Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 11

 

“Good Night and Good Luck” apresenta a versão cinematográfica de uma importante batalha jornalística.

 

Entre o glamour característico dos anos 50 e a crescente preponderância da televisão no quotidiano americano, a ameaça comunista origina uma verdadeira perseguição, a que os órgãos de comunicação não foram excepção. O Senador Joseph McCarthy torna-se mentor de uma investigação obsessiva, que atropela as liberdades civis de cada um, afirmando estar a proteger o país da infiltração comunista. Porém, as suas investidas deparam-se com alguém que não aceita compactuar com tal situação. Edward R. Murrow, um prestigiado jornalista da CBS, avança com a denúncia de uma realidade injusta, descredibilizando a propaganda metafórica de McCarthy e os seus intuitos. O seu trabalho origina um confronto mais ideológico do que propriamente político, cujas consequências assume, ciente da responsabilidade social dos media e da importância de relatar determinados factos, cruciais para a formação da opinião pública. A história centra-se na performance destas duas personagens, mas o verdadeiro protagonista será talvez o poder da informação, ou seja, o seu potencial quando canalizado para o interesse público.

 

Este filme remete-nos aos primórdios do jornalismo televisivo, onde não havia teleponto; onde publicidade e entretenimento se misturavam com informação; onde os pivots promoviam hábitos de vida, emitiam opiniões e apelavam directamente aos telespectadores…práticas hoje não aceites pela deontologia profissional. Contudo, há uma série de pontos comuns à essência jornalística que se mantém na actualidade. Durante a trama, verificamos que são muitas as pressões e vários os constrangimentos a que um jornalista está sujeito. A personagem de Edward demonstra presente a preocupação em produzir conteúdos noticiosos independentes da influência política e económica - reportando acontecimentos sem servir influências - daí a sua procura pela isenção e imparcialidade. Por outro lado, a exigida objectividade jornalística colide com os valores da empresa que representa, o que dificulta o seu caminho. Gera-se todo um contexto problemático e incompatível: ao entrar em confronto com o senador, arrisca o próprio emprego uma vez que o canal perde patrocínios e, consequentemente, perde também lucros. Assim, o jornalista entra em confronto também com a direcção do órgão de comunicação. Esta tenta persuadi-lo a abandonar a investigação que iniciou, receosa dos prejuízos que viria a trazer. Edward discorda do interesse comercial subjacente à função da comunicação social, mas apercebe-se da posição desconfortável em que coloca a CBS, e certifica-se de que está a explorar o caso de forma segura, avançando com factos devidamente fundamentados. É dada ainda, ao senador, a oportunidade de se justificar, através do direito de resposta.

O trabalho do jornalista começa a ser reconhecido, nomeadamente na própria esfera comunicacional, e o caso ganha tamanha proporção que o senado passa a investigar McCarthy. Contudo, a direcção decide tirar o seu programa do horário nobre, numa tentativa de desviar as atenções públicas da polémica para outros formatos, especialmente ligados ao entretenimento.

 

No filme, a televisão serve de palco a um confronto mediático que reflecte o papel fundamental dos meios de comunicação na modelação das opiniões - como veículo privilegiado no contexto democrático - o que ilustra uma outra questão: a preponderância dos  media como quarto poder da sociedade.

 

 

Por: Ana Azevedo

publicado por anaclaudiaazevedo às 22:33

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