Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 12

A crise económica que está a assolar a Europa parece não ofuscar o brilho do mercado de luxo. Enquanto a maior parte das marcas é obrigada a realizar promoções quase o ano inteiro, as grifes de luxo continuam a abrir lojas em todo o Mundo para conseguirem responder à procura. 

 

 

 Enquanto uns empobrecem, outros enriquecem. O ano passado, o mercado Mundial de luxo registou um crescimento recorde de 10%, movimentando 191 mil milhões de euros. Este ano espera-se a continuação do crescimento neste sector, em grande parte devido ao desenvolvimento de poder de compra por parte do Brasil, Rússia, Índia e China.

 O líder Mundial de artigos de luxo, Louis Vuitton, continua a desafiar a crise. Os lucros da LVMH, proprietário da marca Louis Vuitton, cresceram 25% nos 3 primeiros meses do ano, obtendo um lucro de 6,6 mil milhões de euros. Só as joias e os relógios da marca marcaram um crescimento de 141%. Por outro lado, a marca francesa Hermés superou também todas as espectativas ao apresentar lucros de 594 milhões de euros em 2011, aumentando assim 41% em relação ao ano anterior.

 Neste género de mercado, Portugal não é deixado para trás. Nos últimos anos foram varias as marcas que decidiram abrir lojas no país. Prada, Hermes, Dolce & Gabbana e Gucci, têm vindo a invadir as ruas de Lisboa, e, cada vez mais, marcas como a norte americana Marc by Marc Jacobs (abertura em 2011) e Louis Vuitton (abertura prevista até 2015) apostam no Porto como local para as suas segundas lojas.

 Numa das avenidas mais caras da cidade do Porto, onde o preço por metro quadrado chega a custar 3.500€, são vários os espaços destinados ao comercio de luxo. Entrando numa das 3 lojas da Fashion Clinic em Portugal, no número 4167 da Avenida da Boavista, deparamo-nos com as mais variadas grifes de luxo. Entre sapatos Loubotin, e vestidos Yve Saint Laurent, com preços a rondar os 1000€, a loja chega a ter carteiras Prada, em pele de crocodilo, a custarem 12 000€, “um leque de produtos e um serviço personalizado para todo o género de clientes”, afirma Filipa Pinto Coelho, diretora de Marketing e Comunicação da loja. 

 

Loja Fashion Clinic Porto/ carteira prada

 Loja Fashion Clinic Porto - Avenida da Boavista                 Carteira Prada em pele de crocodilo (12 mil euros)

 

 A marca Fashion Clinic, detida pela empresaria Paula Amorim desde 2005, tem vindo a aumentar as vendas, conforme conta a diretora operacional Rosário Freitas – “Cá no Porto as vendas têm vindo a aumentar. Temos sentido talvez menos fluxo de clientes, mas a venda média tem vindo a subir relativamente ao mesmo período do ano passado. Os clientes são menos mas compram mais”. Quanto ao perfil dos clientes, são pessoas que “gostam de luxo, do que é bom! É um cliente informado sobre as marcas, sobre o que é estão a fazer, o que sai de novo. Um cliente muito ligado à tendência e em tudo o que é novidade. Acima de tudo muito contemporâneo, muito viajado, muito cosmopolita.”.

A nacionalidade dos consumidores tem vindo a mudar, “a maior parte dos nossos clientes é portuguesa, mas os brasileiros e angolanos também nos procuram bastante”, afirma a diretora de Marketing e Comunicação.

Cada vez mais as lojas sentem o aumento por parte do sexo masculino, que começa a consumir cada vez mais cedo. Se no sexo feminino se verifica uma idade media entre os 35 e os 45, já no masculino são os homens entre os 25 e os 35 os maiores consumidores.

  João Pinto, de 26 anos, afirma ter começado a consumir em lojas como a Fashion Clinic já “à algum tempo, essencialmente pela variedade de marcas e pela qualidade”. Quanto à crise o jovem diz não ser um impedimento para continuar a comprar – “compreendo que a crise afete alguns sectores, nomeadamente no âmbito da moda, mas como este sector é mais restrito, creio que não afeta assim tanto. Eu não deixei de comprar, pelo menos por enquanto. E penso que não se deve notar uma quebra nas vendes, pelo menos de forma substancial”.

