Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 12

Five days of war, filme da autoria do realizador finlandês Renry Harlin, aborda dois cenários de guerra. De uma forma breve o Iraque e, posteriormente o conflito no Cáucaso, entre a Rússia e a Geórgia, por causa do movimento separatista da Odéssia do Sul.

O filme começa por ilustrar os perigos adjacentes ao jornalismo de guerra. Logo no início, é referenciado que no decurso da última década, mais de 500 jornalistas perderam a vida em zonas de combate. Tendo em consideração o caractér trágico de tais estatísticas, “ Five Days Of War” apresenta-se como uma dedicatória a todos os que foram vitimados em nome do jornalismo. O filme foi alvo de críticas por não contemplar o sacrifício pelo qual os soldados, bem como vários cidadãos, tiveram que passar. Focalizava essencialmente a acção dos repórteres, visualizados como heróis simultaneamente observadores e protagonistas dos acontecimentos.

Todavia, é indiscutível que em meros segundos e só com uma frase, o filme consegue exemplificar de forma explícita o esforço inerente à actividade jornalística. Apesar da prática desta profissão ser obviamente mais perigosa em ambientes bélicos (a namorada da personagem principal, o jornalista Thomas Anders, é morta no Iraque), todas as áreas jornalísticas têm um factor de risco. A divulgação de um escândalo político, por exemplo, pode fazer com que o jornalista se torne um alvo. A ânsia de se obter informações em primeira mão pode conduzir os jornalistas a ciladas e emboscadas. Tal como captar imagens de massacres ou de violações, são testemunhos importantes encarados como armas letais pelos seus autores. O filme apresenta essa situação quando os repórteres são presos pelos rebeldes ossetianos, apoiados pelos russos.

Outra das questões levantadas, embora de forma breve, é o carácter apelativo, e por vezes mesmo sensacionalista, do qual o jornalismo vive, sobretudo o televisivo, com programas como o” American Idol”. Durante a estadia no Iraque, o cameraman Sebastian Ganz convida o jornalista Thomas e a namorada Miriam a discutirem a sua vida sexual em frente à câmara, insinuando tratar-se de um tema mais interessante do que” uma guerra velha e chata”.

Apesar de ser feito em tom de brincadeira (num dos parcos momentos de descontracção presentes no filme) a dita cena capta na perfeição o facto de assuntos “tabu”, com carácter exibicionista suscitarem, muitas vezes, mais discussão e reacção, do que acontecimentos mais sérios e com consequências que podem mudar o mundo em que vivemos. Talvez uma referência à superficialidade do mundo ocidental.

A visualização desta obra cinematográfica permite-nos detectar outro aspecto negativo muitas vezes associado ao jornalismo. Em “Five Days of War” Thomas Anders viaja até Georgia devido a rumores sobre a iminência de um conflito. À medida que este se agrava, a missão da viagem passa a consistir em tentar que a reportagem saia do país para que o resto do mundo possa ter noção da violência que lá teve lugar. Esta escolha de enredo foi encarada por muitos críticos e espectadores como um mero acto de propaganda em favor da Georgia e contra a Rússia e a Odéssia do Sul.

Este tipo de acusação é frequente no jornalismo, pois é comum, por vezes, abordar-se certos temas com um registo parcial. É precisamente devido a essa má pratica que o conceito de objectividade jornalística tem sido amplamente discutido, sobretudo em faculdades e palestras. Qualquer que seja o tema alvo da peça jornalística, esta deve ser abordada de forma imparcial. Mas levantam-se algumas questões: o jornalista de guerra deve ser um mero observador? O seu trabalho é meramente informativo ou também é pedagógico? O jornalista pode alterar o rumo dos acontecimentos?

 

Jorge Alves

 

publicado por jorgerock às 09:52

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