Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

21
Abr 13

O filme de drama e comédia Broadcast News demonstra tudo o que está por detrás dos bastidores das notícias. Realizado em 1987 por James L.Brook, esta é uma longa-metragem que pretende apresentar a história de um canal noticioso norte-americano.

 

Nesta comédia romântica discutem-se essencialmente os princípios e valores éticos do jornalismo, mas também a competência profissional, o trabalho em equipa e o braço-de-ferro que há nas redacções, que para além de serem um local de trabalho é um espaço de grandes emoções.  A sucursal de Washington de um canal televisivo é palco deste filme e do desenrolar da história dos protagonistas: Aaron um repórter brilhante, esforçado e com boas fontes; Jane uma produtora muito competente e Tom recém-contratado pela emissora e novo na capital americana.

 

Numa análise à profissão retratada no filme, há uma ilustração sobre o funcionamento do canal de televisão, desde o trabalho de campo até as notícias irem para o ar. Em Broadcast News, não há uma discussão sobre o abismo que existe entre o jornalismo sério e o jornalismo sensacionalista, visto que, esse mesmo abismo está bem presente no filme. Aquilo que aqui se procura analisar é exactamente, qual o ponto que separa a informação do infotainnment. De notar que esta tentativa de separação está bem patente quando Aaron e Jane estão na América Central a fazer a cobertura de uma guerra, uma vez que Jane não quer que os movimentos dos militares sejam artificiais, prefere que tudo seja feito naturalmente e que o repórter de imagem esteja atento a cada minuto, para poder captar a melhor imagem, “Não! Pare! Não vamos inventar nada. Espere e veja o que ele vai fazer”. Esta sequência do filme demonstra a emblemática discussão que estará sempre presente no jornalismo, o que é verdade, o que é encenação, o que é jornalismo rigorosamente sério, e qual o que chega perto do infotainment.

 

Um outro ponto fundamental deste filme e que demonstra aquilo de que muitos profissionais são capazes só para arrecadarem audiências, só para serem aclamados, ou mesmo para darem mais emoção ao espectador, é quando Tom faz uma longa matéria sobre agressões sexuais a mulheres. Num determinado momento da edição das imagens, há uma mulher que relata a agressão de que foi vítima e, em seguida num rápido plano vê-se o jornalista a deixar cair uma lágrima. Nesta cena há um claro desrespeito pelos principios éticos que devem reger a profissão, porque o grande objectivo de um jornalista é informar rigorosamente o espectador e não induzi-lo em erro.

 

Este é um filme que ilustra claramente os vários tipos de profissionais e os diferentes lados que existem nesta área, não só por apresentar uma personagem que procura ser o mais rigorosa possível quando faz o seu trabalho, não gosta de manipulação nem de produzir uma realidade, como também mostra o lado mais negro do jornalismo, aqui representado por Tom, que apesar de ser recém-contratado, procura induzir o espectador em erro, e não tem respeito pelos valores da sua profissão.

 

 

Ana Luísa Azevedo

publicado por luisaazevedo às 11:43

18
Abr 13

No passado dia 10 de Abril, foi à Universidade Lusófona do Porto, Paula Rebelo, jornalista especializada na área da sáude, a trabalhar actualmente na RTP, Rádio e Televisão de Portugal. Foi convidada pelo Professor da instituição e também jornalista – Daniel Catalão, a participar numa aula aberta.

Licenciada em Jornalismo, pela Escola Superior de Jornalismo, exerce a profissão há 16 anos. Trabalhou no jornal o “Público”, e passou por algumas rádios.. No passado dia 11 de Abril foi-lhe atribuído, pela Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), que distingue os melhores trabalhos aparecidos em televisão, radio, imprensa e on-line, o prémio pela peça “Doença Renal Crónica”.

 

A jornalista partilhou com os alunos não só todo o percurso até ingressar na área da saúde, como também falou nas próprias especificidades da área técnica que exerce. Teve cinco anos na área da política, altura em que lhe foi proposta fazer uma notícia sobre um hospital. Por força das circunstâncias iniciou-se na área de saúde. “Inicialmente não conseguia ver sangue, agora estou em blocos operatórios onde tu pode estar aberto. Nunca me  imaginei numa área especifica, se alguma vez pensei em área especifica foi com 16 anos ir trabalhar para a Blitz”, riu-se. Destacou que a saúde é uma área técnica, com um dialecto próprio, difícil de transportar para o telespectador.
Há 5 anos sentiu a necessidade de aprofundar conhecimentos, sendo a área tão técnica decidiu tirar o mestrado de Comunicação e Saúde, na Universidade de Medicina de Lisboa.

 

Na conferência que deu explicou que nesta área, só é notícia aquilo que tiver carácter negativo. “ O que é normal não é notícia! Em saúde, o normal é esperar que os serviços e profissionais trabalhem bem. O instinto humano valoriza mais o negativo, o perigoso, o erro, a incompetência. A denúncia quer mudar o cenário e às vezes muda mesmo.”

 

Assim o que está mal ou funciona mal tem maior projecção, acrescentou. Já o positivo, diz a Jornalista, “tem de encontrar “timings” e sorte. Se o Relvas for despedido no dia nacional do cancro ou no dia mundial da sida, então não haverá espaço para se falar de outra coisa que não seja o Caso Relvas. Lá está o negativo prevalece.”

 

No seguimento da conversa, destacou a importância das fontes para produzir notícia. Enumerou algumas características que as fontes devem ter e que o jornalista não pode dispensar. Ser credíveis , aqui exemplificou o caso – Gripe das Aves – polémica gerada pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS), disponíveis, boas comunicadoras e de confiança, vastas e variadas. Explicou que qualquer jornalista tem que ter formação específica, dominar dossiers, cruzar todas as informações, ouvir todas as fontes, com o objetivo de minimizar o risco de manipulação no domínio da matéria.

 

Tenho sempre que fazer três ou quatro telefonemas a outros jornalistas da mesma área mas que trabalhem noutras instituições, para poder confrontar as fontes. Confrontar noticia e fundamental, realçou. Paula Rebelo demarcou a sua posição ao ser contra o jornalista que consome passivamente, sem qualquer raciocínio crítico, tudo aquilo que a Lusa transmite.

“É importantíssimo cultivar as fontes, ligar por ligar, isto é “fazer a ronda” para ver o que há de novo, para ver se eles querem contar alguma coisa. Temos que nos manter interessantes, sedutores para que, quando precisarmos, essas pessoas atendam o telefone e forneçam a informação, e informação não manipulada.”

 

Terminou a palestra com a ideia de que, a área da saúde é extremamente politizada – “quem pensa o contrário é ingénuo. É um jogo de interesses e é preciso saber jogar”.

