Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 11

Apresentação

 Manuel Fernandes Silva participou na aula de Jornalismo Especializado. O jornalista da RTP coordena e apresenta o programa semanal de análise do futebol português. Neste programa o jornalista conta com os comentários de Luís Freitas Lobo e Carlos Carvalhal e ainda, com a participação do jornalista Álvaro Costa. Por isso, a conversa de hoje não podia deixar de ser, sobre Jornalismo Desportivo.

 

 

 

 

 

 

Jornalismo Desportivo em Portugal

O actual pivô do programa Pontapé de Saída começou a por mencionar que “é difícil falar de Jornalismo Desportivo” porque não há muitas coisas escritas sobre este tipo de Jornalismo, mas arrisca a defini-lo. Segundo o jornalista, “o jornalismo desportivo não é um parente pobre, uma ciência oculta, um “escape” para os menos capazes, nem é o jornalismo mais importante que existe”. Refere ainda que para se fazer Jornalismo Desportivo é necessário conhecimentos específicos, mas não uma especialização técnica, exemplificando que “o jornalista que faz desporto não tem de saber tanto de futebol como o Mourinho, tanto de basquetebol como o Michael Jordan ou tanto de golfe como o Tiger Woods”. “Tem de saber essencialmente de jornalismo, mas é importante que tenha conhecimentos da área em questão. É importante que goste de desporto, mas tem de estar atento a outras áreas, porque jornalista é jornalista – tem de saber fazer política, economia, cultura, sociedade… Tem de compreender e analisar bem o fenómeno desportivo, mas fundamentalmente, tem de saber muito de jornalismo e saber usar esses conhecimentos”.

 

Pode o Jornalista falar de forma distanciada? Ou … Deve/Pode vestir a camisola?

Para Manuel Fernandes Silva estas questões acompanham o Jornalismo Desportivo e levam a reflectir sobre a Ética no Jornalismo.  

Não há regras distintas para o exercício do jornalismo da área de desporto. O Jornalista prefere falar de honestidade e imparcialidade no exercício da profissão em vez de objectividade. “No desporto está muito presente a emoção” isto é facilmente justificado com factos, como por exemplo, “tivemos mais audiências quando o atleta Nelson Évora sobe ao pódio, do que no momento em que ele ganha a prova”. “O próprio jornalista que está no local onde um clube vence deixasse levar pela própria emoção e faz transparecer isso quando é colocado no ar”.

Não se pode utilizar adjectivação num outro tipo de jornalismo, no desporto é muito comum escrever-se “grande defesa”, “extraordinário remate”. Este tipo de linguagem é quase obrigatório no desporto, refere. Além dos títulos e capas, as próprias notícias surgem numa linguagem quase erudita. Surge uma certa criatividade literária, às vezes carregada de sarcasmo e ironia.   A parcialidade e a separação da informação e opinião não são uma realidade no jornalismo desportivo.

 

O Desporto alimenta-se de Futebol

Manuel Fernandes Silva afirma que “na área do desporto falámos, ouvimos, escrevemos e respiramos futebol”. Desde 2005 até agora, os programas mais vistos são sobre desporto, sobre futebol.

 

Ano

Programa

2005

Super Jogo: Final da Taça UEFA: Sporting vs. Cska

2006

Portugal vs França

2007

Chelsea vs F.C.Porto

2008

Portugal vs Alemanha

2009

F.C.Porto vs Manchester United

2010

Espanha vs Portugal

 

O quadro acima apresentado reforça a ideia que o jornalista também transmitiu: “as pessoas, pelo menos os portugueses, são apaixonadas por futebol. “Quase todas as pessoas têm uma opinião sobre Desporto, podem não saber sobre politica, economia ou ambiente mas a esmagadora maioria tem sobre desporto, tem clube”.

Explica ainda que esta modalidade não necessita de criar eventos para a comunicação social andar atrás deles. Segundo o jornalista “o Jornalismo em Portugal irá acompanhar sempre os clubes, principalmente aqueles que têm maior destaque no nosso país – F.C.Porto, Benfica, Sporting e, a partir do ano 2000, a Selecção Nacional.

Para o pivô “as outras modalidades terão que criar eventos que justifiquem a presença de uma equipa de jornalista, e em Portugal, isso não se faz muito bem”.

Para reforçar a ideia que o Futebol é a modalidade de eleição no Jornalismo desportivo refere ainda, que os assessores dos clubes de futebol não ajudam os jornalistas, como acontece com outro tipo de jornalismo (politico), porque o futebol tem muito mediatismo. Os clubes têm, para Manuel Fernandes Silva, o “controlo absoluto da situação”, na medida em que o jornalista não escolhe com quem quer falar, onde quer falar, mas sim, o clube é que sabe, e ainda “impõe condições”, por exemplo, “quando um jogador fala, por norma há publicidade por detrás deles”.

 

 

Publicidade no Desporto/Futebol: um negócio rentável

Para finalizar a conversa com os alunos, o Jornalista fala na importância da publicidade no desporto. Explica que “quando um jogador fala e há publicidade atrás dele” é tudo estratégia do clube. Diz que “é contabilizado o tempo em que a marca esteve no ar, nem que seja 10 segundos”.

Manuel Fernandes Silva mostra o jornal “Bola” aos alunos como exemplo. Na capa o jogador Cardozo, do Benfica faz uma autentica campanha de publicidade à “Nike”. Isto rentável para o clube. E eles jogam com as armas que têm.

A publicidade estática, aquela que está à volta do campo de futebol é também contabilizada.

O jornalista afirma que este caminho começou à pouco tempo.”Há 20 anos, o futebol não era assim. Só a partir dos anos 80 com o aparecimento das televisões privadas. Antes disso, a RTP, televisão ao serviço do estado, era “obrigada a transmitir os jogos”. Depois disso tudo mudou, conclui.

 

 

 

 

 

 

Por: Joana Silva

publicado por joanassilva78 às 21:44

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