Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

16
Jun 10

 

Welcome to the life of Silicon Valley – wherever you are  por Joana Freitas

Silicon Valley

 

 

A experiência passa por perceber de tudo, por ter vivido tudo. Neste campo ninguém melhor que Álvaro Costa (o jovem de 50 anos, rockeiro? Não? Que tem um programa de rádio chamado “Tudo bons rapazes?”… também não? O apresentador da "Liga dos Últimos", que agora já dispensa mais explicações, certo?), para nos dar uma ideia, pequena, muito pequena e reduzida a histórias vividas na primeira pessoa, do que é possível na actualidade e do que irá ser possível no futuro. No nosso futuro, de recém-licenciados que buscam agora um lugar no mercado de trabalho. Eles, professores e profissionais de uma das maiores indústrias, onde cabe a informação e o entretenimento, “desbravam caminho walking in the value of the shadow of dead” e nós, não podendo vencer o público, teremos que nos juntar a ele. Metaforicamente. E já que menciono um homem que gosta de música, vou explicar o conteúdo do que o nosso convidado nos foi transmitindo, dando-vos música. Metaforicamente.

 

Do bling bling à alteração paradigmática da indústria


Em finais dos anos 70, início de 80, e mesmo existindo a liberdade de expressão, havia “um grande vazio mediático”. A indústria dos media limitava-se a um único centro, ao poder e ao bling bling (“diamantes” no sentido de capital financeiro) do estado. O indivíduo como fonte de informação, editor e emissor não era uma realidade, como a actual, já que a distribuição da informação seguia uma caminho unidireccional, que começava nos meios de comunicação existentes, do Estado, e seguia para o público que, se criarmos uma imagem, se situava na base de uma pirâmide de poder.  “Rezava-se para que a televisão funcionasse”, relembra Álvaro Costa. Agora o “altar” caiu e a indústria rendeu-se a um caminho horizontal. “Tudo isso é normal”, da electricidade ao uso dos média, “tudo isso é normal”.

Já não é mais uma  sensação de vertigem ser dependente dos objectos tecnológicos.  Dos computadores aos iPad’s o homem quer estar sempre em cima do acontecimento, inserir-se na confusão da novidade e das alterações. Ser parte activa.  E ao jornalista cabe ser multiformatado e saber que, mesmo que todos possam opinar sobre o nosso trabalho, “não podemos nem devemos agradar a todos.”

 

Ao estilo do Inspector Gadget, o eu repórter na sociedade fragmentada

 

Dizer que somos parte de uma sociedade onde a informação é acessível a todos e chega com uma rapidez imesurável, é falar do óbvio. Dizer que qualquer um que tenha acesso a uma rede pode publicar informação, verdadeira ou falsa, em tom de profissionalismo ou opinativo, é repetir uma evidência. A rede alterou significativamente o modo de ser e estar da sociedade. Mas além das questões técnicas, das mudanças no tratamento da informação e da interacção directa do indivíduo nos meios de comunicação, ou não estaria a ler este artigo no blog de jornalismo especializado, a rede chegou, impôs-se e atingiu todo o mercado. Das notícias ao entretenimento, sabemos de tudo sem saírmos do lugar. Welcome to the paradise city, onde a relva continua a ser verde e as raparigas bonitas, mas o que interessa é ter ligação à internet.

 

O jornalista tem que se adaptar ao novo para ter sucesso no trabalho que faz. Seguindo a poética falácia dos ventos de mudança, ao som dos Scorpions, um profissional da área da informação tem que se limitar ao passado como uma experiência, deve ter a consciência de que “a nível digital, os anos 90 foram à 100 anos”.

 

O ar de “cartoons” que o público nos dá (nos, enquanto profissionais do mercado da comunicação) acarreta uma posição de responsabilidade, que compreende que, apesar de todos terem possibilidade de ser emissor de informação, ao jornalista cabe-lhe dar essa informação livre de opinião mas cheia de especificidades e regras, acumulando ainda o peso de ser julgado e criticado. O apresentador da Liga dos Últimos, deixa bem claro que o universo onde iremos trabalhar é diferente, mas não finda. Pelo contrário, “está sempre em processo de mutação e nós somos obrigados a integrarmo-nos”. Ser generosos e disponíveis na recepção e distribuição da informação da socidade tecnológica. Ficar “gratos por recebê-la”, mas não submissos a ela.

Sempre a correr contra o inimigo tempo, o papel que escolhemos desempenhar obriga-nos a ganhar velocidade para chegar e dominar a “audiência do matrix”, para manter o equilíbrio, “ao mesmo tempo que nos preocupamos com a audiência” e com o sermos os primeiros a dar a notícia.

O jornalista deve ser consciente que é uma profissão que“para já exige mais trabalho, mais esforço, mais dedicação, mais chatices”, refere Álvaro Costa, sorrindo, no caminho da nossa vida.

 

 

Também ao estilo do Inspector Gadget, o eu indivíduo na sociedade do multiformato

 

“A orda dos ouvintes assemelha-se ao Mercado das Caxinas”, brinca Álvaro Costa. Ou ao do Bolhão, se quisermos trazer mais proximidade para nós que somos alunos da Lusófona do Porto. Na realidade da rede, vive-se numa “cultura de colmeia”, onde a liberdade de expressão permite que haja “o anónimo, o boato,  um vómito opinativo” e um excesso de produção de informação sem qualquer tipo de estudo ou formação.

O público-barra-utilizador de agora já não quer só a sua (m)tv, mas antes quer acesso à rede, a informação sua, talvez até produzida por si, ser parte do mainstream e ser um self-media.

O conceito de gadget, a que recorri inúmeras vezes, desdobra-se no sentido de os meios de comunicação, e de todas as ferramentas que são parte constituinte deles (computadores, telemóveis, iPad’s…), fazerem já parte do “sujeito desumanizado” que vive de forma “híbrida”, refere Álvaro Costa, e que faz jus à teoria de media como extensão do homem de que fala McLuhan.

Embora se fale da realidade na rede, ela é, também e paradoxalmente, um escape da realidade do real. É um mundo virtual que visa cultivar a participação do amador na sociedade da informação e distrair o homem como ser eternamento insatisfeito.

Na geração do agora, quem está de fora, não se consegue inserir no seio da sociedade que, formatada pela tecnologia nem se lembra da existência de um mundo fora da rede. It’s evolution baby, e nós temos que a acompanhar. Ser parte integrante dela, já que ela é uma outra forma de sobreviver nos dias da nossa vida.

 

 

You’ve got to be starting something. Ser original e individual é necessário para se ter uma carreira. Álvaro Costa é considerado por alguns como “um dos poucos comunicadores não formatados dos média nacionais, com um estilo próprio e um sólido radar de modernidade”. É por isso que, com a sua experiência nos aconselha a rejeitar querer saber o segredo do sucesso, mas antes a procurar o sucesso. It’s a long way to the top. Mas vamos fazê-lo. E ao estilo de Sinatra, vamos fazê-lo à nossa maneira.

 

Ah, and by the way: God save the queen, que neste momento é a rede.

 

publicado por jornalismoespecializado_jo às 15:20

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