Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 12

Antonio Soares

 

O filme de George Clooney "Boa Noite, e Boa Sorte" desenrola-se nos EUA entre os anos de 1954 e 1958 e retrata a relação em três diferentes partes: os Media, com os seus efeitos/manipulação, visto como o 4º poder; o Estado/Forças políticas/Forças económicas; e a Informação em si vista como o símbolo do poder.
A ação desencadeia-se com pressões sobre a expulsão de um jovem tenente das forças armadas, pelo pai e a irmã serem acusados de ler publicações de teor comunista, que no final da investigação jornalística acabaria por ser reintegrado nas forças armadas. Nesta época havia a chamada "Censura Murray", onde haviam reuniões para saber se os jornalistas tinham ligações comunistas.
Há uma frase emblemática no filme: "Se a TV serve apenas para entreter, divertir, serve para distrair, isolar e não educar, ficamos a perder". Surge um confronto entre a TV como veículo de entretenimento ou de informação, e o de a TV e a imprensa não refletir a verdadeira realidade.
Por um lado surge pressões económicas por parte dos patrocinadores e por outro lado pressões políticas, onde havia medo das perseguições, que poucos jornalistas a enfrentaram. Estávamos em plena época da Guerra Fria e existiam vários russos encartados.
Ao longo do filme assistimos confrontos entre as pressões económicas e políticas, através da censura, que nos anos 50 houve como uma "caça às bruxas" aos comunitas, versus as pressões mediáticas, através da informação com o programa "Veja Agora", do entretenimento com o "Cara a Cara", que por ter bastante popularidade e audiência, pagava as contas da estação.
Assistimos também no filme o confronto de ideias entre os jornalistas que defendem o jornalismo liberal e os que defendem um jornalismo conservador.

 

"A obra tem ainda o mérito de levantar questões universais, como a importância do direito de discordar e o próprio papel da TV para o crescimento das nações. A pressão exercida – e muito bem mostrada no filme - sobre o jornalista Murrow e sua equipe esclarece o quanto é difícil manter a liberdade de expressão em mídias invariavelmente sustentadas por anunciantes (que podem desaparecer automaticamente dependendo do conteúdo abordado).

Por fim, o discurso de Murrow ao receber uma homenagem – já nos momentos finais do filme – alerta como poucos sobre o papel da TV (para o bem e para o mal) na formação das sociedades." - in http://www.cinepop.com.br/criticas/boanoite.htm, Edson Barros

 

Veja aqui um trecho do filme, onde mostra o discurso do jornalista Edward R. Murrow em 1958 criticando a qualidade e o futuro da TV.


 

publicado por antoniomsoares às 17:19

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