Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

06
Abr 13

Na passada Quarta-feira, dia 3 de Abril, a Universidade Lusófona do Porto recebeu Luís Henrique Pereira, jornalista especializado no ambiente, para partilhar com os alunos de Ciências da Comunicação e da Cultura o vasto conhecimento que adquire nesta área.


O docente da cadeira de Jornalismo Especializado, Daniel Catalão, começou por apresentar o convidado, formado em Ciências da Comunicação com um estudo aprofundado no ramo de jornalismo ambiental e responsável pelo programa da RTP1 “Vida Selvagem”

O jornalista ambiental iniciou a conferência afirmando que “somos piores predadores porque não temos inimigos naturais” referindo-se aos humanos como “dominantes da natureza”.

Experiente na concepção de documentários, Luís Pereira mostrou que as imagens são extremamente valiosas neste género jornalístico sendo que “têm uma linguagem/gramática própria no entanto, e de acordo com o primeiro princípio das fases de elaboração definidas por Luís Pereira, ”a ética é acima de tudo irmos para o terreno que nos pertence e não manipular a imagem”. Caso seja necessário, e aproveitando a afirmação do jornalista, “esperar uma semana, um mês” para capturar as imagens pretendidas sem as manobrarmos.

No documentário e segundo o jornalista, “o texto é um suporte da imagem e tem que a acompanhar sempre”. Por outro lado nos vivos do jornalista feitos para documentários, “o texto nesta abordagem é para ser dito e não para ser lido” assim como “as pausas são fundamentais” exactamente para “deixar ouvir o ambiente” e causar ao espectador um sentido de naturalidade.

 

 

A questão do espectador foi também um tópico retratado por Luís Pereira, sendo que, para o jornalista, muitas vezes o objectivo dos documentários é “levar o espectador ao cenário e não o cenário ao espectador”.

Luís Pereira abordou vários temas que fomentam muitas vezes a profissão em si e o gosto por aquilo que se faz. Os documentários ambientais produzidos por uma equipa de profissionais incluindo Luís Pereira, “demoram meses de trabalho”. Ao retractar um documentário sobre as “baleias nos Açores” Luís Pereira revelou que durante várias semanas “trabalhou 12h por dia” para alcançar as metas pretendidas. O jornalista referiu ainda que “um operador da BBC esteve 2 anos para capturar um leopardo das Neves”.  

Ao longo da conferência o jornalista foi mostrando alguns dos seus documentários e também uma apresentação multimédia proposta na etapa final da faculdade e que, intimamente, revelou ter obtido uma óptima nota. 

Neste tipo de documentários ambientais, Luís Pereira referiu que “ os animais são as vedetas e os operadores de câmara os grandes mestres”. A forma clara e rápida como capturam a imagem é, na opinião do jornalista crucial para retractar o cenário tal como ele é e aqui “ o plano de pormenor é muito importante para não defraudar o espectador.” Por estas mesmas razões, o trabalho em equipa deve ser um factor obrigatório sendo que, para o Luís, “tem de haver entre o jornalista e o operador de câmara quase uma relação de irmandade”.



Esta parceria deve, de acordo com o jornalista, prolonga-se até aos investigadores e cientistas uma vez que, o saber aprofundado face à biodiversidade está nas mãos destes estudiosos. “Trabalhar com investigadores e cientistas é fundamental” salienta Luís Henrique Pereira.

No decorrer da conferência o jornalista citou várias vezes dois autores reconhecidos na área, David Attenborough, com 60 anos de televisão dedicados à vida selvagem e Félix Rodríguez De La Fuente, pioneiro na divulgação da vida selvagem em Espanha.

O jornalista partilhou com os alunos de Comunicação da Lusófona toda a sua experiência revelando as fases de elaboração de um documentário da vida selvagem, a construção e as fases de produção do mesmo. As estratégias de campo foram também um dos assuntos leccionados por Luís Pereira que explicou que, o jornalista tem de se “integrar no ambiente”. Apesar disso, na opinião de Luís Pereira, “o homem não se vê integrado na natureza, vê-se acima da natureza, dominador da natureza”.

 

 

Para finalizar o conferencista revelou dados assustadores relativos à biosfera: “1/4 dos mamíferos em vias de extinção; 1/5 dos anfíbios em risco de extinção; 13% das aves do mundo em séria ameaça; 70% de espécies de plantas ameaçadas e ¾ dos bancos de pesca esgotados.”


Nota: as imagens foram retiradas da rede social do jornalista https://www.facebook.com/luishenriquepereirartp


Trabalho realizado por Marta Sobral

publicado por On-and-off às 01:08

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