e o seu repórter de imagem que lutam para se manterem vivos enquanto procuram mostrar ao mundo o que realmente acontece naquela zona de conflito. A cena de abertura é a frase do Senador americano Hiriam Johnson em 1918 – “The first casualty of war is truth” (a primeira vitima da guerra é a verdade).

 

É nesta questão que deve figurar uma deliberação sobre o jornalismo. A perda da verdade no decorrer numa guerra é um dado adquirido. Os interesses políticos sobrepõem-se aos verdadeiros acontecimentos de guerra, como as suas causas reais, quem “disparou o primeiro tiro”, o porquê da quezila ou o os atos que as tropas/milícias levam a cabo durante o período de conflito. No filme temos a clara perceção destes casos, nomeadamente dos crimes de guerra e de quem despoletou a guerra em si. Encontramos também a dificuldade de fazer chegar ao mundo a informação que os jornalistas de guerra lutam para reportar. Os interesses públicos divergem muito facilmente e são em grande parte deturpados pelos interesses políticos. Vemos neste caso, a situação do jornalista Thomas Anders que tenta transmitir os seus conteúdos e que vê essa tentativa frustrada com a desculpa que os editores não acham que haja interesse em mostrar a verdadeira realidade da guerra, distraindo a opinião pública com imparáveis programas sobre os jogos Olímpicos.

 

A par deste problema jornalístico encontramos uma certa deturpação da guerra em busca de audiências por parte do repórter de imagem Sebastian Ganz que vê no bombardeamento de um casamento e na busca de uma rapariga pela família uma oportunidade de público. Não é novidade que o que vende não são tanto as hard news mas sim aquelas que apela ao coração. Um país em guerra e os crimes lá cometidos não são tão fortes quanto se pode pensar, o ser humano não vai prestar tanta atenção a algo que se passa a milhares de quilómetros de distância, num sitio que nem seque sabe bem onde fica, quando quem sofre são pessoas anónimas. Se por outro lado, se mostrar esta realidade a par com a comovente história de uma rapariga que procura a família depois de um acontecimento trágico, o interesse público aumenta exponencialmente pois todos nos podemos relacionar, em certa medida com a personagem apresentada. Todos temos família e somos capazes de nos por no lugar de outro, ao sentir a nossa dor hipotética. É algo que chama pelo coração, uma “heart warming story” que atrai audiências e atenção para um problema muito maior. De certa forma podemos encontrar vantagens e desvantagens na utilização de uma história pessoal como ilustração de uma guerra.

 

Uma última questão que poderemos encontrar ilustrada no filme é a captação e possível transmissão de imagens chocantes. Põe-se a dúvida se será benéfico, ou sequer necessário, mostrar assassinatos por degolação, corpos de crianças mutiladas, entre outras coisas. Pode argumentar-se que é mostrar a realidade nua e crua, mas a utilização de imagens dessa natureza nem sempre é a mais indicada para essa ilustração.

 

O jornalismo de guerra é uma vertente muito delicada da profissão pois encontra muitos obstáculos (para além do perigo de vida) e dúvidas sobre o correto procedimento em diversas situações encontradas. O que se pode pedir ao jornalista é que faça o seu trabalho com profissionalismo e sensibilidade a casos frágeis, lutando contra os interesses privados.

 

Por: Susana Estácio Marques

publicado por susanamarques às 19:00

Através de uma narrativa, o filme mostra a trajetória de Ed Murrows ao confrontar e sempre questionar os métodos do Senador Maccarthy, que em 1953 perseguia a todos que tivessem contacto com a política de esquerda e nomeadamente o comunismo.

O filme mostra-nos um importante período histórico para os Estados Unidos da América e para a comunicação social, como é mostrado o dia a dia da redação da CBS, os pensamentos, atitudes, conflitos e até mesmo os questionamentos da própria consciência e, principalmente o preço alto pago pelos jornalistas para desenvolver um real jornalismo.