 

Maria Girão Sá

 

publicado por Maria Girão Sá às 22:15

O perseguido e o perseguidor, por vezes, confundem-se. É a partir dos alicerces de uma consulta psicanalítica que se discutem alguns dos mais prementes problemas, questões e limites que a actividade jornalística, no contexto de uma redacção televisiva, encerra. Não é por acaso que este episódio específico da série The Newsroom se intitula bullies, substantivo inglês que, traduzindo, designa algo ou alguém que gosta de mandar, que ameaça, intimida, oprime, persegue. É, até certo ponto, uma qualidade que o jornalista deve observar. Até certo ponto, repito. Ou seja, até ao limite ético da liberdade jornalística, de questionar, de procurar saber, de querer legitimamente farejar o facto, se quisermos, o valor ‘sacrossanto’ da verdade objectiva. O que não impede o jornalista de optar por um registo mais agressivo, implacável por vezes, no momento da entrevista, sob a consequência de que, se esta estratégia for bem-sucedida, conseguir recolher do entrevistado a informação mais importante e pertinente. Mas nunca se esquecendo, porém, que deve respeito às normas deontológicas, bem como à dignidade imanente de quem é entrevistado. Este episódio representa precisamente essa querela instalada no âmago do debate jornalístico: existe uma única realidade que o jornalista, qual sacerdote do facto, daquilo que é única e exclusivamente afirmado diante de uma câmara de televisão, transmite objectivamente, de forma isenta, como se de um espelho se tratasse, ou antes poderá assumir um papel subjectivo, comprometido com a própria realidade a que se reporta e, assim, enveredar pelo caminho inevitável da interpretação dos factos? A palavra interpretação é justamente convocada por uma jornalista neste episódio, quando discute com o director, que advoga claramente a posição da neutralidade jornalística, a validade da informação fornecida por uma fonte japonesa sobre o acidente nuclear desencadeado em Fukushima. Aliás essa sequência, do ponto de vista da pragmática jornalística, suscita um interesse imediato: tudo se inicia quando Sloan, a dita jornalista, recolhe, em off-the-record, declarações basilares sobre as possíveis consequências que o desastre nuclear ocorrido na central de Fukushima poderia vir a repercutir no Japão e nos territórios vizinhos, informando-a, nomeadamente, de que, ao contrário da opinião estabelecida, os reactores nucleares tinham alcançado o nível 7 na escala que mede o impacto dos eventos nucleares, ou seja, o nível máximo, equiparado ao estado de emergência. Mas enfatize-se esta ideia – a informação foi atribuída à jornalista em registo off-the-record, o que significa que as afirmações prestadas não podem extrapolar o domínio privado, simplificando, não podem ser divulgadas. Ora, isso mesmo vem a acontecer, aquando da apresentação do jornal. Sloan, profundamente antagonizada com o trabalho pouco idóneo desempenhado pela tradutora de Tanaka-san, a fonte japonesa referida anteriormente, decide, numa atitude disruptiva (repare-se que a jornalista-pivot chega mesmo a retirar o auricular, deixando de ouvir as orientações do realizador) confrontar directamente, e em japonês, Tanaka-san que afirma reiteradamente, através da tradutora, que os reactores apresentam uma “condição estável”, mantendo níveis de radiação normalizados. “Mas não foi isso que o senhor Tanaka me disse de manhã ao telefone”, devolve Sloan, revelando, num gesto que é ao mesmo tempo profano e sagrado, representando a ruptura para com a fidelidade depositada pela fonte e a imperatividade de salvaguardar o valor supremo da verdade, a informação que recebera antes em off-the-record. Desta forma, Sloan anuncia em directo, num reforço veemente do eu, que há uma fortíssima probabilidade, confirmada por Tanaka-san, dos níveis de radiação de Fukushima atingirem o máximo da escala. O realizador do jornal fica pasmado perante tamanha insubordinação. Não é para menos. A jornalista, num acto ‘subversivo’, suplanta a objectividade, invoca toda a subjectividade da interpretação do facto, assume o duplo papel de entrevistadora e entrevistada, desconsiderando as declarações prestadas pela fonte em estúdio. Rebela-se contra a figura do jornalista-reprodutor ou intermediário, para se comprometer com uma função mais activa e interventiva no processo de construção da notícia. O registo off-the-record abre essa frecha, esse dilema: deve o jornalista consentir com o que lhe é transmitido e continuar a manter uma relação de credibilidade com as fontes; ou, ao contrário, deverá, consoante o grau de relevância da informação, revelar o conteúdo dessas fontes, em nome da legitimidade do interesse público. A meu ver, penso, afigura-se esta uma escolha definitivamente teleológica. O jornalista só deve revelar as afirmações que lhe são concedidas em registo off-the-record em situações extraordinárias, nos casos em que a informação não pode deixar de ser difundida, dado o seu carácter de importância absoluta. Isso sucede-se na sequência descrita. Sloan divulga as informações em off-the-record porque muitos são os interesses em jogo, principalmente no que diz respeito à protecção de vidas humanas. Mas a acção tomada pela jornalista em pleno directo não a absolverá da “suspensão”, decretada pelo director da redacção. O jornalista que perseguiu é agora o perseguido. Semelhante caso ocorre, embora sem consequências proporcionais, com um outro jornalista-pivot, Will, que neste episódio atravessa uma crise depressiva, entre outros factores, devido a ameaças de morte que recebe na internet, mormente por se revelar um acérrimo opositor dos direitos dos negros e dos homossexuais. Mas também por uma outra razão, suscitada igualmente em directo. Discute-se a hipótese de construção de uma mesquita perto do memorial das vítimas do 11 de Setembro, no Ground Zero, em Nova Iorque. A entrevistada acha isso “legal”, mas “incorrecto”. Entenda-se, legal do ponto de vista da liberdade religiosa, incorrecto do ponto de vista ético e humano para com os concidadãos que choram a perda dos seus familiares. Se o Islão é uma ameaça interna para a segurança dos Estados Unidos, se o Islão representa o medo de uma estratégia imperialista e teocrática sob a batuta da sharia, o Cristianismo também não está isento de crimes bárbaros que assolaram a história norte-americana, riposta o jornalista, muito perto da fronteira que separa o facto em debate do juízo subjectivo. E enumera um rol de exemplos, atrocidades perpetradas sob o estandarte do Cristianismo: o movimento Ku Klux Klan, que incendiou igrejas fundadas por populações negras, violou mulheres, assassinou civis, entre os quais crianças e trabalhadores; os neonazis, apologistas de um Cristianismo branco, depurado de influências nefastas; o Exército de Deus, radicalmente contra a prática do aborto, vandalizou clínicas e perseguiu médicos; personalidades como o reverendo defensor dos direitos civis Martin L. King, os presidentes John Kennedy e Abraham Lincoln, o músico John Lennon, todos eles assassinados por cristãos. Finda a argumentação impõem-se a questão: o papel do jornalista circunscreve-se ao plano de um mero moderador, um agente que capta objectiva e inocentemente o facto, o acontecimento anunciado; ou pode ter o direito de emancipar-se das estruturas factuais que nivelam esse mesmo acontecimento, analisá-lo criticamente, posicionar-se diante da notícia como um elemento activo e interventivo de uma comunidade de interpretação, que concorre para a construção, e não reprodução, da realidade noticiosa. Porque a notícia constitui sempre uma janela que se abre para o mundo. Quem abre essa janela é o espectador, o ouvinte, o leitor. Mas quem desenha a paisagem, quem conta a história, a sua origem, as suas consequências, quem atribui um papel às personagens é, efectivamente, o jornalista. O jornalista tem esse poder, define-se como um encenador do real. Abre e fecha a cortina da notícia. Discerne se o argumento é trágico ou cómico. Conhece os bastidores a fundo, participa neles. E, montado o palco, enceta a representação da realidade. A única objectividade no jornalismo é, passo a redundância, o próprio objecto. Tudo o resto, todos os ‘intérpretes’ que perscrutam de diferentes ângulos o mesmo objecto, possui uma qualidade subjectiva. O objecto é estático, o jornalista movimenta-se em diferentes perspectivas, à procura de um plano, de uma superfície ainda não visualizada. Implementa-se a dúvida: é o objecto que é olhado pelo jornalista, é o jornalista que é chamado pelo objecto? Quem é o perseguido, quem é o perseguidor? Parece-me que o jornalista, se bem que por vezes irracionalmente, acaba por vestir essas duas máscaras: pergunta e responde, procura e encontra. E, mesmo assim, não deixa de ser o arquitecto de uma realidade que se constrói, e que só é noticiada porque ainda não existe, ainda não foi publicitada. A capacidade do jornalista está em vitalizar o desconhecido, o facto não vislumbrado, e trazê-lo para a arena da esfera pública que, qual juiz inflexível, decide da sua vida ou da sua morte. O jornalista é, por isso, o encenador das peças que ainda não foram levadas à cena da vida real, social, política, cultural. E se a peça não frutificar, lá está o público, como um algoz, pronto a guilhotinar a história, remetendo-a para o caixote do lixo das narrativas, o palimpsesto, comummente aceite como arquivo, à espera que outro jornalista benévolo venha em seu auxílio, projectando-a novamente para o palco, a realidade em construção. Mas chega de reflexão. Adiante. Um outro exemplo, também em directo, que envolve o mesmo jornalista e, de alguma forma, a mesma temática, se bem que assumindo contornos distintos. A utilização de declarações registadas em off-the-record já não se discute neste contexto, mas todavia continua a subsistir o tratamento de questões fracturantes, caras ao jornalismo. Em estúdio é entrevistado o apoiante do senador Rick Santorum, candidato às presidenciais norte-americanas, conservador, adverso ao casamento homossexual e ao aborto. O apoiante do senador é um homem negro e homossexual. Percebem-se, desde logo, as questões ‘delicadas’ que estão em cima da mesa jornalística. O jornalista-pivot começa por interpelar o apoiante, recorrendo às próprias palavras de Santorum sobre a ameaça representada pela progressiva legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. De alguma forma, o entrevistado vai esquivando-se às perguntas feitas, limitando-se a repetir que o senador é um grande homem e que merece ser presidente dos Estados Unidos. Rapidamente a torrente de questões disparadas pelo jornalista redundam em ataques de retórica inusitada, balas de fogo transformadas em afirmações corrosivas, autênticas ignomínias em forma de preconceito. O jornalista atenta contra a dignidade pessoal do entrevistado, despeita-o indecorosamente, humilha-o publicamente, desconsidera-o pela sua homossexualidade, pela sua negritude. Até que o entrevistado, num verdadeiro grito de revolta contra o ataque de afirmações e deduções preconceituosas de que foi objecto, decide dar uma verdadeira lição de moral ao jornalista, relembrando-lhe o seu papel, discorrendo um discurso apaixonado e patético. É óbvio que a função jornalística foi totalmente subvertida, sobretudo do ponto de vista ético. Uma coisa é investir numa estratégia mais ofensiva para com o entrevistado, nos casos em que este tende a fugir às questões colocadas. Outra coisa, absolutamente despropositada, tem que ver com as convicções pessoais que o jornalista adopta e como estas condicionam o comportamento do entrevistado. Mais uma vez nos deparamos com a mesma problemática: a subjectividade, mascarada de juízo de valor, emerge e destrona a objectividade; a emoção individual insurge-se contra a racionalidade matemática do facto em questão. Porém o jornalista não é uma máquina, comete erros, abusa da liberdade concedida, ultrapassa a esfera da normatividade ética, rompe com a sua própria natureza de simples mediador inocente da informação. O jornalista está sempre entre esta dupla condição ‘existencial’: persegue e é perseguido, olha e é olhado, reproduz e interpreta, forma e informa, é objectivo e subjectivo. No meio de tantas dialécticas, contudo, o papel do jornalista é decisivo neste sentido, no de contribuir para o funcionamento de uma democracia saudável e dialogante, crítica e esclarecida. Porque uma democracia só se consolida se houver alguém que a questione permanentemente.                     

