Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

17
Jun 10

Este filme realizado por Kevin Macdonald é um retrato da profissão do jornalista na sua essência, e com uma ligação às relações político-militares. Uma história que apesar de ser ficção “prende o espectador ao ecrã” pelo facto de o filme possuir um excelente enredo político que mistura o jornalismo de investigação com a política norte-americana.

               

Todo o filme mostra variados problemas que são apontados ao jornalismo actual, principalmente em relação à especulação e á fina linha que o separa do sensacionalismo. Também é demonstrado jornalistas da “velha guarda” e a sua relação com os novos meios de comunicação que a tecnologia dispõe. Assim como também os novos jornalistas ligados a blogues e redes sociais e que o que lhe interessa é a informação na hora. O que não poderia ser indiferente é também o facto de o filme mostrar que os órgãos de comunicação social passaram na sua grande maioria a trabalhar como empresas que visam pura e simplesmente o lucro e se “esquecem” muitas das vezes do rigor que as informações jornalísticas devem comportar.

                Por entre dramas pessoais e variadas conspirações, “State of Play” aborda várias narrativas que culminam numa brilhante conclusão. É também de realçar o facto de existir uma espécie de relação de dependência ou amor/ódio entre jornalistas, políticos e também investigadores da polícia.

 

Isenção, objectividade, relação com as fontes

 

                Esta história pode igualmente ser observada sobre o facto de muitos jornalistas não conseguirem ser alheios a qualquer tipo de relação que possuam com um envolvido na informação que vai transmitir ao público. Ou então de não seguirem as recomendações éticas que deveriam ser intransponíveis. No caso de “State of Play”, Cal McAffrey é um velho amigo de Stephen Collins, e sente-se em dívida para com ele pelo seu passado. Esta amizade e este envolvimento pessoal entre estas duas personagens da história são explorados pela directora do jornalista que apesar de tudo mais tarde acaba por se questionar sobre a ética de todo o processo de investigação.

                Assim, posso dizer que o jornalista não se deve fazer valer do cargo que ocupa para tirar partido a favor ou contra alguém com a qual mantenha qualquer tipo de relação. O trabalho jornalístico deve sempre ser elaborado com isenção e também o principio do contraditório, ou seja, ouvir sempre as duas partes.

 

Em suma…

            “State of Play” é um filme direccionado para quem gosta de jornalismo, e de observar as suas relações com os principais temas do quotidiano. Demonstra em particular a grande importância que têm as fontes de informação no dia-a-dia de um jornalista, e as principais dificuldades que estes profissionais atravessam como a isenção e a diferenciação entre a vida profissional e pessoal.

publicado por hugoferreirajornalismo às 19:31

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