Ed Murrows inspirou, lecionou e ensinou. No seu discurso diz o que se está a passar na televisão. E se ele diz o que é de responsabilidade, apenas ele é responsável por dizer. A nossa história é o que fizemos dela.

O que está em causa no filme, é a liberdade de expressão, responsabilidade social, responsabilidade civil, ética, conhecimento por parte dos editores, repórteres, e equipas sabendo qual é a sua função na sociedade civil que é de investigar, denunciar, informar, esclarecer fatos, e fornecer conteúdos para a construção de ideologias, independente de qualquer regime de estado politico.

A preocupação com os meios de comunicação social, nomeadamente a TV, que está a iludir e isolar as pessoas. Por vezes o que é mostrado não é realidade, mas ficção e essa ficção tem o dom de iludir, existe os interesses nas parcerias entre a TV, as agências publicitárias, a publicidade, que financiam, ditam regras e pagam o que é que vai entrar na casa de uma sociedade.

A CBS, e toda a sua equipa têm os seus princípios políticos. E a grande critica é o que a comunicação social e quem faz a comunicação social, pode fazer numa sociedade. E a luta é para uma responsabilidade social, é determinante em todo o filme. Há diversos momentos de grandes desafios e pressões que Murrows e a sua equipa passa, há muita influência externa para estagnarem, tanto pela parte politica, como também por alguns concorrentes da comunicação social. A CBS que o filme mostra, é um meio de comunicação social em que não existem preconceitos, mesmo diante de um juramento de lealdade, dentro da CBS e a América.

Os editores dão a informação e querem que a comentem, que sejam discutidas as notícias, ou seja, a liberdade para que uma sociedade possa construir uma opinião pública e que a televisão não seja apenas uma caixa de luz e fios. O Murrows trabalha sempre indo buscar a sua consciência, a sua liberdade de pensar e trabalhar.

 

Conclusão: A liberdade de expressão para a comunicação social é um problema que está longe de ser resolvido, visto que este filme retrata os tempos da segunda guerra mundial e tanto esta época quanto aos dias atuais, é um fato, a “Liberdade de Expressão” quando não agrada aos poderes políticos, pessoas com poder ou patrocinadores (publicidade), esses tentarão de todas as maneiras parar, colocarem travões, ou até mesmo estagnarem a comunicação social. E isto é visto em quase todos os meios da comunicação social. A liberdade de expressão e a manifestação da opinião pública estão previstos na constituição da República. Atualmente é um direito adquirido.

A responsabilidade social é um ponto importante tanto para a credibilidade do media, tanto para o destino do jornalista, para entrar para a história da credibilidade e o Murrows e sua equipa mostra e ensina isto todo o tempo no filme.

 

Por: Patrícia Alves

publicado por patriciaalves às 18:54

Antonio Soares

 

O filme de George Clooney "Boa Noite, e Boa Sorte" desenrola-se nos EUA entre os anos de 1954 e 1958 e retrata a relação em três diferentes partes: os Media, com os seus efeitos/manipulação, visto como o 4º poder; o Estado/Forças políticas/Forças económicas; e a Informação em si vista como o símbolo do poder.
A ação desencadeia-se com pressões sobre a expulsão de um jovem tenente das forças armadas, pelo pai e a irmã serem acusados de ler publicações de teor comunista, que no final da investigação jornalística acabaria por ser reintegrado nas forças armadas. Nesta época havia a chamada "Censura Murray", onde haviam reuniões para saber se os jornalistas tinham ligações comunistas.
Há uma frase emblemática no filme: "Se a TV serve apenas para entreter, divertir, serve para distrair, isolar e não educar, ficamos a perder". Surge um confronto entre a TV como veículo de entretenimento ou de informação, e o de a TV e a imprensa não refletir a verdadeira realidade.
Por um lado surge pressões económicas por parte dos patrocinadores e por outro lado pressões políticas, onde havia medo das perseguições, que poucos jornalistas a enfrentaram. Estávamos em plena época da Guerra Fria e existiam vários russos encartados.
Ao longo do filme assistimos confrontos entre as pressões económicas e políticas, através da censura, que nos anos 50 houve como uma "caça às bruxas" aos comunitas, versus as pressões mediáticas, através da informação com o programa "Veja Agora", do entretenimento com o "Cara a Cara", que por ter bastante popularidade e audiência, pagava as contas da estação.
Assistimos também no filme o confronto de ideias entre os jornalistas que defendem o jornalismo liberal e os que defendem um jornalismo conservador.