 

Joaquim Pinto

publicado por joaquimpinto às 01:41

Broadcast News é um filme de comédia/drama romântico, realizado em 1987 por James.L.Brooks. É um filme que retrata a história de um canal noticioso dos EUA.

O filme gira em torno de três jornalistas, Jane Craig, Tom Grunick e Aaron Altman, mostra-nos tudo o que se pode viver no mundo do jornalismo televisivo.

Brooks inicia a sua narrativa, apresentando-nos os três personagens principais ainda na sua infância/adolescência.

Kansas City, 1963 – Tom, desabafa com o pai o pouco rendimento escolar que teve naquele semestre, no entanto é apresentado como futuro pivot do canal noticioso.

Boston, 1965 – Aaron, como orador da turma faz o seu discurso de final de ano, mostrando o quão brilhante é como aluno, e é apresentado como futuro repórter do referido canal de televisão.

Atlanta, 1968 – Jane está a escrever uma carta para uma amiga na máquina de escrever e mostra o seu domínio de vocabulário e inteligência, é apresentada como futura produtora/editora do canal de televisão.

O que nos leva a pensar que para exercer qualquer profissão temos que nos empenhar, desde muito cedo.

Jane é uma produtora/editora dedicada à profissão com os seus valores éticos bem definidos, evitando qualquer tipo de sensacionalismo nas suas peças.

Aaron é um repórter exímio, esforçado, com boas fontes e um portefólio invejável. Um jornalista atento, eficaz, com valores profissionais bem assentes.

Já Tom é-nos apresentado como uma personagem que conseguiu chegar ao topo, passando pelos “pingos da chuva”. Recorre ao sensacionalismo, às emoções para atrair audiências.

 Estas personagens mostram ao longo do filme, o trabalho árduo, a dedicação e todo o stress envolvente na redação de um jornal.

O filme descreve como funciona um jornal de televisão, mostrando todo o trabalho que existe antes das notícias serem lançadas para o ar.  Por exemplo, quando Aaron e Jane estão na América Central, a cobrir um cenário de guerra e o cameramen pede a um dos soldados para repetir o movimento/a ação que fez anteriormente e que ele não conseguiu filmar, Jane intervém, pois como profissional de jornalismo defende que as notícias têm que ser o mais naturais possíveis, e que se o soldado repetisse a ação ia-se tonar artificial/forçado.

No mesmo local vemos Aaron que com todo o seu profissionalismo, relata o tiroteio com o objetivo de o telespectador ao ver a notícia consiga captar todas as emoções que se sente quando se está debaixo de fogo.

A peça é um sucesso e os dois jornalistas são reconhecidos pelo ótimo trabalho que realizaram.

Também foca o tema das deadlines. Onde Jane e Aaron dão os últimos toques a uma reportagem quando faltam apenas 80 segundos para esta ir para o ar.

Retratando assim todas as emoções que se vivem na redação de um jornal quando o fator tempo é fulcral e acontece algum imprevisto.

Outro tema que o filme aborda é a peça que Tom realiza sobre mulheres vítimas de violação no 1º encontro. Numa entrevista onde a vítima conta o que lhe aconteceu, Tom finge uma lágrima, para assim dar mais emoção, sensibilizar o telespectador e assim obter um grande número de audiências.

