Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Jun 10

 

Objectividade, uma meta  difícil de alcançar

Os jornalistas não conseguem ser totalmente objectivos, cada pessoa tem as suas crenças, não vive isolado e sofre influências. “State of play”, filme de Kevin Macdonald, com a participação de Russel Crowe Ben Affleck e Rachel McAdams ilustra bem esta situação. O filme para além de retratar as conspirações político-militar mostra uma investigação jornalística profunda e é esta, mais que a primeira, que interessa analisar. O filme trata várias problemáticas relacionadas com o jornalismo e os órgãos de comunicação social. Trata a nova realidade do meio online incorporado nas redações tradicionais e a forma como os jornalistas mais antigos vêem essa inovação. É possível também perceber como os meios económicos se apoderaram dos órgãos de comunicação. Estes lidam com as notícias como mercadorias onde o principal objectivo é vender mais que os outros mesmo que para isso não se cumpram todas as fases da construção da mesma, como o contraditório, por exemplo.

Instrumentalização do jornalismo

O jornalista não consegue ser totalmente objectivo, como já referi, e no filme é possivel ver alguns dos factores que contribuem para isso. As relações amorosas, as relações de amizade, as pessoas que conhecemos, no que queremos e no que não queremos acreditar são problemas que o jornalista tem de ultrapassar e saber gerir em cada situação.

A regra é ser o mais objectivo possível e não usar da sua posição no órgãos de comunicação social para beneficiar um amigo. Se o jornalista não é fiel às leis e às regras que o regem pode ser instrumentalizado. Entramos então na temática das pressões. Pressões legitimas ou não. A verdade é que independentemente se estas pressões são legítimas ou não o jornalista não lhes deve responder positivamente, O jornalista é que não se deve deixar instrumentalizar.  Uma das maneiras é por exemplo negar-se a fazer notícias que envolvam um amigo muito próximo ou uma pessoa por quem o jornalista tenha um carinho especial ou o próprio órgão de comunicação toma a iniciativa de dar outros temas ao jornalista. Essa situação já aconteceu em portugal com a jornalista Sandra Felgueiras que aquando do caso do “saco azul” envolvendo Fátima felgueira (sua mae), deixou de fazer notícias sobre politica.

É necessário encontrar um meio termo pois, por vezes, as coisas não são tão lineares e o jornalista pode não saber que está a ser instrumentalizado.

Por vezes com a pressão do tempo, a falta do mesmo para cumprir todos os passos da construção da notícia leva a que se seja influênciado a dar determinada a mesma com determinado ângulo. A instrumentalização pode também ser consentida no sentido a mais tarde poder tirar proveito dessa pessoa, como uma espécie de troca de favores. O jornalista depende muito das suas fontes.

 

Integração, a solução

No filme podemos ver um bom exemplo de como o meio online pode ser articulado com o meio em papel. De como apesar de mal visto pelos jornalistas mais velhos e mais tradicionais, estes meios podem coexistir e até mesmo colaborar.

 

Sara Cardoso


publicado por sararncardoso às 22:17

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