 

"A obra tem ainda o mérito de levantar questões universais, como a importância do direito de discordar e o próprio papel da TV para o crescimento das nações. A pressão exercida – e muito bem mostrada no filme - sobre o jornalista Murrow e sua equipe esclarece o quanto é difícil manter a liberdade de expressão em mídias invariavelmente sustentadas por anunciantes (que podem desaparecer automaticamente dependendo do conteúdo abordado).

Por fim, o discurso de Murrow ao receber uma homenagem – já nos momentos finais do filme – alerta como poucos sobre o papel da TV (para o bem e para o mal) na formação das sociedades." - in http://www.cinepop.com.br/criticas/boanoite.htm, Edson Barros

 

Veja aqui um trecho do filme, onde mostra o discurso do jornalista Edward R. Murrow em 1958 criticando a qualidade e o futuro da TV.


 

publicado por antoniomsoares às 17:19

 

 

 

“Boa noite e boa sorte” é um filme produzido por George Clooney que conta a história dos vários conflitos políticos, económicos e televisivos nos primórdios do jornalismo televisivo na década de 50 nos Estados Unidos da América.

            Através deste filme é possível verificar os confrontos existentes entre o estado e a comunicação social que se sobrepunham a muitas outras questões relevantes na altura. Os meios de comunicação eram claramente forçados ao silêncio para não colocarem em questão e em debate atitudes de membros do governo. A manipulação e a pressão são fatos visivelmente claros do governo em relação à imprensa, nomeadamente à televisão, para que não fossem, reveladas informações ao público em geral. Porém, neste filme, essas “ordens” não são tomadas em consciência e a CBS decide revelar a todos os americanos dados importantes sobre um senador do governo americano que é contra os comunistas. Assim, confirma-se, então, que desde o início das transmissões noticiarias o estado exerce grande poder de pressão sobre os principais meios de comunicação. Relativamente às questões económicas, estas têm, também, bastante relevância perante toda esta situação. Se não houver fundos para produzir o programa, este não pode ser realizado e, consequentemente, transmitido. Assim, torna-se então mais difícil a tarefa dos vários órgãos da comunicação social em concluírem os seus objetivos pois têm contra si tanto o estado como as forças económicas. Devido a terem decidido não levar adiante as ordens do governo, a CBS, mais concretamente Edward Murrow (pivot do programa que fazia frente às questões politicas) foi alvo de represálias devido a ter tornada pública a questão de McCarthy (senador americano) contra os comunistas. Verifica-se, então, aqui, o superior poder do governo sobre os meios de comunicação na altura; devido à sua revelação, Murrow foi “castigado” por Paley (diretor da CBS) e obrigou-o a alterar os temas do seu programa mudando-o, também, para o horário nobre.

            Com todo este exemplo, concluí-se, então, que sem a menor dúvida que naquela época o governo exercia, sim, um grande poder de manipulação e de pressão sobre os mais variados meios de comunicação. No término do filme, Ed Murrow afirma que a televisão pode educar e ensinar mas somente se o ser humano assim o quiser. Murrow quer com isto dizer que a televisão pode transmitir verdades e educar mas apenas se os opressores assim o permitirem.

 

Por: Inês Oliveira

 

publicado por anavanessapinto às 15:51

O filme de Geoge Clooney relata o confronto entre os media e o Estado face ao poder da informação na década de 50, durante a Guerra Fria, que opôs os Estados Unidos da América à União Soviética. Apesar de se situar temporalmente neste período histórico, o filme retrata realidades actuais e denuncia valores e interesses que ainda hoje movem televisões.