O filme também salienta o facto de que nem todos os jornalistas, por muito bons que sejam, podem ser bons pivots. É o caso de Aaron que apesar do seu excelente portfólio e o seu domínio das notícias, quando vê a sua carreira ameaçada e se oferece para apresentar o jornal ao sábado à noite, não lida bem com a pressão do momento e passa todo o jornal a suar, bastante nervoso.

Já Tom apesar de não possuir um talento natural para a profissão que exerce, é um ótimo apresentador. E os dois chegam-se a completar quando surgem notícias de última hora. Aaron enquanto Tom apresenta o jornal vai-lhe fornecendo dados importantes sobre o acontecimento, de forma a completar a peça.

Broadcast News é um filme que retrata a realidade da profissão de jornalismo, abordando vários pontos, sejam valores éticos, princípios, competência profissional, trabalho em equipa e até competição dentro da redação de um jornal.

No entanto, cabe ao jornalistas serem fiéis ao seu público, sejam eles ouvintes, telespectadores ou leitores, mostrando sempre a realidade.

 

Sara Gomes

publicado por saragomes às 01:01

17
Abr 13


A série norte-americana "The Newsroom", escrita por Aaron Sorkin, retrata acontecimentos diários de uma redação de um jornal de noticias. A série mostra os bastidores do programa "News Night" e os problemas com que os jornalistas se deparam na sua profissão.

 

No 6º episódio da primeira temporada, podemos refletir sobre importantes aspetos do foro jornalístico. A questão da Ética e Deontologia, mais concretamente a importância das fontes e confidencialidade; o impacto das novas formas de comunicação no jornalismo; e a hierarquia organizacional da redação são muito bem analisados, retratam o quotidiano dos jornalistas e toda a pressão que envolve a profissão. Neste espisódio ocorrem determinadas situações que refletem bem a vida de jornalista.

 

No Jornalismo, o surgimento de novas formas de comunicação revela-se de fato uma mais valia no sentido que democratiza a informação, no entanto, pode tornar-se prejudicial. Todos ganham voz com as novas plataformas, a informação circula a uma velocidade vertiginosa e isso acarreta consequências. A cena em que Will McAvoy fica aborrecido pelos comentários no website é um exemplo disso mesmo. Faz-nos questionar sobre o fim do jornalista como gatekeeper. Será que o filtro noticioso está em risco quando se torna acessível às audiências? O jornalista perdeu o monópolio do jogo informativo, deve haver uma adaptação ao ambiente de Internet. A ameaça de morte a Will é também um exemplo, mais potenciado, de como a informação disponível a qualquer pessoa pode ser perigosa.

 

Constatei a importância das relações que se estabelecem dentro da redação e a sua hierarquia. Para além da relação de camaradagem e união, verifica-se outro tipo de relações que influenciam a forma como cada jornalista desempenha o seu papel. Sloan, desenvolve uma espécie de admiração por Will, este experiente jornalista tenta orientar e motivar a novata mas acaba por influênciar as suas atitudes.

 

Há em todo o episódio uma constante pressão, caraterístico do trabalho, cabe ao jornalista gerir da melhor forma as situações problemáticas e não deixar-se afetar por elas. Exercício que se pode revelar difícil, como acabamos por perceber pela aparente tranquilidade de Will.

 

A importância das fontes e o respeito pela confidencialidade é outra questão relevante. Por vezes, o jornalista depara-se com situações delicadas relacionadas com informações dadas "of the record". As informações confidenciais não podem ser tornadas públicas pois não podem ser sustentadas. Segundo o Código Deontológico, o jornalista não deve revelar as suas fontes nem desrespeitar os compromissos assumidos. Na série, Sloan é confrontada com uma situação semelhante. A jornalista obteve, através de uma fonte, informação comprometedora e dada não oficialmente. Sloan precipitou-se, tornou essa informação pública, acabando por expor a sua fonte e afetando a sua credebilidade enquanto jornalista.

A "garota", acaba por ser repreendida pelo seu chefe, Charlie, chega mesmo a ser suspensa dada a gravidade da situação. De fato, agir de forma intempestiva e independente, pode trazer consequências graves. A responsabilidade do jornalista é muito grande, não há lugar para erros, toda a informação tem de ser fundamentada pois repercute-se em pessoas.

 

No fim, Sloan é pressionada a mentir para redimir a asneira e salvar o emprego da fonte. Esta é também uma situação complexa, pois o jornalista deve relatar com rigor e exatidão os fatos, no entanto, foi esse o preço a pagar pelo erro cometido.



Trabalho realizado por: Alexandra Alves


publicado por xanaalves às 23:27

O verdadeiro jornalismo investigativo, sem cunho sensacionalista, deveria ser devidamente valorizado, pois quem sairia a ganhar era o cidadão pelo qual os meios de comunicação deveriam estar, constantemente, em guerra. Seria uma luta pela verdade pela justiça e pela democracia.

Esta é uma das grandes temáticas que eu considero presentes no filme para mim selecionado, Broadcast News. Subjacentes a esta, encontramos a ética como barreira entre profissionalismo e amizade, o interesse público, os valores-notícia ou a procura de objetividade e veracidade dos factos.

 

O jornalismo já deu ao cinema vários e grandes filmes e, em todos os géneros, até na comédia.

Broadcast News é um filme de 1987 produzido e dirigido por James L.Brook.

Segundo alguns críticos, Brook não só conseguiu vários prémios com este filme, numa época em que os meios de produção eram escassos, como também conseguiu ser realista e direto.

O filme pode ser visto como uma suave e divertida comédia romântica pelo tom divertido que predomina ao longo do filme, mas “quem quiser vê-lo como uma séria discussão sobre princípios, sobre ética no jornalismo, terá todos os elementos para isso”.

O tema é sério: princípios e valores éticos, ambição, a realização e frustração profissional, o trabalho em equipa e a competição dentro da equipa.


Nos Bastidores da Notícia mostra-nos o mundo competitivo dos bastidores da Washington Network, habitado por jornalistas ambiciosos e prontos para tudo.

No departamento jornalístico desta emissora estabelece-se de imediato um triângulo jornalístico-amoroso, cujos vértices são: Jane, uma competentíssima produtora, Aaron um repórter brilhante, produtor de conteúdos informativos para telejornal e, finalmente, Tom, atraente e fotogénico, mas que não passa disso.

Ambos, Aaron e Tom, vão disputar Jane. Esta, que a princípio manifesta desagrado pelo tipo de trabalho produzido por Tom (este conhece técnicas e truques de postura televisiva a ponto de conseguir recriar sentimentos; graças aos seus dotes físicos atinge sucesso como pivot), acaba por se apaixonar por ele e por ajudá-lo a atingir o sucesso televisivo.

Boadcast News evidencia a questão da televisão privilegiar a imagem em prol da transmissão séria e neutra da informação, isto é, privilegia o estilo em lugar do conteúdo. Tom representa o tipo de apresentador de televisão de “notícias de entretenimento” que Jane despreza. Ele encena as suas reportagens, recorrendo à emotividade e não à espontaneidade. Não é sincero na apresentação do seu trabalho e acaba por infringir a ética profissional. Exemplo disso, é a gravação de uma reportagem acerca da violência nas relações amorosas efetuada por Tom, em que este puxa a lágrima e encena totalmente uma expressão de pesar, já depois da gravação e do relato da vítima terem sido gravados.

