Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 11

 

O filme State of play remete-nos para áreas e tipos do jornalismo especializado como o crime, a política, o ciberjornalismo, e mostra-nos todo o percurso de uma investigação jornalística. Cal McAffrey, um experiente jornalista da imprensa, vê-se envolvido numa constrangedora situação: surge um caso relacionado com um escândalo cujo protagonista é Stephen Collins, deputado e amigo de longa data do jornalista. Inicialmente, Cal manteve-se distante o quanto pode. Mas ao descobrir uma série de interligações relacionadas com o caso, interessa-se por este e passa a trabalhar na sua investigação. O jornalista, para além de se sujeitar a vários riscos, enfrenta um verdadeiro dilema, pois sente-se dividido entre a missão jornalística - a necessidade de apurar a verdade dos factos – e a relação de amizade que nutre por Stephen – que o leva a tentar protegê-lo.

 

“Teria de ler um par de blogues antes de formar uma opinião”

 

No filme, Cal é um profissional que trabalha há 16 anos no jornal Washington Globe. Della Frye é uma jornalista digital que trabalha para a versão online deste. Cal, um profissional conservador, não vê com bons olhos o jornalismo digital, acha-o demasiado insensato, pouco fundamentado e por isso implica com o trabalho de Della, subestimando-a. O jornalista revela algum receio, 'mascarado' de desdém, face às novas tecnologias. A partir do momento em que passam a trabalhar em equipa apercebe-se que a repórter tem potencial e que cumpre as competências jornalísticas. É visível no filme a clara distinção entre versão online e a impressa, a nível de conteúdos, procedimentos.

 

“Isto não é uma história, é um caso”

 

 Cal parte do caso do assassinato de 2 homens, aparentemente desconhecidos, sem qualquer relação com outro tipo de causas, o que lança a dúvida no ar. Mal começa a investigar apercebe-se de uma grave ligação entre este e o caso em que o seu amigo Stephen está envolvido. O jornalista vai seguindo as pistas e passa a ter a visão de todo um contexto possível, pensa em várias hipóteses, considerando tudo o que lhe parece fazer algum sentido. Nem sempre utiliza os meios mais usuais, recorre a formas extra-oficiais para obter a informação que precisa, no entanto não deixa de ter em conta a responsabilidade jornalística. O seu trabalho passa por averiguar essas conexões, verificar a sua origem, procurar fontes e confronta-las entre si, consultar ficheiros relevantes, enquadrar o caso (enquadramento legal), procurar evidências, confirmar os factos. Nestes procedimentos, e tendo em conta que o caso envolvia questões policiais e políticas, o jornalista muniu-se do máximo de precauções. Questões levantam novas questões, num ciclo vicioso que o transporta para diferentes cenários: ora está a investigar no terreno, ora está a negociar informação com a fonte, ora está descobrir novas interligações. Para além disto, há toda uma pressão relacionada com prazos a cumprir, os lucros do jornal. O jornalista tem que lidar com tudo isso, mantendo o máximo de isenção, sem por em risco o interesse da investigação.

 

“Tenho de ser ambos”

 

Ao longo do filme há uma questão pertinente, relacionada com conflito do interesse profissional e pessoal. Cal tenta proteger Stephen, mas a um certo ponto a investigação toma outro rumo, e passa a usá-lo como mais uma fonte. A sua relação pessoal coloca-o em circunstâncias muito especiais, com acesso privilegiado a uma série de informações cruciais, mas que o levam a questionar qual o interesse que se sobrepõe: fazer uma boa notícia que faria disparar as vendas do jornal ou ajudar e salvaguardar o amigo do interesse dos media em explorar o caso? O jornalista vive este paradoxo mas no final vence a verdade, e Cal cumpre o seu dever profissional, que neste caso foi entregar o amigo à polícia, pois descobre que Stephen é culpado do crime.

 

O acto do jornalista leva-nos a reflectir sobre o propósito da investigação jornalística – a denúncia de situações escondidas ou deliberadamente omitidas – e o papel do jornalismo como cão de guarda da sociedade.

 

 

Por: Ana Azevedo

 

 

 

publicado por anaclaudiaazevedo às 11:45

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