Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

23
Mai 11

Good night and good luck é um excelente filme para contrastar épocas, nomeadamente: o que é a televisão de hoje e outrora. O conceito do que era “fazer televisão”, nada tem que ver com o da actualidade.

As diferenças são enormes, houve uma evolução notória na televisão. Desde a tecnologia à publicidade.

                No filme é flagrante a pressão externa exercida no canal “a história que vai passar amanhã não tem valor. Por isso, antes de fazer alguma coisa que não possa ser desfeita, aconselho-o vivamente a reconsiderar a sua posição” por poderes de soberania e uma constante medição de forças por estes. Neste caso, é visível o domínio do jornalismo como quarto poder na sociedade. Por conseguinte, estas situações podem levar a ameaças “são águas muito perigosas as que está a tentar navegar”.

Até determinado momento, a CBS, tomava partido em determinadas situações “Sr. Friendly, temos sido amigos e aliados do Sr. Murrow e da CBS há muitos anos”. Desde que a CBS tomou uma posição independente e de servir única e exclusivamente o público, teve que enfrentar várias frentes para manter esta posição “ele acha que um senador derruba um jornalista”. O profissional é atacado pessoalmente, a partir do momento que dá a cara num assunto que gera confronto com outras entidades “eu sou forçado pelo facto de dizer-vos que o Sr. Edward R. Murrow há 20 anos atrás estava envolvido em propaganda de causas comunistas”. Há ataques directos entre jornalista e o senador, algo impensável nos dias de hoje. O início da procura da verdade “mas tentei procurar a verdade com diligência e apresentá-la” traz a olhos vistos sequelas aos jornalistas e aos órgãos de comunicação.

               

Quanto a publicidade, existe uma grande diferença entre as duas épocas. Nos primórdios da televisão como demonstra o filme, são os pivôs que fazem a publicidade. São eles que lêem os spots publicitários. O canal de televisão faz o papel de mediador, mas o jornalista também faz esse papel. É ele que passa a publicidade para casa dos espectadores. A cara/imagem do pivô está directamente relacionada com a publicidade. Nos tempos de hoje é impensável, as promoções são feitas pelas próprias empresas/instituições ou por agências de publicidade onde a televisão simplesmente dá espaço para a passar aos telespectadores. Um produto já feito, com caras, com registo da própria marca. Há uma fronteira muito bem delineada do que é informação e publicidade hoje, que antes não se via. Era uma mistura das áreas. Para além desta união, os jornalistas levavam os seus próprios vícios, como fumar tabaco, para o pequeno ecrã. Hoje, é totalmente proibido qualquer situação destas, ou seja, de conotação negativa.

                O filme reflecte como é importante ter o apoio das chefias ou direcção para o jornalista trabalhar em condições confortáveis ao seu trabalho “Estou contigo hoje, Ed, e estarei amanhã”.

                Relativamente à parte técnica também existe grandes avanços. Não só quanto ao teleponto, como podemos constatar pelo filme era feito em papel de cartaz em letra grande, de modo a poder-se ler à distância, passando um a um conforme a leitura do pivô. Hoje não se vê isso, o teleponto já não é em papel nem escrito à mão. A contagem decrescente para o lançamento do pivô “no ar” era feita com um relógio de bolso. Hoje, o tempo é mais controlado, não pode haver falhas nem sequer com os segundos. A contagem decrescente actualmente é feita de outra maneira, para os noticiários é realizada no próprio ecrã de televisão.

                A televisão é vista como uma mediadora “o que quer que aconteça nesta área da relação entre o indivíduo e o estado, seremos nós a fazê-lo”. Actualmente, é muito mais que isso, é-lhe exigido muito mais. A televisão de hoje para além de mediadora, tem que ter outras preocupações, nomeadamente: no sentido pedagógico relativamente ao público, linguagem simples mas ao mesmo tempo cuidada para chegue a qualquer classe, ser o primeiro a dar a notícia (em primeira mão, exclusivos), cuidado na abordagem de determinados temas com especialistas e acima de tudo ter imagem nos assuntos abordados. A imagem em televisão é fulcral e não há silêncios. Tudo isso é trabalhado ao pormenor para agradar o telespectador, essas preocupações não são visíveis no filme, na CBS de outrora.  

                A régie de vídeo era totalmente diferente da que existe hoje. A tecnologia é outra, muito mais avançada.

Um filme diferente, apesar de recente (2005) foi transportado para os tempos em que os filmes eram a preto e branco. Com uma identificação peculiar, conduz-nos aos primórdios da CBS para fazer o contraste com a actualidade.

 

 

 

Por: Carina de Barros

publicado por crnbarros às 12:03

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