Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

05
Abr 13

“Eu não sou um habitante do campo, nasci na selva urbana, infelizmente.”


Foi com esta frase que o jornalista da RTP, Luís Henrique Pereira, iniciou a sua palestra no passado dia 3 de Abril, na Universidade Lusófona do Porto.

Convidado por Daniel Catalão, também jornalista da RTP e professor na instituição, falou-nos um pouco da sua experiência enquanto repórter e jornalista documental da vida selvagem.

 

Jornalista há mais de 20 anos, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Fernando Pessoa, faz o que mais gosta: estar em contacto com a Natureza, a sua grande paixão e poder divulgar a flora e a fauna através de documentários da vida selvagem.

 

Luís Henrique Pereira é o autor e apresentador do programa “Vida Animal em Portugal e no Mundo”, sendo a primeira pessoa a fazer este tipo de trabalho em Portugal.

 

Desde criança que a vida animal o fascinava. Mesmo vivendo na “selva urbana” procurava sempre a natureza e a vida animal nos pequenos espaços verdes da cidade. Confessou que ao contrário dos amigos que colecionavam cromos de futebol, Henrique Luís Pereira colecionava cromos de borboletas, mamíferos, aves, entre outros.

 

«Houve desde pequeno essa vontade de ter um contacto estreito com os animais e perceber o porquê de terem determinados comportamentos», afirma Henrique Luís Pereira.  

 

«Tive a sorte de ter herdado uma biblioteca que continha um grande número de obras de autores naturalistas e documentalistas da vida selvagem e natureza, o que ajudou». Através de leituras extensivas tentou responder a todas as suas curiosidades. Apesar de não ter nenhuma formação na área.

 

Gosta particularmente do documentário televisivo, pois acredita que é a forma mais correcta de «levar o espectador ao cenário e não o cenário ao espectador».

 

Vê o tempo e a paixão como indissociáveis. Pois afirma que, «quando se invade um local selvagem tem que se ficar à espera que os animais venham ter connosco e não o contrário. Esperar que as coisas aconteçam e não manipular». «Procura “a CENA” e não “uma cena”. A seu ver a proliferação de canais não tem trazido benefícios aos conteúdos dos documentários da vida selvagem considerando a pressa a inimiga da perfeição, “nem sempre são usadas as técnicas éticas mais aconselháveis”. Ou seja, «as imagens são manipuladas, levando o espectador ao engano».

 

Para Henrique Luís Pereira o ser humano é o predador mais calculista à fase da Terra. «Não temos inimigos naturais e não nos vemos integrados na natureza, julgamo-nos acima desta.» Mostrando a sua deceção pelo facto de várias espécies de animais (mamíferos, anfíbios, aves marinhas e tropicais) e plantas estarem em vias de extinção por obra do ser humano.

 

Considera o documentário ideal aquele que «as imagens têm linguagem própria, têm gramática própria. Dentro do documentário o texto serve de suporte à imagem». «O texto vai onde as imagens não podem ir». 

 

Sara Gomes

publicado por saragomes às 19:57

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