Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 11

Bem-vindos ao maravilhoso mundo do 3D

É global. É a obrigatória evolução tecnológica. O uso do 3D está a pouco a pouco a ocupar um lugar concreto e importante e lucrativo no que diz respeito às inovações tecnológicas.

Recuando no tempo, foi no início do século XX que começaram as experiências com as televisões. Primeiro a preto e banco e depois a cores. Depois, lentamente, com anos de intervalo, vieram os plasmas, as LED (Light Emitting Diode - Diodo Emissor de Luz) e as HD (High Definition – Alta Definição).

Embora a nova moda de entretenimento tenha ganho um destaque gigante com o filme Avatar de James Cameron em 2009, o conceito não é recente. Foi em 1952 que aconteceu a primeira tentativa de cinema 3D na América. Contudo a fragilidade da época não permitiu que fosse desfrutado e visto como algo concretizável mas criou entusiasmo.

Actualmente podemos encontrar a tão ambicionada imagem tridimensional em filmes, televisões, consolas, máquinas fotográficas, projectores e futuramente no pequeno telemóvel.

Os óculos de papel com uma lente de cada cor ficaram no passado. Agora temos ao dispor uns óculos modernos, flexíveis. Quem já viu filmes em 3D nos cinemas portugueses encontrou os X101 Xpand, produzidos pela multinacional Xpand. Uma invenção recente, os óculos possuem baterias substituíveis e cada pilha média aguenta 80 horas activa. A substituição é simples e pode ser feita em casa. O design e conforto não foram esquecidos e o aspecto moderno é complementado por duas partes flexíveis que se ajustam à largura da cabeça. A sua durabilidade é ilimitada. Estão adaptados para as salas de cinema assim como para algumas televisões. (A empresa Xpand está sediada em várioa pais países pelo mundo, divulga e aposta a ferramenta em quatro campos – 3D Cinema; ED Home; 3D Gaming e 3D Education.)

Actualmente podemos encontrar dois tipos de óculos: anáglifos e polarizados. Os primeiros são os que utilizam um filtro vermelho e outro azul. As cores são específicas para o efeito – uma parte da imagem é vista pelo olho que tem a cor vermelha, outra pelo que tem a azul. Mais recentes são os polarizados em que se usa luz polarizada para separar as imagens da esquerda e da direita sem ser necessário recorrer a lentes de cor diferente. A polarização é o fenómeno, através do qual a luz adquire oscilação a partir de um determinado plano.

Mas nem tudo corre bem para a nova coqueluche da tecnologia e não demorou a haver o reverso da situação. Numa notícia publicada via internet a empresa Samsung alerta os consumidores dos malefícios do 3D. “Alguns espectadores podem experimentar ataques epilépticos após a exposição a imagens intermitentes de algum filme ou videojogo”, refere. Destinado a idosos grávidas, pessoas com insónia e pessoas que tenham ingerido álcool, o alerta anuncia os seguintes sintomas: visão alterada, movimentos involuntários como espasmos musculares, perda de consciência, confusão, sensação de enjoo ou náuseas, convulsões, cãibras ou desorientação. Aconselha aos espectadores a garantir uma distância segura entre a televisão e os olhos e, se possível, fazer pausas durante o visionamento.

O Efeito

O efeito final em 3D é obtido com a sobreposição específica de duas imagens que devem ser vistas com uns óculos próprios cujo propósito é criar uma imagem diferente para cada olho e consequentemente o cérebro criará a ilusão de profundidade. É assim que se obtém momentos d

istintos da mesma figura – profundidade, distância, tamanho e até movimento. De explicar que este processo tem o nome de visão estereoscópica. Para obter o resultado final, duas imagens são projectadas em pontos distintos e ambas devem ser devem ser captadas ao mesmo tempo para criar a sensação de realidade. As câmaras estereoscópicas que simulam a visão humana são colocadas a aproximadamente seis centímetros uma da outra (a distância média entre os olhos de uma pessoa).