 

Na história, o apresentador televisivo Edward Murrow usa o seu programa para transmitir  opiniões e difundir os seus ideais comunistas. O apresentador afirma, no início do filme, que  «A nossa História será aquilo que fizermos dela», colocando em causa a liderança mundial dos Estados Unidos da América e rompendo com os valores adquiridos e não questionados pelo resignado povo americano. Desta forma, Murrow enfrenta o poder político, representado no filme na figura do senador Joseph McCarthy. O filme confronta o espectador com a fragilidade da História que, para a classe política representada, tem dois lados igualmente válidos. O jornalismo enfrenta pressões diversas, mas as pressões políticas têm peso para modificar verdades e factos, quer pela omissão, quer pela censura opinativa e analítica.

 

Por outro lado, os constrangimentos financeiros levam o canal televisivo CBS a impor a autocensura. Este tipo de constrangimentos são representados em Boa Noite e Boa Sorte pela empresa Alcoa, patrocinadora do canal que, no final do filme, retira o patrocínio. Ilustram-se, assim, as barreiras colocadas aos jornalistas no exercício da sua profissão: o contorno de alguns factos e a selecção das declarações exibidas garantem uma mensagem aparentemente clara e inócua mas questionável e tendenciosa.

 

Murray mantinha-se fiel às convicções e surge como um fósforo no filme, revelando contradições de McCarthy e acendendo uma discussão, ignorando pressões externas e internas. O próprio director de programas, adepto de jornalismo conservador, afirma que «Todos nós fazemos censura», numa tentativa de desmotivar o espírito irreverente e inconformista do jornalista.

 

No final do filme, Murray discursa sobre a utilidade da televisão e afirma que  «A televisão pode ensinar», não devendo ser encarada apenas como uma fonte de entretenimento, mas também como um meio de comunicação capaz de tornar os seus espectadores cidadãos informados e conscientes da realidade e incentivá-los à luta pela verdade e ao confronto com o poder económico e político que rege tudo à sua volta.

publicado por jessicasantos às 13:08

 

 

 

Década de 50, Estados Unidos da América. A crescente relevância da televisão no dia-a-dia dos cidadãos americanos e, também, o elevado número de simpatizantes do partido comunista dão origem a uma alargada perseguição ao partido “vermelho” (comunismo) e, por consequência, aos órgãos de comunicação. Proteger o país da ocupação comunista era o propósito do Senador McCarthny. No entanto, as obsessivas investigações e perseguições “atropelaram” os direitos e as liberdades civis. Embora julgasse que a maior parte dos americanos compactuasse com tal posição, havia um opositor. Edward R. Murrow, um prestigiado jornalista da CBS, denunciou todas as artimanhas levadas a cabo pelo Senador, descredibilizando-o. Desta forma, dá-se início a um confronto político, onde as ideologias das personagens estão presentes.

Quando terminámos de ver o filme, percebemos que este conduz-nos aos primórdios do exercício do jornalismo. Um tempo onde a publicidade se cruzava com a informação, um tempo onde não existia teleponto, um tempo onde os jornalistas emitiam opinião, conseguindo, até promover certos hábitos de vida, tais como, fumar.  Porém, apesar das práticas anteriormente enumeradas não coincidirem com as práticas estabelecidas pelo código deontológico, verificámos que, no decorrer da trama, existem pontos atuais. As várias pressões aos jornalistas estão presentes do início ao fim. Mas, o protagonista Murrow não cedeu à pressão e procurou exercer um jornalismo imparcial, objetivo e, sobretudo, isento, sem qualquer vestígio de influências políticas. Deste modo, o jornalista entra em conflito com o Senador, acabando por colocar em risco o próprio emprego, uma vez que a CBS perde lucros com a perda de patrocínios. A direção do canal tenta aliciar Edward a abandonar a investigação a que se propôs. O jornalista recusa, mas coloca em questão a viabilidade da mesma, questionando-se sobre a utilização de factos devidamente comprovados.

