Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

16
Abr 11

Álvaro Costa foi convidado a partilhar conhecimento e experiência com os alunos da unidade curricular de Jornalismo Especializado. De modo informal, descontraído e, extremamente, energético foi atravessando alguns temas e conceitos pertencentes ao universo da comunicação geral e histórias particulares ligadas ao seu universo profissional. Falou, entre outros assuntos, sobre o papel do comunicador na actualidade e no futuro, no impacto das redes sociais nos meios de comunicação e nas audiências do futuro.

O convidado iniciou a sua carreira nos anos 80, é especialista nas áreas do cinema e da música e conta com uma vasta experiência profissional na rádio e na televisão, onde continua actualmente a trabalhar.

Considera a vida pessoal de um profissional da comunicação de extrema importância para a sua profissão e carreira, e que é necessário que ele esteja disponível e que faça uso no seu trabalho de tudo o que lhe acontece na vida. 

 

 

 

 

Exigências do comunicador dos nossos dias

O comunicador dos nossos dias deve ter em atenção que o que disse há um ano atrás já não interessa, o que interessa é o agora. A velocidade do tempo no sistema de comunicação está a acelerar cada vez mais. O essencial hoje é o agora, daí Álvaro Costa afirmar que só tem saudades é do futuro e que os media que temos hoje é o que nós fazemos deles.

Um comunicador hoje em dia, tem de ter a capacidade de comunicar com todo o género de pessoas, mesmo aquelas que se encontram em estado de alucinação ou que estão histéricas devido aos problemas que as massacram diariamente. De modo jocoso, o convidado considera que a função do comunicador deve passar por vestir um fato “Coronel Tapioca” e lançar-se na selva da sociedade alienada. O grande desafio actual, no momento em que se vive uma crise social, política e financeira no país, é tentar reinventar o seu papel e a sua posição enquanto profissional da comunicação. São desafios difíceis mas mais estimulantes e criativos. Na opinião do convidado, “cria-se uma grelha de comunicação planetária” através do uso das novas tecnologias.

Estas tecnologias aumentam a velocidade na forma como emitimos e recebemos informação. A estruturação digital vai criando um choque e os sistemas de comunicação antigos apesar de não desaparecerem “vivem e convivem num mundo em total mutação” em que “a única certeza é a incerteza”.

Os comunicadores dos media hoje em dia têm de ter a capacidade de conseguir ser cinquenta coisas diferentes ao mesmo tempo, fazer Transmedia.

 

Importância do universo das redes sociais

Tudo o que se faz actualmente tem de incluir também o universo dos media social, especialmente do Facebook, porque o Facebook é mais do que uma rede social, é uma forma de media. Um formato que tem a ver com tecnologia e que tem uma performance importante associada. Está relacionado com riqueza e com dinheiro, é o Star Track americano. Como refere Álvaro Costa, o “Facebook vai ser sempre Facebook nem que seja outra coisa qualquer”.

Há sensivelmente um ano atrás, Álvaro Costa e Daniel Catalão, estabeleceram dois conceitos que se ligam ao universo das redes sociais, a integração e a agregação. A integração, segundo Álvaro Costa, é a capacidade de incluir todos os elementos possíveis no discurso. Essa inclusão diz respeito a vários aspectos e tem a ver com os elementos digitais que são incluídos nos diferentes meios de comunicação tradicionais. A ideia que temos de rádio, imprensa e televisão tradicionais chegou ao fim com a entrada em cena do computador, das novas tecnologias e da internet que vieram revolucionar estes meios. Mas diz respeito também, à inclusão da própria população nos sistemas de comunicação. Hoje em dia, as pessoas integram-se nos sistemas comunicacionais dos media porque têm acesso facilitado às tecnologias necessárias para se exprimirem e manifestarem. Como alerta o convidado, devemos estar atentos ao mundo em que estamos inseridos porque “nada hoje é real e tudo é real”. Já a agregação, tem a ver com a capacidade de agregar todos os elementos que se encontram disponíveis ao nosso redor no universo social. É nos momentos de euforia social que se explora mais as novas tecnologias, o mundo do I am Media.

O “culto do amador” leva muita gente a crer que os media criados pelos utilizadores comuns da internet estão a matar a nossa cultura e economia. Torna-se difícil a comparação entre um escritor, jornalista ou comunicador (alguém devidamente credenciado) e um utilizador comum da internet que escreve uns textos de opinião sem qualquer compromisso ético ou responsabilidade social. Na rede social Youtube, por exemplo, o vídeo mais visto do momento tanto pode ser protagonizado por um amador qualquer como por alguém de prestígio no meio mediático.