João Alves de Sousa, docente na área do 3D na Universidade Lusófona do Porto considera que ‘’mais cedo ou mais tarde a maioria dos conteúdos audiovisuais começarão a ser transmitidos em 3D. Apesar da estereoscopia não ser indispensável, acaba por ser uma evolução natural, como a da televisão a preto e branco para cores ou os telemóveis com teclas para os Touchscreen’’.

Os Programas

Programas como, Blender, Cinema 4D, Maya, ZBrush (usado no Senhor dos Anéis), SketchUp ou 3DS Max são as ferramentas que os peritos do 3D usam para criar os cenários. Complexos demais para alguns, nascem por todo o lado cursos para aprender a animação: pós-graduações, mestrados e cursos livres começam a ser intensamente procurados por amantes da áres ou apenas curiosos que pretendem aprender mais.

A Sala IMAX

As salas IMAX estão espalhadas por cerca de quarenta países, essencialmente na América mas conta também com duas no Brasil. Em 1995 Portugal teve uma em Vila Franca de Xira que acabou por fechar. Pioneiras na execução do 3D em telas quase gigantes (as maiores do mundo estão localizada no IMAX Theatre Sydney na Austrália, com tamanho de 1.051 m2 e em Mumbai na Índia com uma tela de 1.180 m2 nos Big Cinemas IMAX) proporcionam aos espectadores momentos inacreditáveis. O som pode atingir ao 14 mil watts de potência, a tela, côncava ou rectangular permite os presentes sentir que estão lado a lado com as projecções. João Alves, docente na ULP já presenciou o impressionante efeito de profundidade no Futuroscope em Poitier, França. Considera que nas salas portuguesas o efeito é ainda demasiado subtil.

O Futuro

Em relação aos televisores 3D prevê-se que as vendas aumentem cinco vezes. Assim sendo, espera-se que até ao final de 2011 sejam vendidos cerca de 23,4 milhões de televisores com a visualização 3D. Segundo a iSupply (http://www.isuppli.com) até 2015, deverão ser vendidos mais 159 milhões de ecrãs a produzir imagens estereoscópicas. Segundo a agência noticiosa Reuters, o ranking das vendas é liderado pela Sony e LG.

Em Portugal, a Samsung Electrónica Portuguesa foi a primeira marca a lançar para o mercado televisores 3D em Maio de 2010. Actualmente, os preços das várias marcas variam. Os mais baratos rondam os 600 euros enquanto os mais caros podem atingir perto dos 2 mil euros.

A Toshiba deu já um passo e à frente é a primeira a planear protótipos para ver 3D sem os óculos afirmando que ‘’ os utilizadores não vão ter um aspecto estranho quando estiverem a ver o seu filme preferido com os amigos’’. Com o nome Toshiba Regza GL1 o produto estará disponível em Dezembro no Japão mas ainda não há planos de vendas para o mercado internacional. As operadoras de telecomunicações não deixaram de acompanhar o fenómeno. Em Março de 2010 a Zon anunciou uma parceria com a empresa britânica Quantel (que forneceu o equipamento para as filmagens do filme Avatar). "É ainda uma tecnologia cara e com pouco conteúdo e cuja massificação vai demorar algum tempo", referiu na altura Ricardo Costa, presidente executivo da Zon. O equipamento totalmente equipado disponibilizado pela Zon irá custar cerca de 9 mil euros mas um mais barato ficará por cerca de 3 mil.

A Meo não se deixou ficar e no mesmo mês iniciou a divulgação do 3D com um anúncio com os Gato Fedorento como protagonistas e acções de promoção na rua. Emite já alguns programas, essencialmente concertos no formato 3D mas não divulgou para já datas para o lançamento de equipamentos.

‘’O efeito 3D é especialmente interessante na integração em videojogospois pode alterar a jogabilidade permitindo ao utilizador ter uma melhor noção da profundidade. Penso porém que o 3D só vai ser completamente aceite em todo o tipo de dispositivos electrónicos quando estes deixarem de recorrer ao uso dos óculos’’. Diz o docente João Alves. A Nintendo, líder no mercado de consolos e videojogos já pensou no assunto e tem no mercado a Nintendo 3DS. Lançada em Março de 2010, a consola bate recordes de vendas.

