Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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              Do que se pode falar sobre jornalismo desportivo em Portugal? Será que engloba todos os desportos que existem ou só apenas aqueles que os telespectadores/ leitores quem ver/ler? Como é que a imprensa trata estes assuntos no dia-a-dia? Será que todos os dias as pessoas compram um jornal diário para ler sobre o futebol ou outros desportos?

Hugo Gilberto, Jornalista desportivo da RTP, esteve presente na Universidade Lusófona do Porto para falar aos alunos sobre Jornalismo Desportivo. Muitas perguntas ficaram no ar à medida que o jornalista ia expondo a sua análise de jornais desportistas, jornais generalistas e também sobre desportos na televisão. 

Uma conclusão que se retira é que desporto em Portugal é só futebol. Infelizmente para as outras modalidades que ficam sem ser reconhecidas porque “não têm imagem na televisão” ou felizmente para os jogadores de futebol que têm sempre atenção da comunicação social pois nos jornais diários como “O Jogo”, “O Record”, ou a “A Bola”, dedicam as suas páginas principais só ao futebol e as restantes páginas aos outros géneros de desporto. Mas, pergunto, então, qual o interesse dos leitores ao lerem seis páginas (por exemplo) sobre um treino de futebol ou uma análise sobre a equipa de futebol que podem passar por meras especulações?!

“Trabalhar num território de emoções”, o jornalista mais do que dar informação, quer provocar emoções nos adeptos, porque, segundo Hugo Gilberto, há uma necessidade fisiológica ligada aos jornais desportivos. Já vem da história do desporto que o futebol é o desporto por excelência e ao longo dos tempos fomos vendo jogadores nas primeiras manchetes dos jornais especializados e generalistas, ou em directos de estádios de futebol, etc. Nos nossos dias o Jornal de Notícias vende p/dia cerca de 100mil exemplares e o Jornal Público vende p/dia cerca de 30 mil exemplares, a seguir está o jornal diário “O Jogo” com a sua maneira muito criativa de expor os títulos e começar as suas reportagens, fugindo ao que se chama de jornalismo neutro e imparcial.

No entanto, as regras são as mesmas. A função do jornalista é ser um observador neutro, escrever sem qualquer opinião e/ou comentário, ter que seguir as regras do jogo jornalístico, mas não é isso que se lê nos nossos jornais. Por exemplo: as capas de um jornal desportivo já são feitas para vender, não para informar. As fotografias são usadas numa tentativa de chocar, e todo o jornal está carregado de criatividade e cor que consegue chamar a atenção de qualquer despercebido. Já um jornal generalista, por exemplo, o público segue a sua linha editorial (assim como o desportivo), mas numa maneira que se pode chamar, na minha ideia, jornalística.

A função do jornalista é ser um “representante do cidadão no espectáculo do mundo”, não dar espectáculo ao mundo. Para mim o jornal desportivo, não se devia chamar jornal, apenas uma “revista” que conta com a ajuda de adeptos, com as suas ideias ou crenças de quem vai ganhar o próximo campeonato.

 

Luana Barbosa



 
publicado por luanabarbosa às 19:12
editado por jornalismoespecializado em 14/03/2010 às 00:49

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