Tom consegue alcançar êxito como pivot do telejornal e como repórter, não graças às suas competências intelectuais, mas sim à sua vocação para a representação. É um bom ator que consegue convencer o seu público através da emotividade, da representação de sentimentos que parecem naturais e sinceros.

Jane é sensível e admite perante Tom que lhe agrada numa reportagem o estilo emotivo, mas essa emoção tem de surgir naturalmente, não pode ser forçada nem ensaiada. Para ela uma reportagem tem que transmitir a realidade dos factos e tem de ser natural. O repórter não deve influenciar ou modificar a realidade que pretende transmitir ao público.

Jane, além da eficiência e da celeridade, procura ser isenta e imparcial no trabalho que faz. Estas características conferem-lhe o estatuto de boa profissional e a promoção no meio televisivo onde trabalha.

Tom alcança, igualmente, estes valores mas através do caminho oposto. A sua eficiência é obtida através da encenação e da representação, do artifício. O seu mérito não provém nem da inteligência nem da sinceridade, mas sim da sua apresentação física e da sua capacidade para ludibriar os telespectadores.

Ambos alcançam êxito profissional através de caminhos diferentes. Tom mais ligado à representação dos factos e Jane mais ligada à apresentação dos factos.

Apesar das visíveis diferenças entre Jane e Tom, a determinada altura ela acaba por se apaixonar por ele e essa paixão ser tornar correspondida. Mas as diferenças acabam por ser tão acentuadas que não conseguem deixar de interferir na relação e de ser o mote da separação deles. Jane passa a desconfiar dos verdadeiros sentimentos e intenções de Tom em relação a ela e aos outros, à sua prestação profissional.

 

Mais importante do que saber por quem bateria o coração da irreverente, independente e criativa Jane (embora com momentos de fraqueza em relação à sua vida pessoal), para James Brook é a questão dos princípios.

Como vimos, o realizador não opta pela saída mais simples e mais óbvia. Verifica-se uma divisão clara entre o jornalismo sério e o jornalismo sensacionalista.

Sobre este tema gostaria de citar as seguintes palavras de Marcondes Filho, “No fundo a imprensa sensacional trabalha com as emoções, da mesma forma que os regimes totalitários trabalham com o fanatismo, também de natureza puramente emocional… As notícias assim apresentadas transformam os fatos sociais em diversão … Buscam puramente o esvaziamento da crítica do jornalismo. Com eles, realiza-se o ato de omitir mostrando, de preencher o tempo com nada, de concretizar o esvaziamento cultural”.

Bourdieu sobre este assunto refere: “… o tempo é algo raro na televisão e se minutos tão preciosos são empregues para dizer coisas tão fúteis, é que essas coisas tão fúteis são, de facto, muito importantes na medida em que ocultam coisa preciosas”.

 

Podemos afirmar que em Broadcast News é motivo de reflexão a questão da separação entre o que é news, notícia séria, e o que é infotainment, mistura de informação com entretenimento.

Esta temática pode ser comprovada através de duas passagens do filme: o momento em que Jane impede que o cinegrafista (na América Central, na cobertura da guerrilha entre sandinistas e “contras”) desse ordens a um guerrilheiro para calçar uma bota para que ele pudesse filmar a cena. Para Jane este gesto seria uma mentira.

Também, Aaron critica Tom num diálogo com Jane, acusando-o de espetacularização e sensacionalismo na sua forma de fazer jornalismo e na forma como atua perante as câmaras.

 

Hoje, no mundo inteiro a informação é constante e veloz. Com o avanço tecnológico, as notícias chegam às pessoas quase instantaneamente. E uma vez introduzida a notícia na agenda noticiosa do dia, a televisão tem a capacidade de dar conta, em direto, de todos os desenvolvimentos que subsequentes, criando pelas imagens um forte efeito de presença, na consciência dos destinatários que não é comparável a nenhum outro meio noticioso. O jornalismo moderno deixa muito a desejar, provocando o despreendimento. A perceção e a reflexão, antes indispensáveis, deixam de ser importantes nesta vertigem do direto juntamente com a voragem de captar audiências. O que importa nesta era capitalista é lucrar.


Broadcast News transmite o ambiente que se vive numa estação televisiva e também mostra a que tipo de remodelações pode estar sujeita uma empresa deste género. A determinada altura, a empresa onde trabalham as três personagens principais sofre uma transformação e muitos dos seus colaboradores são despedidos. Jane e Tom fazem parte do grupo das poucas pessoas que acabam por sair beneficiadas com a mudança. Estes dois são promovidos. Aaron não teve tanta sorte quanto os outros dois. Apesar de não ter sido dispensado foi despromovido. Foi-lhe proposto trabalhar mais por menos dinheiro.

Para além das relações amorosas e profissionais, das aptidões pessoais e profissionais das personagens e o jornalismo das hard news/sensacionalismo, o filme foca ainda as estratégias empresariais que ocorrem, também , no setor da televisão.

Para a correta prática do jornalismo, todos os jornalistas devem ter consciência que é necessário exercer a profissão de forma ética e deontológica.‘’O jornalista deve relatar os factos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade…o jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e atos profissionais, assim como promover a pronta retificação das informações que se revelem inexatas ou falsas…’’

Tom enquanto entrevistava a mulher vítima de violações, tinha uma só câmara direcionada para ela. No decorrer da conversa acharam conveniente ele ter lágrimas nos olhos e Tom, num ato de interesse, com a câmara a filmá-lo simula que chora, desrespeitando a profissão, os valores que se impõem e a confiança dos espectadores.

Mais tarde, quando confrontando com a verdade, Jane alerta-o que pode ser despedido por atitudes como aquelas ao que ele argumenta que foi promovido por momentos como aquele.

 

Este filme demonstra, também um lado do jornalismo muito bem desenvolvido, que é a luta que existe entre o sensacionalismo e a busca da total verdade de um acontecimento, isto é, o jornalismo de investigação.

O realizador fez questão de valorizar e relembrar à sociedade da verdadeira e antiga definição do jornalismo, juntamente com o papel árduo e corajoso do jornalista. Fez também sobressair o sentido de oportunidade que o jornalista pode vir a ter, se tiver coragem de arriscar. Mas o principal ponto de atenção é o conceito de jornalismo de investigação, onde o jornalista procura mostrar à sociedade todos os elementos verdadeiros de um acontecimento, apoiando-se a 100% nas fontes e na relação que mantém com elas.

Este filme apresenta-nos fenómenos clássico do jornalismo como as relações de desconfiança entre profissionais, mas também de solidariedade e de corporativismo.

Os princípios éticos são fundamentais para nortear as ações das pessoas num mundo que se pretende justo e pacífico.

Estes princípios e práticas estão “esquecidos” nos dias atuais. Este é o momento propício para se debater a favor da ética. Não se trata de uma questão de moral nem restrita à educação. A ética está acima da moralidade, é um valor inerente aos direitos e deveres dos cidadãos. Um valor não nasce por geração espontânea, como dizia Aristóteles, adquirimo-lo por exercício.

 

Em tempo de democracia a comunicação tem um papel determinante: é ela que permite ao jornalismo ser o que é hoje, uma vez que a liberdade de expressão é um direito e uma garantia que nos assiste.

São discerníveis dois caminhos: o do bom jornalismo, comprometido com a verdade, e o do jornalismo sensacionalista, comprometido apenas com a captação de audiências, o que faz à custa da comoção emocional exagerada e que opera de forma manipuladora.

