Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

12
Mai 11

 

Manuel Fernandes da Silva deslocou-se à ULP, para participar, como convidado, na aula de Jornalismo Especializado. O jornalista da RTP partilhou, com a turma, algum do seu vasto conhecimento profissional, transportando os alunos ao universo do jornalismo desportivo.

 

Feitas as apresentações, Manuel Fernandes da Silva iniciou a sua intervenção com uma questão bastante pertinente, para os futuros jornalistas presentes na sala: como é trabalhar na área do desporto? “Não requer especialização técnica mas são precisos conhecimentos específicos, aplicando também os conceitos jornalísticos”, elucidou o jornalista, salientando a importância do profissional dominar o meio em que se move.

 

O jornalismo desportivo constitui um autêntico fenómeno. Não que se trate de um campo afastado dos princípios profissionais jornalísticos e da ideologia informativa, mas, de certo modo, reveste-se de contornos muito peculiares. “É um trabalho feito por jornalistas mas vai além do jornalismo”, refere Manuel, remetendo-se para uma outra dimensão: também o jornalista da área desportiva é um profissional especial.

 

O apresentador do programa ‘Pontapé de Saída’ admite que um jornalista desportivo não tem como deixar de lidar com uma certa irracionalidade, devido à forte carga emotiva vivida - muitas das vezes em directo - que dificulta a imparcialidade. “Há uma margem tida como inevitável, desde que não prejudique o trabalho”, afirma, referindo ainda que, por vezes, o jornalista se deixa levar pelas circunstâncias. Esta situação levanta uma outra questão polémica, que assinala a carreira de muitos comunicadores desportivos: o jornalista é um mero observador? “O jornalista desportivo é muito vigiado, é muito criticado, é descortinado…Há uma grande exigência de isenção”. Neste tipo de jornalismo, a valoração e a adjectivação são práticas mais usuais do que noutros âmbitos, características que vão de encontro à necessidade de fazer sentir ao espectador uma série de elementos, para transmitir a mensagem de forma mais abrangente. Esta direcciona-se a um público-alvo que, apesar de não ser especialista se comporta como tal, pois vive intensamente os acontecimentos desportivos. “A mensagem transmitida não é entendida por todos da mesma forma”, o que pode originar situações incompatíveis pois, é este mesmo público que espera do jornalista as capacidades de interpretação e de análise. Torna-se impossível fugir ao reverso da medalha: tudo o que o jornalista diz pode ser usado contra ele.

 

Não poderia deixar de ser abordada (não estivéssemos em Portugal) o assunto da sobrevalorização do futebol, comparativamente às outras modalidades. Para o jornalista, a problemática está directamente relacionada com a falta de promoção de outros desportos, em contraste com a ‘overdose’ de publicidade – quase que omnipresente – verificada nos eventos futebolísticos: “As estratégias de comunicação fazem toda a diferença”. Este cenário pode levar à confusão entre informação e publicidade, sendo que as entrevistas cedidas pelos clubes chegam a ter como prioridade os interesses publicitários das agências.

Mas quanto a preferências, os números não mentem: nos últimos 6 anos os programas mais vistos em Portugal foram jogos de futebol, o que espelha a paixão dos portugueses ‘pela bola’. Ou, melhor dizendo, “as pessoas não são adeptas do futebol, são adeptas do F.C.P., do Benfica, do Sporting”, ressalta o jornalista.

 

Face a tudo isto, conclui-se que o jornalista desportivo deve desenvolver, com a experiência, uma performance equilibrada: conjugando a missão jornalística com o imediatismo da emoção, driblando interesses das agências publicitárias e dos clubes, mantendo sempre o fair play, para somar pontos e seguir na carreira.

 

Por: Ana Azevedo

publicado por anaclaudiaazevedo às 11:54
tags:

Maio 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
13
14

15
18
19
20
21

25
28

29
30
31


pesquisar
 
blogs SAPO