Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

08
Jun 11

 

A acumulação da aprendizagem na Universidade e o investimento profissional e pessoal, é indispensável para avançarmos nos projectos do quotidiano jornalístico.

O exemplo da jornalista Elvira Calvo, actual docente da Universidad Complutense de Madrid, como convidada da aula de Jornalismo Especializado, debateu várias questões relacionadas com o aparecimento do Jornalismo Económico em Espanha e do seu percurso profissional na área.

Para Elvira Calvo, são poucos os jornalistas que se interessam por esta área, dada a sua complexidade. A propósito desta questão, refere que apesar de a Economia ser uma área exigente, foi a mais recompensadora do ponto de vista profissional e pessoal.

Expansão do Jornalismo Económico em Espanha

 

A jornalista Elvira Calvo não deixou de referenciar que foi por conservadorismo que se difundiu um mito, segundo o qual, as páginas de Economia dos jornais só interessavam a economistas, executivos, empresários ou profissionais do mercado financeiro. O que para muitos podia parecer um tema complicado, tornou-se um “guia de sobrevivência” para a vida quotidiana de todos os cidadãos, porque aborda notícias sobre juros e inflação, assuntos preocupantes para a grande maioria.

Ditando que marco do desenvolvimento do Jornalismo Económico em Espanha decorreu nos inícios dos anos 80, com o crescimento e sofisticação do mercado financeiro, a jornalista argumenta, que prova disto, foi a coexistência de vários jornais financeiros, dedicados a notícias económicas e à instalação de agências internacionais como a Reuteurs Bloomberg News, a criação de programas especializados de Rádio e Televisão, o sucesso da Radio Intereconomia, e até mesmo a existência de alguns canais televisivos temáticos especializados em Ecomonia.

Nos finais da década de 80 inicios de 90, aliada à falta de familiaridade com assuntos económicos do público de classes sociais mais baixas, nasce a Radio Intereconomia, envergando uma preocupação didáctica com os seus ouvintes.

Difundido 24 horas sobre 24 horas de emissões, as explicações eram detalhadas o suficiente, para que os temas fossem entendidos por todos os ouvintes, mantendo ao dispor do público, espaços abertos para esclarecimentos sobre o significado de expressões, ou então, indagando sobre as melhores opções de rendimento. Este formato, tentava apoiar as pessoas a organizarem as suas economias. Prestar serviços, foi a saída encontrada pela Radio Intereconomia, para atrair a atenção do público.

 

Os finais dos anos 80 inícios dos anos 90, foram bem-sucedidos em termos de Jornalismo Económico, como refere a convidada. Os jornais de informação generalista começaram a conceber cada vez mais espaço para notícias económicas, e não apenas nas páginas da secção económica, tal como acontecia à semelhança de grandes jornais internacionais. Recorriam a páginas especiais, predominando a cor, conhecidas como “suplementos salmão”, que serviam para difundir conteúdos económicos.

Aproveitou, para citar alguns exemplos que se destacaram na Imprensa espanhola, além do pioneiro Expansio destacou o Cinco Dias, La Gaceta de los Negócios, El Economista e o jornal Negocio&Estilo de Vida.

Assistiu-se a uma era, em que a Imprensa cada vez mais, se especializava em informações sobre acções e empresas. Situação aproveitada pelo grupo empresarial Recoletos, para publicar uma edição de um jornal financeiro o Expansion, que liderou o mercado nessa epoca, a par com o jornal Cinco Dias. Este último criou uma nova forma de informação debruçando-se sobre temas de negócios e finanças. Actualmente pertence ao grupo Expansion y Prisa, editor do El País. Este jornal contempla os principais problemas da economia nacional e internacional, embora neste momento, se debate com uma crise bastante controvérsia, que tem levado ao despedimento de muitos jornalistas.

La Gazeta de Los Negócios tinha como objectivo simplificar a linguagem e a abordagem das notícias económicas. Alguns anos mais tarde, este jornal foi renovado, com o objectivo de fornecer informação mais generalista, além de ter alterado a denominação para Gaceta. A jornalista espanhola, referiu que este jornal no seu país está conotado politicamente, com ligações a uma fracção político-partidária de extrema-direita.

Por último, referiu que o jornal El Economista foi um projecto recuperado de uma antiga publicação, que embora não tenha muito êxito, mas sobrevive até aos nossos dias. Contrabalançando com o jornal Negocio& Estilo de Vida , que é o diário gratuito de informação económica com maior distribuição no país.

 

 

 

Uma Nova Linguagem nos Meios de Comunicação

 

Em 2007 os orgãos de comunicação passaram por uma crise. Elvira Calvo explicou que a causa deve-se à fragmentação de audiência e ao progresso da tecnologia, que permitiu a mudança de mentalidades.

Os grupos gestores dos média espanhóis e internacionais sofreram grandes alterações, entre os quais o grupo Recoletos que desapareceu e outras publicações financeiras foram ajustadas às novas necessidades, tais como a plataforma digital e a implementação digital TDT a funcionar já por todo o país.

No que diz respeito à televisão, destaca-se a tentativa americana da CNBC para difundir através do canal Intereconomia TV, alterando-a para uma televisão generalista, e ao encerramento da TV Bloomberg Espanha.

 

 

 

 

Jornalismo Económico On-Line

 

Neste âmbito a jornalista Elvira Calvo, tem uma opinião pessoal, de que o jornalismo económico on-line cresceu de forma acelerada nos últimos anos e que as Universidades ainda não “despertaram” para este novo mercado, porque não informam sobre ele, nem formam estudantes aptos a trabalhar nesta vertente.

Em Espanha, a Reuters e a Bloomberg são as empresas que disputam pela liderança deste mercado, e as informações que veiculam, estão presentes em terminais de computadores de operadores de Bancos e de Departamentos Financeiros de grandes empresas.

Neste cenário, os portais de economia estão posicionados como uma alternativa ao papel. Surpreendida pela proliferação de portais financeiros, define uma clara tendência na mudança de hábitos dos leitores de informação financeira, através de portais, diários económicos digitais, blogues. A jornalista não deixou de comentar, que os serviços on-line dispoem de informações de extrema utilidade para o mercado financeiro, que nem sempre são reproduzidas pelo jornalismo impresso.

 

 

 

Breve Comentário Pessoal

 

Hoje, o Jornalismo Económico nos meios de comunicação estão menos preocupados com a explicação didática dos temas e em prestar serviços. Está mais focado na conjuntura dos efeitos das sucessivas crises económicas, qua afetam a vida das pessoas sem distinção, sejam pobres ou ricas.

Mesmo os noticiários de horário nobre, de maior audiência, divulgam assuntos económicos relevantes, tais como,os sucessivos acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as polémicas sobre as taxas de juros, o crescimento ou a queda da produção industrial e agrícola, o salto da balança comercial, o aumento do desemprego. Todos esses, são assuntos, que passaram a ser abordados, com naturalidade, nos principais meios de comunicação.

O exemplo da jornalista Elvira Calvo mostrou-nos a vantagem de assumir claramentre, e em tempo devido, a importância do enriquecimento em matérias menos abordadas nas Universidades para a nossa valorização profissional/pessoal.

 

Por: Anabela Pestana

publicado por anabelapestana às 22:39

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