Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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De futebol se faz o jornalismo desportivo em Portugal, daí que Hugo Gilberto, jornalista veterano das letras no desporto, diga que no nosso país existe dois tipos de jornalismo desportivo, o de futebol e o dos outros. De facto como o jornalista argumenta o futebol é um território de emoções que tem a sua comunidade. Assim os jornalistas são os mediadores desse poço emocional que alberga os seus adeptos. Digamos que é o único tipo de jornalismo que tem os seus fiéis seguidores. E em Portugal o jornalismo desportivo não ocupa só uma ala, joga no campo todo, com o futebol. Apenas a pequena área do campo é reservada a outras modalidades.

Que isto acontece na imprensa portuguesa não é novidade. Não é por acaso que os jornais mais vendidos em Portugal são os desportivos. Outra nota apontada pelo jornalista, Hugo Gilberto, indica-nos que na Europa, Portugal juntamente com a Grécia, Espanha e Itália, estes países “deliciam” os seus leitores com mais de um diário desportivo. É fácil para quem lê jornais, quer se goste ou não de futebol, criticar a tendência dessa “febre futebolística”. Mas se assim acontece é porque as pessoas gostam, e o factor vender assume aqui a sua importância. É certo que se não fosse pelo futebol os jornais não atingiam um número de vendas elevado. E se o jornalista trabalha para um público, então está a cumprir bem a sua missão. Está a dar ao público aquilo que ele gosta, e em contrapartida as vendas asseguram a sobrevivência dos jornais.

Contudo, penso que importa aqui mencionar, que esta tendência futebolística não é só fruto das escolhas da classe jornalística, mas da empresa ou grupo económico que está a gerir a imprensa. Penso que hoje não temos o mesmo jornalismo “puro” de há vinte anos atrás, mas de um jornalismo de mercado que invadiu o espaço público. Hoje o jornalismo é uma classe que não é independente do poder económico, é um facto. E como tal, para assegurar a sua existencia, os jornalistas sabem, que é em função da lei de mercado, que têm de trabalhar. Contudo isso não justifica por inteiro o mau jornalismo. O jornalista tem responsabilidades nas opções e na forma como gere a informação, entre uma modalidade e outra. Penso que por mais críticas que se possam tecer, à volta daquela que podemos chamar a “febre pelo futebol” ,enquanto a comunicação social for gerida por grupos económicos que visam o lucro, esta orientação do jornalismo desportivo não se alterará. Tal como os jornais necessitam de vender, as televisões e as rádios são guiadas pelas audiências para se erguerem no mercado. E assim é também no que toca ao jornalismo desportivo.

Agora, se o nosso comportamento, enquanto leitores ,não mudar não vão ser os jornalistas que irão alterar este panorama. O jornalista trabalha para as massas, logo são elas quem mais ordenam.


 
publicado por sucorreia às 18:26

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