Com anúncios publicitários na televisão com caras conhecidas, foi pensada para atingir várias faixas etárias e programada de forma a ser ‘’amiga’’ do utilizador. Dispõe de um botão onde se pode aumentar ou diminuiro efeito 3D, podendo diminuir até ao já conhecido 2D. De salientar que é a única que não necessita do uso de óculos para obter o efeito. Por ser algo a que as crianças estão habituadas a usar, a Nintendo reforçou as medidas de segurança e foi criado um sistema de controlo parental que consiste num número PIN que os pais podem usar para restringir aos filhos a utilização do modo 3D.Visto que até aos seis anos de idade a visão ainda está em fase de desenvolvimento são cuidados necessários. Fica em suspenso qual será o próximo passo das consolas visto já se ter ultrapassado os óculos.

No fundo, responsável pelo boom do 3D, o cinema que já tinha uma grande aposta vai continuar a fazê-lo. Um dos filmes que merece destaque é reestreia do filme Titanic desta vez em 3D. A Paramount Pictures, a 20th Century Fox e a Lightstorm Entertainment divulgaram oficialmente a data - 6 de Abril de 2012, altura em que se assinala 100 anos do naufrágio.

Produzido por James Cameron, responsável também pela versão original, é esperado que o espectador se sinta dentro do navio.Desde a criação da Disney Digital 3D que a produção de filmes no formato não parou. Avatar, Shrek para sempre, Alice no País das Maravilhas são alguns dos mais conhecidos. Mas já desde 1993, com um notório avanço em 2005 que a Disney produz experiências nas animações. O primeiro filme lançado em 3D com actores reais Hannah Montana & Miley Cyrus Show: O Melhor dos Dois Mundos em 2008.

Até este momento são perto de vinte os filmes produzidos e até ao final de 2012 espera-se pelo menos mais sete filmes no formato. A Disney possui uma equipa que se dedica inteiramente ao formato e cada filme de cento e poucos minutos pode demorar dois anos a ser concluído.

Depois das televisões, o próximo objectivo será adaptar o 3D a visores mais pequenos – telemóveis. A ideia não é recente, mas o desenvolvimento está ainda a ser concebido. A Sharp foi a primeira na criação de um telemóvel adaptado o Aquos Phone The Hybrid 007SH que por enquanto está apenas disponível no mercado japonês. Por Portugal, A PT (Portugal Telecom) conta com alguns protótipos que esperam estar activos nos próximos anos.

Em Maio deste ano durante quatro dias Barcelona recebeu a feira Mobile World Congress 2011 a maior destinada a telemóveis. Contou com cerca de 1300 expositores oriundos de 200 países. Os telemóveis 3D foram, naturalmente, a principal atracção. Foi levantado o véu sobre o que aí vem: a Sony Ericsson vai apresentar um novo telemóvel Xperia, o Xperia Play ou PSPhone que lê jogos Sony Playstation; algumas maiores operadoras de telecomunicações do mundo como a Verizon, a China Mobile e a Vodafone irão unir-se numa parceria que dará que falar.

Mitsubishi, Sony, LG, Sharp ou Samsung são algumas das marca que estão a lançar no mercado projectores 3D. A apresentação tridimensional de imagens em vídeos é a tendência dominante nos dispositivos electrónicos. É uma forte alternativa às televisões 3D ou cinemas com a facilidade de se poder ligar a várias fontes - consolas, leitor Blu-ray ou ao um simples computador atingindo uma resolução de imagem de até 1.920 x 1.080 pixéis com ou sem óculos. Mas não são só as casas que estão a recebê-los. As projecções 3D em edifícios estão a tornar-se uma moda que todos querem agarrar e existem já empresas específicas a trabalhar para a finalidade.

Estas animações foram usada em Dallas no Texas para fazer a promoção do filme o Turista e para o décimo nono aniversário do Dia da Independia na Russia, respectivamente:

publicado por Catarina às 21:21

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