 

 No que diz respeito ao mercado automóvel de luxo, e segundo dados da Associação Automóvel de Portugal, desde Janeiro a Março, foram vendidos no país 118 Land Rovers – um aumento de 168% comparativamente ao mesmo período do ano anterior, onde apenas foram vendidos 44 automóveis da marca –, 39 Jaguares, verificando também um aumento de 18,2%, 43 Porshes, 2 Ferraris, 1 Bentley, 1 Aston Martin e 1 Lamborghini. 

 No número 4143 da mesma Avenida, encontra-se o stand da Aston Martin, uma das marcas de carros de luxo preferidas dos portugueses. 

 

 

Stand Aston Martin Porto

Stand Aston Martin Porto - Avenida da Boavista                                                                                     


 A nível Mundial, a marca não só resiste à crise, como aproveita de forma mais efetiva os chamados mercados emergentes, China, EUA, Rússia e Índia.

Os automóveis são totalmente feitos à mão, o que permite ao cliente personalizar o carro ao seu gosto. “O cliente Aston Martin é uma pessoa que gosta de algo exclusivo, já tem um vasto leque de experiência de automóveis e tem alguma ligação emocional com a própria marca. Gosta de carros desportivos e gosta de ter um automóvel que seja diferente do habitual, daí a marca se caracterizar pela exclusividade e pelo detalhe”, explica Bruno Oliveira.Com carros com valores entre 44.231,61€, numa versão Cygnet 1.3, a 361.207,20€, na versão DBS, a crise parece não afetar significativamente as vendas. “Neste momento podemos dizer que as vendas estagnaram, manteve-se o mesmo número de vendas – entre 15 a 20 por ano”, afirma Bruno Oliveira, vendedor do stand.

 Os automóveis são totalmente feitos à mão, o que permite ao cliente personalizar o carro ao seu gosto. “O cliente Aston Martin é uma pessoa que gosta de algo exclusivo, já tem um vasto leque de experiência de automóveis e tem alguma ligação emocional com a própria marca. Gosta de carros desportivos e gosta de ter um automóvel que seja diferente do habitual, daí a marca se caracterizar pela exclusividade e pelo detalhe”, explica Bruno Oliveira.

 A nível Mundial, a marca não só resiste à crise, como aproveita de forma mais efetiva os chamados mercados emergentes, China, EUA, Rússia e Índia.

 

 O sector da joalharia é outro em que a crise também não entra. Enquanto que a classe média das ourivesarias continua a cair a pique nesta altura de crise, as joias de luxos são, cada vez mais, as únicas que continuam a vender e a sustentar o negocio.

 A Tiffany’s, uma das mais conhecidas joalharias internacionais, anunciou, segundo o jornal Expresso, um aumento de 22% dos seus lucros. Este grande aumento numa época que se intitula de difícil, deve-se em grande parte ao consumo por parte dos Chineses, onde as vendas registaram um aumento de 50% no respetivo país, comparativamente a 2009. 

 Em Portugal, e continuando a subir a Avenida da Boavista, no edifício Aviz, situa-se o Machado Joalheiro, uma referencia centenária na história portuguesa de joalharia e relojoaria

 

Joalharia Machado
Machado Joalheiro - Avenida da Boavista                                                                               

 No Porto já à130 anos, instalou-se recentemente em Lisboa, no Tivoli Fórum, bem no centro do comercio de luxo lisboeta. Com relógios a ultrapassar os 30 mil euros, e marcas conceituadas como Breitling, Tag, Porshe Desing, Frank Muller, Omega, IWC, Cartier e Chanel, António Machado, economista e proprietário da joalharia já à 30 anos, afirma que “este sector tem uma grande vantagem em relação a outros: poder vender para turistas. Ou seja, os turistas, nomeadamente brasileiros e asiáticos, gostam muito de relógios e de joias, e, portanto, é um mercado que está em grande desenvolvimento nesses países, por isso quando eles viajam para a Europa gostam sempre de comprar, até porque os preços são mais vantajosos para eles.”

 Em relação ao mercado nacional, o proprietário afirma que “temos feito um esforço, não só de agora mas já de à muitos anos, de ter sempre produto diferente, especial, com design e criatividade. E isso ajuda sempre a que as coisas sejam menos difíceis, não se nota tanto a dificuldade da crise que está instalada na Europa”.

 

 

 

 

Inês Marques

 

publicado por inesmarques às 18:18

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