Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mar 10

         Análise comparativa de dois jornais – geral/especializado

 

Objecto de estudo: Jornal de Negócios e Jornal Público (edições on-line)

 

   Tendo em conta a análise feita aos dois jornais escolhidos, apontamos alguns pontos de convergência e de divergência, quer a nível estrutural – capa, construção da notícia, espaço dedicado-, quer a nível de conteúdo – ponto de vista do jornalista, vocabulário utilizado, sobre a abordagem a um mesma tema – Pacto de Estabilidade Económica.

Análise estrutural externa:

   Os dois jornais estruturam-se numa lógica muito semelhante, deixando de lado os entretítulos e os superleads e sem recorrerem a infografia. Tomando como nota serem duas edições on-line e tudo aquilo que elas impõem, o Jornal de Negócios aborda o assunto na sua página inicial, permitindo ao leitor ter acesso ao lead mesmo antes de clicar sobre o link. Já o Público, tem na sua página de abertura referência ao mesmo assunto, num outro ponto de vista. A utilização de uma notícia de reacção ao discurso de Sócrates – “Vítor Constâncio aplaude PEC”- dá o mote para que o leitor, se quiser chegar ao mesmo tema abordado directamente no Jornal de Negócios, clique sobre as diversas possibilidades referentes ao tema. Ou seja, o Público utiliza-se de uma notícia linkada a outra para a enquadrar num contexto, apesar de caracterizar a notícia do discurso do 1º Ministro sobre o PEC como destaque do caderno de economia.

   A nível de construção da notícia, o Jornal de Negócios faz uso de um título e de um lead em grande destaque que se repete no início da notícia e que é pertencente ao comunicado da LUSA. A própria notícia é elaborada tendo como base, em grande escala, citações de José Sócrates. O jornal Público utiliza um antetítulo, um título e um lead antes de iniciar a escrita da notícia e faz um uso moderado de citações.

   O espaço dedicado ao tema é, nos dois jornais, muito semelhante.

 

Outras análises:

   Ao contrário do Público, que não ilustra a notícia, o Jornal de Negócios utiliza uma pequena fotografia que se conjuga de um modo eficaz com o título:

 

jose_socrates_peqjose_socrates_peq     “Sócrates repete que PEC não aumenta impostos”

 

 

Análise interna na notícia:

 

   Ambas as notícias são escritas com um vocabulário simples e acessível e ambas fazem uso, moderado no jornal Público e mais constante no Jornal de Negócios, de citações do discurso do primeiro-ministro.

   O mesma tema é, contudo, analisado à luz de diferentes perspectivas. Apesar do Jornal de Negócios ser o jornal específico sobre o assunto onde cabe o tema analisado, a notícia é mais aprofundada no Jornal Público, já que o jornalista não se limitou a transcrever elementos do discurso de José Sócrates, como acontece no Jornal de Negócios, mas compilou a notícia recorrendo a termos explicativos que permitem que o leitor se inteire do assunto abordado e o compreenda melhor, por exemplo, enquadrando contextos:

 

 “Em causa estão as reticências que têm sido colocadas pela oposição relativamente às grandes obras de investimento público, mas, da parte dos sociais-democratas, Paulo Rangel já se tinha mostrado desiludido com a não suspensão do novo aeroporto de Lisboa e da linha Lisboa-Madrid.”

 

 

  O Jornal de Negócios faz um uso mais moderado de uma escrita própria e utiliza, como já referimos, fragmentos do discurso político, quase “dando voz” a José Sócrates e permitindo-lhe explicar a sua tomada de decisão. A participação do jornalista nesta notícia não está muito exposta, o que faz com que não haja uma construção propriamente dita da mesma, mas apenas um complemento ao material transcrito, quase eliminando o jornalista como parte activa:

 
"Não há aumentos de impostos a não ser com uma excepção: vão ser taxados com 45% os portugueses que têm rendimentos acima de 150 mil euros" anuais, afirmou o primeiro ministro”;

"A verdade é que nós temos agora um sistema fiscal que permite àqueles que têm mais elevados rendimentos terem mais benefícios fiscais….sublinhou”; 
 
José Sócrates ilustrou que "alguns portugueses que têm elevados rendimentos e que tinham possibilidade de deduzir nos seus impostos o colégio dos filhos ou operações que fazem no privado vão ter uma limitação nos seus benefícios fiscais"; 
 
O primeiro-ministro reiterou que "o grande esforço" do PEC "faz-se do lado da despesa, na redução da despesa"; 
 
"Podíamos ter escolhido o caminho fácil de aumento de impostos, escolhemos o caminho difícil de controlar a despesa do Estado de forma a que possamos nos próximos três anos ter o trabalho feito de recuperação da Economia e equilíbrio das contas públicas", sustentou.”

 

 

   Em ambos os jornais, os títulos convergem sobre o assunto do aumento dos impostos, apesar de o Público deixar clara a notícia de que esse não aumento defendido por Sócrates terá uma excepção – quem tiver rendimentos acima dos 150 mil euros anuais –, e o Jornal de Negócios apenas fazer alusão a que não existirá aumento de impostos. Ambos recorrem contudo a citações do primeiro-ministro para fazer título.

 

   Tendo em conta que analisamos jornais de edição on-line, onde é permitida a participação directa dos cidadãos, tomaremos em análise, também, os comentários associados à notícia. No Jornal Público foram publicados links para blogues – “Sócrates e as injustiças”- por exemplo, e no Jornal de Negócios os comentários deixados directamente na mesma página da notícia permitem visualizar o desagrado dos portugueses relativamente ao anúncio do PEC para 2010.

 

 

   Numa última observação, e para concluir, denota-se, apesar de algumas diferenças, um mesmo ponto de convergência - o tema abordado é passado claramente, sendo bem demarcado.  A mensagem é transmitida de modo exacto e é de fácil compreensão, permitindo ao público captar o essencial e manter-se ao corrente do assunto.

 

 

Joana Freitas - 20074203


 

 


 

publicado por jornalismoespecializado_jo às 08:59
editado por jornalismoespecializado em 14/03/2010 às 01:04

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