Se o jornalismo sensacionalista está presente nos meios de comunicação é porque há telespectadores para esse tipo de jornalismos…

 

 

Trabalho realizado por : Maria João Domingues

 

 

publicado por mariajoaodominguesblog às 23:03

Resumo da Série Newsroom

 

The Newsroom é uma série de televisão norte-americana que retracta os bastidores de um canal de notícias fictício exibido pela emissora de Cabo Atlantis Cable News (ACN).

A série criada por Aaron Sorkin e exibida pela HBO centra-se essencialmente no trabalho jornalístico e na produção de um telejornal: o News Night. Will McAvoy jornalista já experiente era a priori o comando de um programa jornalístico bem-sucedido. Porém quando regressa de férias vê esta realidade alterada. Assim, Charlie Skinner (Sam Waterston), chefe de Will, decide formar uma nova equipa elegendo MacKenzie McHale (Emily Mortimer) como produtora executiva.

A restante equipa é formada pelos seguintes membros: Maggie Jordan (Alison Pill),produtora, Jim Harper (John Gallagher, Jr.), assistente de Mackenzie, Steve (Josh Pence), um dos produtores, Sloan Sabbith (Olivia Munn),analista económica, Thomas Sadoski como Don Keefer, ex-produtor do programa de Will e por último, Dev Patel no papel de Neal Sampat.

Esta é uma séria que mostra o quotidiano dos jornalistas e de um canal de televisão incluindo os problemas pessoais e profissionais, as inquietações o “stress” e todo o frenesim que isso acarreta na vida real.

The Newsroom invoca nestes 10 episódios da 1ª temporada temáticas bastante interessantes como é o caso do  vazamento de petróleo no Golfo do México, os problemas do governo Obama, a explosão da Primavera Árabe, Crise Europeia e o assassinato do maior inimigo americano, Osama Bin Laden.

A narrativa do 6º episódio é contada por flashbacks que nos mostram a visão de Wiil relativa a alguns acontecimentos nos quais perdeu o controlo. O próprio pivô narra os flashes de personalidade.


Sexto Episódio – Olhar jornalístico


O 6º Episódio do The Newsroom, Bullies, retrata aspectos que, do ponto de vista jornalístico, são bastante interessantes.

Inicialmente observa-se na série, a imagem de um jornalista experiente e com uma postura incontornável nesta área, Will. No entanto, o cansaço da vida pessoal de Will atrapalha-o também na vida profissional. Com isto quero dizer que, qualquer ser humano tem o direito de errar, mas uma carreira sólida e de sucesso como é o caso do Will pode ser posta em causa devido a um erro que, aparentemente parece pequeno mas, na verdade tem bastantes consequências quer para o jornalista quer para o Jornal. O papel da produtora executiva interpretado por Mckenzie foi, na minha opinião muito bem representando, dando uma imagem de preocupação com a pessoa em si (Will) mas ao mesmo tempo repreendendo o profissional e responsabilizando-o pela sua falha. Analisando sequencialmente, quando o pivô lê os comentários enviados pelos telespectadores fica bastante desagradado principalmente por serem comentários minuciosos de pessoas não identificadas. A atitude e o próprio diálogo do pivô alteram-se. Depreendo deste exemplo o facto de, “ para haver uma boa comunicação é necessário que haja feedback”.

Will é também a imagem de uma figura pública que para além disso trata/aborda assuntos polémicos. O pivô, como se vê na série, é ameaçado de morte e a asseguradora fornece um segurança para proteger Will. Estes tipos de situações são iminentes a qualquer profissional. O papel do jornalista é exactamente tornar público toda a informação que é relevante, pondo muitas vezes em jogo a sua própria segurança. No caso de Will é um pouco diferente porque o pivô não se limita a apresentar factos mas a opinar sobre o tema em questão o que torna a situação ainda mais complicada para o lado do pivô.

Esta questão da segurança do jornalista e dos comentários que são publicados nos sites dos jornais ou dos próprios jornalistas são também uma abordagem e um conceito que se tem vindo a difundir. Dia após-dia são cada vez mais as pessoas a aderirem às redes sociais e a todo o universo internauta. Isto significa que as pessoas acompanham a “par e passo” toda a informação que é constantemente actualizada nos sites e tornam-se comentadores dessa mesma informação. Quer isto dizer que, está ao dispor de qualquer pessoa opinar, opor-se, defender, contradizer, elogiar a informação do jornalista através do comentário. Esta intervenção do público pode, por um lado, ser vantajosa, criando interacção no site, como, por outro lado, sujeitar o jornalista a “apreciações menos agradáveis”, como foi o caso da ameaça sofrida por Will.

A personagem Sloan interpretada por Olivia Munn remete também para uma situação muito cursiosa que tem que ver com as informações dadas em “off the record”. Sloan teve acesso, através de uma fonte conhecida, a dados relativos aos reactores do japão, no entanto, esta informação não foi transmitida oficialmente o que significa que, a jornalista não poderia torna-la pública uma vez que não tinha forma de a sustentar. Para além disso a jornalista não seguiu o alinhamento previsto, tomou uma atitude de independência face à equipa e ultrapassou a tradutora questionando directamente o entrevistado japonês.

A atitude de Sloan pôs em causa o trabalho de jornalista naquele canal e a jornalista sofreu várias consequências. Em dez segundos após terminar o programa, Charlie, o chefe, procurou Sloan e reprendeu-a em frente a toda a redacção afirmando que a jornalista deturpou a informação e partilhou dados sem ter provas do que estava a dizer.

Como forma de honrar e limpar o nome do jornal e da própria jornalista, Sloan teve de mentir num noticiário, desmentir a informação dada e desculpar-se, criticando a sua própria inteligência e eficiência.

A observação de situações semelhantes às visualizadas na série (jornalismo) podem ser o ponto de partida para um momento de reflexão e até questionamentos éticos e deontológicos como retractei ao longo deste trabalho.


Trabalho realizado por: Marta Sobral


 

publicado por On-and-off às 20:09

Realizado em 1987 por James L.Brook, Broadcast News é um filme que retrata, essencialmente, a história de um canal noticioso da América. Centrado em três jornalistas distintos, Jane Craig, Aaron Altman e Tom Grunick, a longa-metragem mostra, não só as valências que a profissão de jornalista acarreta, mas também todas as dificuldades e problemas que esta pode gerar.

Com um início que nos leva a passear pela infância das três personagens principais, é de notar que, de uma maneira geral, os projectos de vida que idealizamos para nós, seja no jornalismo, medicina ou engenharia, requerem uma dedicação e trabalho constante. Tom, que no início desabafa com o pai por não ter o melhor rendimento escolar, acabava o filme como o pivot principal do referido canal de televisão. Por seu turno, Jane e Aaron, que são os melhores amigos ao longo de todo o filme, desde cedo perceberam que a sua vida acabaria por girar à volta da comunicação, do jornalismo.

