Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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O jornalismo desportivo em Portugal pode ser divido em dois. O primeiro é aquele que se faz nos meios de comunicação generalistas e o segundo aquele que se faz na imprensa especializada. Esta divisão foi feita pelo jornalista Hugo Gilberto que esteve presente hoje na Universidade Lusófona do Porto para falar exactamente sobre jornalismo desportivo.

 

O desporto em Portugal é muitas vezes reduzido ao futebol, exemplo disso é o espaço que este ocupa nos jornais desportivos escritos quando comparados com o espaço que as outras modalidades ocupam. Esses jornais desportivos são “A bola”, “O Jogo” e o “Record”. Nestes jornais podemos ver uma lógica das emoções. Como Hugo Gilberto referiu é esta imprensa especializada um “território de emoções e paixões” e foi esta afirmação em particular que prendeu a minha atenção e que é um ponto de partida para analisar então as especificidades do jornalismo especializado.

 

O jornalista serve para dar notícias, informar, é o mediador entre as pessoas que nele confiam e o que se passa no mundo. Mas este mediador segue regras. O jornalista tem de ser objectivo e espirito de síntese, precisa saber filtrar a informação essencial e fundamental para informar formando o público. No jornalismo desportivo está lógica é alterada. Hugo Gilberto afirma que se passou de um espirito de síntese para um espirito de análise. O que é objectivo e fundamental já não é o suficiente. Para além do que é objectivo noticia-se também o que é especulativo, os prognósticos, as opiniões, a análise.

A teoria de que se escreve mais sobre futebol porque estas vendem mais do que notícias sobre ciclismo é compreensível (apesar de o jornalismo não se dever guiar por interesses económicos esta teoria é compreensível). Mas qual é a teoria que explica o abandono das regras jornalísticas e a adopção de uma escrita mais romancista? Será que o facto de o futebol mexer muito com as emoções dos seus adeptos justifica o não cumprimento dessas regras? Será que este não cumprimento é justificado por ser um tema de conversa muito recorrente? Na minha opinião não são razões que justifiquem a adopção dessa escrita romancista, mais criativa e menos rigorosa. Escrita que muitas vezes cai no trocadilho ridículo, nos chavões que não contribuem para a função de esclarecer o público. 

 

A grande importância dada à análise, ao comentário tornaram alguns comentadores conhecidos não pelas suas profissões mas pelos seus clubes. Há todo um espectáculo que se cria em volta do futebol e de tudo a que a ele está ligado.

Outras ideias foram lançadas por Hugo Gilberto. Uma que gostaria ainda de referir  uma última ideia, que se liga ao que escrevi anteriormente, que são as transmissões de futebol, principalmente os seus narradores. Hugo Gilberto salientou a importância de estes narradores serem jornalistas, pois apesar das opiniões e do espectáculo que se gera em torno de cada jogo de futebol, há uma carga informativa que com outros narradores não chegaria ao público.

A aula dada pelo jornalista Hugo Gilberto foi, na minha opinião, muito produtiva mas ainda assim perguntas ficaram por responder.

 


 

 

publicado por sararncardoso às 22:45
editado por jornalismoespecializado em 11/03/2010 às 15:59

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