Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 13

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A paixão pela natureza começou desde cedo. Apesar de ter nascido na “selva urbana”, como apelida a cidade, em criança tentava capturar seres dentro dos poucos espaços verdes e depois libertava-os, por respeito que sempre teve à vida animal. Numa das primeiras fases em que teve acesso a livros de documentalistas sobre a vida selvagem e sobre a natureza em geral, surgiu um interesse. Mais tarde, quando os amigos colecionavam cromos de futebol, ele colecionava cromos de animais mamíferos, aí surgiu uma paixão. Após o contacto com os animais quis tentar perceber os comportamentos dos mesmos.


Porque é que agiam de uma maneira e não de outra? Refletia enquanto crescia o seu conhecimento. Formou-se em Ciências da Comunicação e foi no género documentário que encontrou a sua especialização. Gosta particularmente do documentário televisivo pois “é a forma mais completa de levar o espectador ao cenário e não o contrário.” Enquanto repórter, sempre se sentiu atraído por contar histórias com mais tempo, ao invés do limite de tempo impingido nas reportagens televisivas. Com o tempo aperfeiçoou a técnica do documentário e um dos aspetos que o surpreendeu foi a imprevisibilidade da natureza, mas sempre no melhor dos sentidos.


Jornalista, apresentador e investigador, vê o tempo e a paixão como indissociáveis. Criou o primeiro programa português de vida selvagem, o “Vida Animal em Portugal e no Mundo”. Sobre os documentários de vida selvagem salienta que há falta de ética, no sentido em que as imagens são manipuladas, levando o espectador ao engano. Por ser “entretenimento que engana” e estar em proliferação, a qualidade de produção e o conteúdo tem ficado cada vez mais “pobre”.


Para Luís Henrique Pereira, o ser humano é o pior dos predadores, “é o mais calculista que existe e não tem inimigos naturais”. Incomoda-o a quantidade de plantas, aves marinhas e tropicais, mamíferos e anfíbios que já se extinguiram e que estão por se extinguir. Porém, acredita que “a natureza há-de encontrar um caminho para estabelecer um equilíbrio, em que mais tarde ou mais cedo, acabe com esta coisa terrível de exterminar espécies através da caça”.


Torna um documentário ideal quando conta a história só com a gramática das imagens, apenas usa a sua voz quando o texto vai onde a imagem não consegue ir. Determinado, atento à roupagem e ao cheiro do corpo no mundo animal, nunca invade um espaço selvagem, espera que tudo aja naturalmente. Daí que “os animais têm de ser as vedetas e os operadores de câmara os mestres.” A relação de conivência que mantém com o cameraman com quem colabora é algo imprescindível para o bom trabalho. É com os cientistas e investigadores que aprende e desenvolve maiores capacidades na área que o move. Procura “a cena” e não “uma cena”.

 

Tem como referências David Attenborough que dedicou 60 anos à vida selvagem; Félix Rodriguez De La Fuente o primeiro da divulgador da vida selvagem em Espanha e Chris Palmer que foi seu professor e detém um grande conhecimento na área.

 

Warren - “Mergulhar num campo de vida selvagem sem estar escondido não vale a pena.”

Filipa Alves

 

publicado por jornalismofilipaalves às 16:41

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