Os próprios mass media enfatizam também em parte, através das notícias, o problema da utilização negligente, desregrada e sem sentido das redes sociais pelos utilizadores comuns da internet. Por vezes é disponibilizado mais dinheiro para a produção de programas fúteis do que para programas realmente importantes e interessantes para a sociedade.

 

Alteração do paradigma de pensamento e de comunicação

A internet está a alterar o nosso paradigma de pensamento e de comunicação. Está a criar um novo mapa neurológico da cabeça dos utilizadores mais frequentes.

Álvaro Costa referiu a obra The Tipping Point, de Malcolm Gladwell (um jornalista britânico que vive actualmente em Nova Iorque), que destaca três factores relevantes associados às mudanças do paradigma social e comunicacional nova-iorquino. Os connectors (conectores da sociedade), os mavens (os visionários) e os salesmen ou decision makers (os persuasores, que é o que está mais em falta na nossa sociedade) são os três factores considerados relevantes para operar uma mudança social (seja mental, comunicacional ou outra).

Os desafios para os próximos tempos passam por viver num mundo que está em constante mutação e em que a voz individual de cada um se torna cada vez mais importante. Como menciona o convidado, num sistema de comunicação o comunicador tem de pensar como os engenheiros japoneses da indústria automóvel, que quando imaginam um carro novo começam pelo seu detalhe. O comunicador também deve estar atento a todos os pormenores. Ele tem de ter presente a ideia de que só é bom durante o programa que está a fazer.

“Esta é a profissão mais cruel e mais exigente que existe no planeta” é preciso ter pele rija para aguentar as críticas do novo público, munido da tecnologia necessária para criticar o trabalho dos jornalistas ou profissionais dos media. É preciso ter atenção aos novos mandamentos, às novas regras. É importante saber ouvir as críticas negativas da mesma forma que as positivas.

 

Audiência do futuro – Geração Multitask

O comunicador do futuro tem de estar atento a tudo porque o mundo é ilusório. Álvaro Costa mencionou que os futuros comunicadores serão as pessoas com “capacidade de devastar”. Têm de se preocupar com a audiência do futuro que é já constituída por crianças e jovens com domínio total sobre as novas tecnologias e o universo virtual. As crianças actuais formam a primeira geração a viver num universo acelerado pelas possibilidades do mundo virtual. São a “geração multitask, multiformato”.

 

Gramática comunicacional adaptada ao novo “Homodigitalis

Em tom de galhofa, o convidado disse que “em breve vamos ter antenas e chips na cabeça” e aí seremos plenamente considerados homodigitalis. Este homem é o exemplar mais recente da evolução da espécie humana, vive na internet e considera o que se passa no mundo virtual mais importante do que o que se passa na vida real.

Para acompanhar esta realidade é necessário reinventar conceitos e formas de fazer e transmitir informação. Neste sentido existe um conceito que deve ser explorado. O conceito de público/reportagem que junta a publicidade (paga) com a reportagem efectuada no jornalismo tradicional. Pode ser uma reportagem sobre uma empresa num determinado local (um bar por exemplo) que sirva para publicitar esse espaço. Trata-se de uma forma de financiamento do trabalho através de um conceito diferente. Apesar de existir uma dualidade entre ideias e economia, é preciso reinventar permanentemente a forma de escrever e de comunicar. Descobrir maneiras de se trabalhar ideias e produzir informação com pouco dinheiro.

Há fenómenos virais, que se opõem aos fenómenos reais, e que escapam ao sistema central. No futuro, os órgãos tradicionais vão ser ”viralmente” invadidos e transformados/adaptados à realidade das novas tecnologias.

 

“A Rádio é a nossa mãezinha”

A rádio é a mãe da comunicação, afirma Álvaro Costa. Permite improvisar e é divertida. Quem faz rádio tem uma alavanca. Menciona ainda, que “hoje tem de ser gostar de tudo” e que os órgãos de comunicação estão todos ligados entre si. É importante perceber que a rádio, a televisão e a imprensa não vão acabar e desaparecer, vão sofrer transformações e adaptar-se às novas exigências do mercado.

 

Por: Lícia

 

publicado por líciacunha às 05:48

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