O direito de resposta está, também, patente nesta trama, pois o Senador tem oportunidade de se defender e justificar sobre os factos de que é acusado. O Senado opta, então, por investigar McCarthny, devido à tamanha relevância que o caso ganha, graças ao reconhecimento por parte de outros órgãos de comunicação de prestígio. Todavia, apesar do trabalho jornalístico ter sido reconhecido, a direção decide tirar o programa do horário nobre, de forma a desviar a atenção pública do caso.

Ano 2012. Portugal. Aqui, também nos deparamos com situações idênticas, dado que os meios de comunicação são chefiados por grandes grupos económicos. Objetivo principal: a obtenção de lucro. Muitas vezes, os jornalistas vêem-se obrigados a ceder a chantagens e publicar informação menos verídica, acabando por manchar e prejudicar a atividade jornalística.

Percebemos, assim, que a televisão tem capacidade para mover causas, mudar ideologias e opiniões. Basta utilizá-la de forma correta e não ceder a pressões e censuras, lutando, sempre, pela liberdade e imparcialidade. Deste modo, podemos perceber o porquê de classificarem os Média como o quarto poder. Por isso, só resta dizer: “Boa noite e… boa sorte.”.


Por: Ana Pinto

publicado por anavanessapinto às 11:42

Five days of war, filme da autoria do realizador finlandês Renry Harlin, aborda dois cenários de guerra. De uma forma breve o Iraque e, posteriormente o conflito no Cáucaso, entre a Rússia e a Geórgia, por causa do movimento separatista da Odéssia do Sul.

O filme começa por ilustrar os perigos adjacentes ao jornalismo de guerra. Logo no início, é referenciado que no decurso da última década, mais de 500 jornalistas perderam a vida em zonas de combate. Tendo em consideração o caractér trágico de tais estatísticas, “ Five Days Of War” apresenta-se como uma dedicatória a todos os que foram vitimados em nome do jornalismo. O filme foi alvo de críticas por não contemplar o sacrifício pelo qual os soldados, bem como vários cidadãos, tiveram que passar. Focalizava essencialmente a acção dos repórteres, visualizados como heróis simultaneamente observadores e protagonistas dos acontecimentos.

Todavia, é indiscutível que em meros segundos e só com uma frase, o filme consegue exemplificar de forma explícita o esforço inerente à actividade jornalística. Apesar da prática desta profissão ser obviamente mais perigosa em ambientes bélicos (a namorada da personagem principal, o jornalista Thomas Anders, é morta no Iraque), todas as áreas jornalísticas têm um factor de risco. A divulgação de um escândalo político, por exemplo, pode fazer com que o jornalista se torne um alvo. A ânsia de se obter informações em primeira mão pode conduzir os jornalistas a ciladas e emboscadas. Tal como captar imagens de massacres ou de violações, são testemunhos importantes encarados como armas letais pelos seus autores. O filme apresenta essa situação quando os repórteres são presos pelos rebeldes ossetianos, apoiados pelos russos.

Outra das questões levantadas, embora de forma breve, é o carácter apelativo, e por vezes mesmo sensacionalista, do qual o jornalismo vive, sobretudo o televisivo, com programas como o” American Idol”. Durante a estadia no Iraque, o cameraman Sebastian Ganz convida o jornalista Thomas e a namorada Miriam a discutirem a sua vida sexual em frente à câmara, insinuando tratar-se de um tema mais interessante do que” uma guerra velha e chata”.

Apesar de ser feito em tom de brincadeira (num dos parcos momentos de descontracção presentes no filme) a dita cena capta na perfeição o facto de assuntos “tabu”, com carácter exibicionista suscitarem, muitas vezes, mais discussão e reacção, do que acontecimentos mais sérios e com consequências que podem mudar o mundo em que vivemos. Talvez uma referência à superficialidade do mundo ocidental.

A visualização desta obra cinematográfica permite-nos detectar outro aspecto negativo muitas vezes associado ao jornalismo. Em “Five Days of War” Thomas Anders viaja até Georgia devido a rumores sobre a iminência de um conflito. À medida que este se agrava, a missão da viagem passa a consistir em tentar que a reportagem saia do país para que o resto do mundo possa ter noção da violência que lá teve lugar. Esta escolha de enredo foi encarada por muitos críticos e espectadores como um mero acto de propaganda em favor da Georgia e contra a Rússia e a Odéssia do Sul.

