Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

07
Abr 11

 

 

Em análise esteve o generalista Público e o especializado Diário Económico, edições do mesmo dia. 

Uma análise comparativa que se destaca imediatamente pela capa dos periódicos. O jornal Público destaca notícias das mais diversas áreas, nomeadamente: educação, cultura, política, economia até à secção mundo que faz de manchete. Em contrapartida, a capa do Diário Económico (DE) está toda ela relacionada com economia e finanças, nada mais que isso.

Estruturalmente, os jornais tocam em secções comuns, como: Destaque, Economia, Mundo e Desporto. Em equivalência existem separadores distintos nos jornais. Os separadores Portugal e Local encontram-se somente no Público e os separadores Política, Empresas, Finanças, Publicidade & Media e bolsas apenas no DE. O jornal generalista dá mais espaço à secção Portugal, enquanto no jornal especializado dá mais abertura à secção Destaque.

 

Apesar destes dois periódicos tocarem em áreas comuns, a abordagem é feita de uma maneira diferente. A secção destaque no Público dá uma pincelada nos assuntos da actualidade. Todos os assuntos tratados são de carácter nacional, direccionados para a crise em Portugal. É um assunto prioritário para este jornal, tal como no DE, a diferença está no aprofundamento dos assuntos. O Público opta por uma actualização dos assuntos, enquanto o DE aprofunda, dá prós e contras devido às fontes utilizadas, diferentes do Público, fontes especializadas que colocam todas as opções existentes para o leitor, também ele letrado na área. O mesmo acontece no separador Economia, onde a informação é tratada de maneira diferente. No Diário Económico aprofunda e procura explicações, os assuntos têm uma contextualização muito completa (informação anterior, paralelismos e previsões futuras), no Público trata a economia de forma generalizada, tocando um pouco na nacional e na internacional. Na secção de Desporto as abordagens também são diferentes. Por um lado, temos o Público que se preocupa em dar ao leitor informações acerca da prestação da equipa, da disciplina (casos de indisciplina), incidentes dos jogos, lesões dos jogadores, prognósticos do jogo. Por outro lado, temos o DE que se preocupa com os investimentos feitos numa regata, custos de uma equipa, custos de barcos, as questões financeiras (orçamento) de um projecto ligado ao desporto, tudo relacionado com a especialidade do jornal. O DE como jornal de Economia parte do genérico, da macroeconomia, para notícias mais particulares, a microeconomia. Um factor importante que não se percepciona no jornal Público.

A linguagem varia de jornal para jornal, mas ambos utilizam a mesma técnica na elaboração de notícias, a pirâmide invertida. O jornal especializado tem uma linguagem específica pois utiliza constantemente termos técnicos. O jornal generalista tem uma linguagem acessível, ou seja, uma linguagem pouco técnica. A partir desta percepção, detecta-se o tipo de leitor de cada um. No jornal Público, um público mais abrangente que poderá ser formado ou não em qualquer área que perceberá perfeitamente o conteúdo do jornal. No DE terá que ser um público formado na área para acompanhar, perceber totalmente e absorver a informação que lhe é dada, de outra forma, será difícil ter uma percepção clara sobre os assuntos tratados neste jornal. As fontes também influenciam este tipo de leitura visto que o DE utiliza fontes especializadas (Jornal de negócios, operadores de mercado, analistas) e especialistas na àrea. O Público serve-se de fontes em função do assunto tratado, ou seja, onde o elemento seja valorizado (deputado, atleta …).

Ex: os jornais têm uma notícia em comum no separador Destaque, mas a notícia é tratada de maneira diferente. No DE «os mercados colocarão restrições adicionais devido ao risco de “downgrades” adicionais para o nível do lixo», no Público «e atirou com o Montepio Geral e Banif para um nível considerado de “lixo”», fica nitidamente explícito a linguagem pouco técnica e acessível a um maior número de leitores, da linguagem especializada e destinada a um público muito específico.

 Em todas as edições diárias, há uma parte do DE dedicada à bolsa de valores (nacional e internacional), aos fundos de investimento (nacionais e internacionais), matérias-primas, câmbios e taxas de juros. No público o espaço para este tipo de dados é muito menor e condensa toda a informação em: taxas de juros, divisas, acções, mercadorias, euronext Lisboa e marcado monetário cambial.

Nestas edições, cada jornal traz um suplemento. Ora, estes suplementos também são distintos. O suplemento do DE destina-se ao empreendimento, artigos de opinião e análise e mercado mais uma vez relacionado unicamente com economia. O suplemento do Público tem entrevistas e inclui informação acerca do cinema, documentários, música, dança, figuras públicas, um extra muito mais variado em termos de conteúdos do que o DE que continua focado no investimento e tudo que esteja relacionado com economia.

Relativamente aos cabeçalhos, o público não aposta tanto em cabeçalhos como o DE. Os poucos cabeçalhos que contém, estão relacionados com o separador que estiver inserido. Normalmente com breves, curiosidades e endereços de blogs. O DE aposta mais em cabeçalhos, mas todos eles estão, mais uma vez, relacionados com a área de especialização do jornal. Os cabeçalhos são compostos por breves, valores (euro, petróleo), agendas (relacionadas com o separador) e pontos-chave.

A publicidade de cada jornal também tem algumas particularidades. A publicidade do Público é sortida (carros, bancos, companhia de comunicações …), a publicidade do DE resume-se a bancos. Ambos fazem auto-promoções e tem as publicidades maioritariamente na página direita.

                Posto isto, apreende-se que cada jornal tem uma “gramática” muito própria, apesar de tocarem em pontos em comum. 

 

 

Carina de Barros

 

publicado por crnbarros às 09:15

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