 

 

 

Passando ao lado da parte poética e romântica do filme, o triângulo amoroso composto por estas três personagens, o ponto fulcral da narrativa assenta no espaço em que decorre. A redacção de um jornal é, por si só, um lugar de muitas emoções. Jane é uma produtora dedicada, apaixonada pela profissão e com uns valores bem assentes. Repudia qualquer tipo de sensacionalismo e defende que as notícias devem ser isso mesmo, notícias, naturais e espontâneas. No seguimento, Aaron é um repórter de renome, com bastantes trabalhos em carteira. Um jornalista puro, conhecedor de toda a realidade que o rodeia. Em contraponto existe Tom, sem a vocação inata para profissão, batalhou para chegar às redacções. Contudo, tem uma perspectiva diferente dos colegas: recorre às emoções para atrair o público e as audiências.

Numa análise à profissão propriamente dita, o filme ilustra o funcionamento do canal de televisão, desde o trabalho de campo até as notícias irem para o ar. É de notar a opção profissional de Jane que, em cenário de guerra, não quer que os movimentos dos militares sejam artificiais, produzidos. Prefere – e, a meu ver, com toda a legitimidade – que o operador de câmara esteja atento constantemente, sob forma de captar todos os movimentos que possam ser importantes para a peça. Do outro lado da “barricada” surge Aaron que, numa situação de “vida ou morte”, possui a naturalidade e profissionalismo necessário para narrar a história do tiroteio, com o objectivo de o espectador se sentir no local em que a peça foi gravada. A “estória” acabara por ser um sucesso, e os dois jornalistas seriam, merecidamente, reconhecidos pelo trabalho feito.

Já dentro da redacção, na régie, o tema das deadlines está, também ele, muito bem representado. Jane e Aaron, mais uma vez, fazem um trabalho jornalístico de valor: rápidos, concisos, e de qualidade, limam as últimas arestas de uma reportagem quando faltavam apenas 80 segundos para esta ir para o ar. Esta sequência retrata, de uma forma quase perfeita, as emoções que se sentem numa redacção quando surge algum imprevisto.

 

Outro teor do jornalismo patente na longa-metragem é a de que, em caso algum, um jornalista pode “ser bom em tudo”. A certa altura, Aaron sabe que tem o seu lugar em risco. Com o objectivo de subir alguns degraus na escada de valores da empresa, oferece-se para apresentar o jornal da noite de sábado. Um grande jornalista não é, sempre, um grande pivot. Aaron é um jornalista com anos de profissão e com trabalhos em algumas áreas perigosas, como cenários de guerra, mas, no entanto, não lidou bem com a pressão de ser um pivot e passou todo a jornal a suar, com nervos. No reverso da medalha está Tom, que apesar de não ser um repórter exímio, até intelectualmente “incapaz”, é um excelente apresentador. Contudo, os dois complementam-se quando surge uma notícia de última hora. Tom fica responsável por apresenta-la enquanto Aaron está em casa. Apesar disso, todo a informação completar da peça chega ao pivot através de Aaron que, em casa, liga para a redacção com dados importantes sobre o acontecimento.

De todos os pontos do jornalismo que o filme aborda, o mais importante é, para mim, a reportagem que Tom elabora sobre as mulheres, vítimas de violência, após o primeiro encontro. Numa entrevista feita unicamente com uma câmara, aquando da mudança de planos para “compor” a peça, Tom finge uma lágrima. O objectivo, esse, estava claro: dar mais emoção à reportagem e sensibilizar o público. No entanto, tais acções são, a meu ver, incorrectas no cumprimento da profissão. Um jornalista deve ser, acima de tudo, eticamente correcto e verdadeiro. A sua função é, grosso modo, mostrar a realidade ao público, sejam eles leitores, ouvintes ou telespectadores.

De uma maneira geral, Broadcast News é um filme que ilustra, de alguma maneira, a realidade da profissão de jornalismo. Os dramas profissionais são constantes e estão “ao virar da esquina”. Cabe aos jornalistas serem ágeis o suficiente para contorna-los, sem nunca por em causa o seu profissionalismo.

 

imagens retiradas do google images

publicado por Luís Miguel Costa às 18:38

Realizado por Kevin Macdonald, o filme «State of Play» é baseado numa série política transmitida pela BBC. De facto, o filme aborda as questões e as conspirações patentes na política que rege a actual sociedade.

O filme baseia-se, principalmente, no desvendar de um caso. Serão dois jornalistas do Washington Globe que irão desvendá-lo, através da investigação. No entanto, estes jornalistas apresentam características divergentes. Cal McAffrey, protagonizado por Russel Crowe, é um jornalista veterano e Della Frye, Rachel McAdams, uma ambiciosa jornalista conseguirão reunir todas as provas, através de telefonemas, gravações e entrevistas, para resolver o caso.

A partir da análise do filme, o espectador será confrontada com outras temáticas, tais como a ética jornalística e, também, a dualidade entre o jornalismo tradicional e o ciberjornalismo.

 

 

 

 

 

Numa noite, em Washington, ocorre a perseguição e homicídio de um jovem drogado. Na manhã seguinte, o congressista Stephen Collins (Ben Affleck), responsável pela comissão de investigação às actividades de uma empresa de segurança privada em cenários de guerra, é informado do suicídio da assistente. Se, aparentemente, estes acontecimentos parecem não estar ligados, uma averiguação jornalística vai revelar indícios que aliam estas mortes a uma grande conspiração política. Num jornal dirigido por uma impaciente editora, a investigação do caso desencadeia-se quando Cal McAffrey (Russel Crowe), um jornalista reconhecido e experiente, une forças a Della Frye (Rachel McAdams), jornalista ‘novata’ e ambiciosa, no sentido de perseguir esta história.

 

O fio condutor de “Ligações Perigosas” traduz-se no confronto de sensibilidades jornalísticas e estilos geracionais entre Cal e Della. A ingénua e inexperiente jornalista depara-se com rotinas e práticas jornalísticas desconhecidas, considerando algumas até incorretas e ilegais. Por outro lado, Cal desconfia das capacidades jornalísticas de Della, mas sobretudo dos novos meios digitais que ela domina. A frase “tem garra, é barata e produz textos de hora em hora”, dita pela editora do jornal sobre Della, resume a inaptidão de Cal face às necessidades de um novo contexto de organização das empresas jornalísticas. A redacção é aqui um lugar de gestão de forças, baseada em relações, por vezes conflituais, entre os jornalistas, os jornalistas e os editores e a redacção e a organização económica do jornal. Havendo, assim, um debate constante sobre as pressões exteriores, a ética e a moral do jornalismo.

O filme retrata o processo que leva à legitimação de um jornalista jovem. A última cena do filme é representativa disso: Cal sai da redacção, mas ao contrário da cena inicial, desta vez não vai sozinho. Della corre ao seu encontro e acompanha-o na saída. O passado e o presente, do jornalismo, juntos.

 

O filme aborda a questão do agenda-setting. Teoria formulada por Donald Shaw e Maxwell McCombs defende que o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, tendo em conta a acção dos Média. Logo, a sociedade tem tendência a excluir ou a incluir nos seus conhecimentos aquilo que os mass media excluem ou incluem no seu conteúdo. (Teorias da Comunicação, Mauro Wolf, 1992). Na verdade, a partir do momento que Stephen Collins chora diante das objectivas das câmaras, todos os canais televisivos transmitem o mesmo assunto, acabando por originar uma rotina. Porém, «a hipótese do agenda-setting não defende que os mass media pretendam persuadir» (Teorias da Comunicação, Mauro Wolf, 1992). Esta apresenta, ao público, uma lista daquilo que é necessário possuir uma opinião. Tal como Cohen revela, a imprensa tem capacidade de dizer aos seus leitores sobre que temáticas devem pensar. Portanto, logo que os meios de comunicação se debruçaram no suposto caso entre Stephen Collins e Sónia Baker, a sociedade foi, consequentemente, «empurrada» para este assunto, comentando-o. Assim, percebe-se que os indivíduos “vivem” em função das matérias abordadas pelos mass media, apresentando uma crescente dependência dos mesmos (Teorias da Comunicação, Mauro Wolf, 1992).