Este tipo de acusação é frequente no jornalismo, pois é comum, por vezes, abordar-se certos temas com um registo parcial. É precisamente devido a essa má pratica que o conceito de objectividade jornalística tem sido amplamente discutido, sobretudo em faculdades e palestras. Qualquer que seja o tema alvo da peça jornalística, esta deve ser abordada de forma imparcial. Mas levantam-se algumas questões: o jornalista de guerra deve ser um mero observador? O seu trabalho é meramente informativo ou também é pedagógico? O jornalista pode alterar o rumo dos acontecimentos?

 

Jorge Alves

 

publicado por jorgerock às 09:52

     Baseado em factos verídicos ,o filme Good Night and Good Luck , retrata a batalha real entre Edward  R. Murrow , jornalista da CBS, e Joseph McCarthy , Senador dos Estados Unidos. O filme tem como cenário a década de 50, numa época que ficou conhecido pelo Macartismo termo que descreve um período de intensa perseguição anticomunista e desrespeito aos direitos civis nos Estados Unidos. Esta foi uma das mais importantes batalhas jornalísticas da história americana.

     O filme mostra-nos o dia-a-dia da redacção da estação da CBS, os problemas com que se deparam, como os tentam resolver, de modo a levar avante a intenção de fazer um jornalismo de excelência onde imperam os principios éticos, e ainda os preços a pagar como consequência da vontade da equipa liderada por Ed Murrow de reportar sempre a verdade.

Ed Murrow e toda a sua equipa da cadeia CBS , foram as primeiras vozes a fazer  frente ao Senador  Joseph Mccarthy , expondo o caso perante uma sociedade que estava a ser silenciada.

     Aqui fica claro o papel do jornalista de dever informar a sociedade , que Ed Murrow respeitou  expondo publicamente toda a verdade que se passava nos bastidores do Governo Americano , pondo fim ao clima de repressão onde os jornalistas tinham medo de relatar os factos inconvenientes com medo de serem também eles alvos a abater.

     A "caça às bruxas" durou até que a própria opinião pública americana ficasse indignada com as flagrantes violações dos direitos individuais, graças em grande parte à actuação corajosa do respeitado jornalista Edward R. Murrow .

     Este filme encerra ainda outras questões ,actuais nos dias de hoje, relativamente aos media e à sua quase alienação em relação à vida poitica. Apela ao papel de intervenção e o poder educativo dos media , mais especificamente da televisão.  George Clooney , realizador do filme,  alerta para o facto da televisão ter que assumir um papel mais activo no seio da sociedade e na formação da opinião pública e lança uma crítica ao facto desta estar ocupada maioritariamente com a vertente do entertenimento.

    Hoje em dia, vemos que os meios de comunicação social estão na mão de grandes grupos económicos cujo o objectivo, como em qualquer outro negócio, é obter lucro . Deste modo , os jornalistas ficam reféns de interesses superiores que podem , eventualmente , prejudicar a sua actividade .  Esta situação é ,aliás, retratada ao longo do filme, onde se pode perceber o drama do Chefe Executivo, William Paley,  que se vê sempre “encurralado”  entre  a vontade da sua equipa de jornalistas de expor a verdade e as pressões exercidas pelos patrocinadores e pelo poder politico.

    No seu discurso final, em modo de reflexão, Ed Murrow faz ainda um alerta à sociedade que se pode resumir na seguinte frase retirada do seu discurso: “Este instrumento pode ensinar, pode iluminar; sim, ele pode até inspirar. Mas ele só pode fazer isso se as pessoas estiverem determinadas a usarem-no para esse fim. De outra forma, não passará de fios e luzes em uma caixa.”

 

 

Tiago Alexandre

publicado por tiagoalexandre19 às 02:39

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