Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 12

 

 

Por: Regina Machado

 

Stephen Collins, jovem congressista republicano e membro de uma comissão de investigação do congresso, vê a sua vida exposta e remexida pelos meios de comunicação social aquando a morte de Sonia Baker, investigadora chefe e sua amante. Esta morre no metro de Washington se uma forma misteriosa (a morte, o inesperado, o escândalo e a notoriedade são alguns dos grandes valores-notícia estabelecidos por Nelson Traquina e aqui verificados). Quando Stephen se prepara para falar numa conferência de imprensa sabe da notícia e, em plena conferência começa a chorar, o que dá azo às especulações por parte dos meios de comunicação. Tem como valor noticioso primário o facto de ser acontecimento que envolve figuras importantes merece o envio de uma equipa para o local; de imediato foram enviados jornalistas para a frente da casa do congressista, para vigiarem cada passo por ele dado. Outro dos valores aqui presente é o valor das imagens que quanto mais dramáticas e interessantes forem, têm um valor acrescentado para entrarem na agenda; o facto de Stephen chorar foi captado em direto e retransmitido vezes sem conta. Os rumores que associavam o congressista à investigadora chefe e a um eventual suicídio abriram as emissões televisivas, generalizaram-se por cada órgão e meio noticiosos. Ao pensarmos no jornalismo como uma organização, temos que ter em conta as várias hierarquizações. Warren Breed estudou como as relações de força ocorriam dentro de uma redação jornalística, tanto no confronto entre os jornalistas como entre as chefias. Cal era um grande repórter; estes são os jornalistas que se destacaram pela sua competência, pela sua capacidade de comunicação e pela confiança que neles pode ser depositada e que são convidados a trabalhar em grandes reportagens, gozando de elevada autonomia. No caso específico de State of Play, a autonomia de Cal era notória: não deixava a diretora interferir no seu trabalho, apenas participava nas reuniões para fazer o ponto de situação e era uma base inclusive para o redator do próprio jornal. Habitualmente são jornalistas especializados num determinado campo/área e destacam-se por isso. São bons enquanto especialistas e servem de apoio à restante redação. Normalmente são incutidos de tratar os grandes acontecimentos e usufruem de uma grande margem de manobra dentro da organização. Relativamente às chefias, Cameron Lynne, a diretora do jornal assume o pensamento cada vez mais comum numa organização jornalística: “os nossos donos têm a estranha noção de que devemos dar lucro”. A preocupação pelas vendas levou à sede permanente por parte da diretora em apurar factos pessoais, com base na amizade de longa data entre Cal e Stephen Collins. Algo fundamental a reter é exatamente relativo a este facto: hoje em dia, e cada vez mais, o que conta é a rapidez com que uma notícia sai e os custos com pessoal cada vez menores. Uma realidade que é importante absorver, à luz dos nossos dias.

 

 

publicado por Regina Machado às 22:36

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