Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

17
Mai 11

Sinopse:

 

 

Cal Mc Caffrey (Russell Crowe) é um jornalista de investigação de Washington Globe, que tenta desvendar um assassinato onde estão implicados alguns dos maiores políticos e empresários dos EUA.

Stephen Collins (Ben Affleck), é um carismático e promissor político, que é visto como o futuro do partido. Todos os olhos estão sobre a estrela em ascensão, para ser candidato do seu partido, na próxima corrida presencial, até que a sua assistente e amante é brutalmente assassinada e todos os segredos, até então enterrados, começam a ser revelados.

Mc Caffrey, um velho amigo de Collins, foi destacado pela diretora do jornal, Cameron (Helen Mirren) para investigar o caso. Com ele, a sua colega Della (Rachel Mc Adams), tentam desvendar a identidade do assassino, numa operação de encobrimento que ameaça abalar as estruturas de poder da nação.

Numa cidade de “spin-doctors e políticos ricos”, ele descobrirá a verdade, mesmo estando milhões em jogo.

 

 

 

Breves Comentários:

 

State of Play, é uma história elaborada, com tendências para uma grande reportagem. Apresenta com maturidade, em como um tipo de jornalismo, tem um impacto substancial na política e no discurso público.  Apresenta-nos que é possível, quando um grupo de jornalistas colabora, com vastos recursos, para investigar uma história que pode ter implicações para todos os americanos.

 

Leva-nos a refletir para um dos problemas do jornalismo impresso, que cada vez mais, tem tendências para o seu desaparecimento. Para muitos, podem regozijar-se com a noção de um futuro inteiramente digital para o jornalismo, onde a informação é acessível, os factos são acompanhados frequentemente e de fácil utilização (jornalismo cidadão). Esta tensão na indústria do jornalismo, trouxe para o cinema o filme State of Play, inspirado numa série da BBC, que durante o seu desenvolvimento, funciona como um puzzle, em que à medida que as peças se vão unindo, o público começa a interessar-se pela história.

 

A preocupação do realizador em garantir a fluidez da narrativa, essenciais no jornalismo, põe à tona alguns elementos, tais como, a ética (o jornalista é amigo do político envolvido) e o futuro do jornal impresso (manchetes convidativas para vender versus a informação gratuita online). Além da conjuntura ética, existe um romantismo que envolve a profissão jornalística do início ao fim. Há uma trama política, mas na minha opinião, a intenção é a de reaver a figura do bom e velho repórter, que é capaz de se arriscar, por uma boa matéria.

 

Agindo como se fosse um detetive, chegando ao limite da linha ética da profissão, já que a matéria inclui um escândalo que envolve um amigo. Mc Caffrey é o exemplo perfeito do jornalismo de investigação, vertente que no quotidiano atual é pouco trabalhado, por inúmeros motivos. Dois deles são evidenciados no filme; a crise do setor editorial, com a redução drástica na circulação de publicações tradicionais, e o avanço do jornalismo online.

 

Creio que este filme é de interesse público, porque a história desperta-nos à curiosidade e interesse para descobrir realmente o que aconteceu. A sociedade tem necessidade de saber, e o jornalismo de investigação tem essa função, dedicando-se a desvendar situações complexas, geralmente ocultas, que implicam um maior esforço do jornalista.

Neste filme há questões jornalísticas que podem ser levantadas, tais como a ética, que nos reporta a pensar e a agir em torno da liberdade, verdade e interesse público. Quem diz a verdade? Quem quer a verdade? Quem distorce os factos? Dúvidas complexas que surgem durante o desempenho da profissão de jornalista.

 

O jornalista atua como se fosse uma balança de equilíbrio de verdades, nesse espaço público, chamado comunicação. A informação jornalística tem um papel harmonizador dessa esfera pública, onde as pessoas e ideias circulam com liberdade.

 

Para terminar, uma boa parte do filme põem em causa a questão de liberdade e da razão, sendo a última, a condição que torna o homem consciente da sua individualidade e do seu convívio coletivo. Porém, nota-se que por parte de alguns jornalistas do filme, a liberdade que permaneceu foi a liberdade de escolha, ou seja, a busca intensa do desejo de saber, escrever, de ser o melhor.

 

Este filme, pode ser evocado como um dos grandes filmes do Jornalismo, sendo inevitável a ligação jornalística ao filme All the Presidents Men.

 

Por Anabela Pestana



O texto está escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico

publicado por anabelapestana às 01:02

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