 A hipótese do agenda-setting é um efeito provocado pelos Média na sociedade, onde se gera, na imprensa, um agendamento, ou seja, uma seleção de factos que, mais tarde, irão ser noticiados. Assim, percebe-se que os profissionais jornalísticos assumem o papel de gatekeepers da informação. Na verdade, o fenómeno do gatekeeper é uma das teorias que explicam o jornalismo. Os gatekeepers são indivíduos que têm «o poder de decidir passar informação ou a bloqueá-la», tal como afirma Kurt Lewin, estudioso do gatekeeping em 1947.

 

Tal como é visível em certas partes do filme em análise existe, de facto, uma dualidade entre o jornalismo tradicional e o ciberjornalismo, ou seja, o jornalismo online. Na verdade, este confronto é levado ao cabo pelas personagens Cal McAffrey, jornalista do Washington Globe e Della Frye, uma estagiária do jornal onde Cal trabalha e que exerce jornalismo através do jornal em formato online. A certa altura, ambas as personagens confrontam, exactamente, a maneira divergente como ambos exercem a sua profissão.

A Internet é apresentada como «uma tecnologia que, acima de tudo, se destina a permitir ao utilizador o acesso à informação» (Para uma sociologia do Ciberespaço, Gustavo Cardoso, 1998). Desta forma, importa revelar que o ciberjornalismo é o jornalismo praticado através da Internet, o novo meio de comunicação da actualidade. Deste modo, o jornalismo exercido através deste novo meio de comunicação deve recorrer a técnicas que divergem do jornalismo tradicional, tais como a interatividade entre informações de sites diferentes. Além do mais, há uma permanente discussão sobre a utilização da técnica da pirâmide invertida no ciberjornalismo.

 

Questões sobre a ética no jornalismo também estão presentes no filme «State of Play  – Ligações Perigosas». Uma editora ambiciosa, um jornalista veterano que, a certa altura, percebe que a sua amizade por um político está a colocar o desvendar do caso em causa, não conseguindo ser isento e, por último, uma jornalista estagiária. Por ética jornalística entende-se o conjunto de normas e regras, pelas quais se regem os jornalistas. Na verdade, a acção de comunicar através da escrita realizou-se, durante muito tempo, com liberdade de expressão, podendo a imprensa orgulhar-se de a ter conquistado. Todavia, com o aparecimento da produção em massa, da verdadeira indústria da imprensa com a publicidade a fazer parte do conteúdo do jornal foi necessário o levantamento de novas interrogações. De facto, seria necessária a criação de normas éticas e códigos deontológicos, através dos quais os profissionais jornalísticos se pudessem reger.Além disso, o jornalista deve obedecer a certos princípios para elaborar um trabalho exímio.

«A primeira obrigação do jornalista é para com a verdade» (Os Elementos do Jornalismo, Bill Kovach e Tom Rosenstiel, Porto Editora, 2004). Os profissionais jornalísticos devem relatar os factos, os acontecimentos procurando sempre a verdade total e ouvindo todas as partes envolvidas na história. Aliás, o princípio da verdade é, realmente, fundamental, uma vez que as pessoas, quando leem uma notícia, fazem-no com o intuito de se informarem, portanto, a informação contida deve ser verídica.

As fontes de informação são fundamentais para o exercício do jornalismo e, no filme, elas revelam-se fundamentais para a resolução do caso, demonstrando, assim, o seu grande relevo no exercício do jornalismo. As fontes ou os “promotores” são a base da construção de uma notícia. No filme assiste-se a fontes oficiais, fontes anónimas, e pistas. Perante todo o cenário, e por se tratar de um caso real, o objetivo é descobrir a verdade, sem recorrer a interpretações ou opiniões. As fontes auxiliam o trabalho do jornalista que elabora uma reportagem, dado que «a fonte cede ao jornalista uma informação que interessa a este difundir e que interessa a ela que seja difundida». (O Discurso do Jornal: como e porquê?,  José  Rebelo, 2000).
 
Diana Sanches

 

publicado por Diana às 12:12

16
Abr 13

O que é o jornalismo como contrapoder? Numa Columbia Broadcast Station (CBS) de 1953, Edward Murrow, jornalista e apresentador do programa cívico See it Now, protagoniza uma acesa guerra ideológica com o senador Joseph McCarthy, no qual denuncia os vícios de uma política americana demagógica. Em cima da mesa está o McCarthynismo, uma cruzada para apanhar os comunistas em organizações e instituições americanas, que julgava os acusados em asta pública sem apresentação de provas. Surge o tilintar da campainha do “stop” na cabeça de Murrow, que protagoniza um dos melhores trabalhos jornalísticos pré-Watergate do século. O filme é preto e branco para enquadramento na época, mas não o podemos também ligar ao facto de um cão ser daltónico? Falo claro, do cão de guarda jornalístico.

 

O See it Now, a arma do quarto-poder e a forma ideal com que Edward Murrow e Fred Friendly viram para denunciar os abusos do político numa época de Alerta Vermelho. Murrow interpretou que foi oportunidade para McCarthy fazer campanha política numa caça aos gambuzinos comunistas. O jornalista via o senador como o demagogo que estava a alimentar o monstro do medo. O verdadeiro tiro no próprio pé do senador deu-se quando este falou em público e exerceu a mesma estratégia acusatória em Murrow. A imprensa idolatrava Ed Murrow, o McCarthy foi destituído (mas não afastado da política), tudo bons agoiros. Mas não era bem assim.

 

O programa ficou sem patrocínios, já que a caçada jornalística incutiu o pânico noutros. O chefe executivo da CBS, William Paley, disse a Murrow e Friendly que não aguentava mais “murros no estômago”, pois só conseguia ver o See it Now como uma caça política nociva para o canal. E para os cofres da CBS. O cão de guarda que é o jornalismo estava a ser ameaçado com uma trela da própria cadeia televisiva yellow (cobarde, como Murrow chamou a Friendly na brincadeira).

 

O programa de Murrow e Friendly passou do horário nobre da terça à noite para o não tão nobre domingo de tarde. O contrapoder foi triunfante na defesa da justiça, mas injustiça acabou por levar o castigo ao programa por um bom trabalho. Tal como Murrow diz no início do filme, “se as gerações futuras analisarem os trabalhos jornalísticos feitos na nossa época, verão o quanto decadente era o nosso trabalho”.  

 

Provavelmente o que todos os jornalistas sentem neste momento: enfrentar a ditadura da publicidade e a tradicional pressão política. Houve uma grande evolução nos últimos anos, a nível dos equipamentos, técnicas e bons trabalhos jornalísticos mas os mesmos problemas de há 60 anos mantém-se. Será que a nossa salva está nos fundamentos de um Ed Murrow cada vez mais ausente? Como estudante de jornalismo, acredito religiosamente que sim.

 

Boa noite. E boa sorte.

 

Por:
João Mota 

publicado por jonasmota às 23:25

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