Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 13

 

Na passada quarta-feira, Paula Rebelo, jornalista da RTP, transmitiu-nos todo o conhecimento que detém do jornalismo especializado em Saúde.

Trabalha há 16 anos na RTP mas na sessão, confessou que no início da sua carreira sentia-se como “mais um peixe no mar”. Nos primeiros cinco anos fez reportagens sobre tudo. A saúde, área que domina, não surgiu por paixão, apenas surgiu.

 

Quando começou, as notícias sobre saúde incidiam quase todas sobre os mesmos temas. “Dias mundiais de qualquer coisa da saúde”, prémios atribuídos a alguém da área ou simplesmente “algo para encher” eram peças que faziam parte do alinhamento.

 

Aberta a porta, com o tempo habituou-se ao “sangue” que no início lhe provocava a sensibilidade comum. Atualmente, quando está no bloco vê o corpo com um olhar também jornalístico.

 

Completa este olhar com o dialeto próprio que aprendeu com os especialistas da área e não só. Há cerca de cinco anos tirou o mestrado em Comunicação e Saúde para obter uma maior base para trabalhar.

Para exercer e ser apelidado de “especializado” não chega gostar. “Temos que chegar ao local e perceber o que dizem”, referiu.

 

O círculo – notícias negativas – humano valoriza mais o negativo – o negativo domina o alinhamento do jornal, leva a uma conclusão: O que é normal em jornalismo não é notícia.

 

“O normal é esperar que os profissionais desenvolvam o seu trabalho bem”, salientou.

Para tal, se um jornalista quiser transmitir um acontecimento positivo, esse tem de ter grande impacto, ser desigual e ser inovador. “Timing e sorte”, são estas palavras que definiu como sendo as ideias para conseguir notícias positivas. Mas entende que o maior desafio seja o desgaste da mensagem. Essa repetição constante dos mesmos temas que leva a que o espectador mude de canal para não ouvir o que já ouviu. “É muito difícil encontrar espaço para coisas que toda a gente já ouviu”, acrescentou. É isso que a leva a fazer abordagens personalizadas e mais interessantes.

 

Tendo em conta os critérios que toda a comunidade jornalística tem como que incutidos, para Paula Rebelo “se uma notícia se encontrar no meio-termo, não é notícia.” Quando a cria, tem em mente que a denúncia pública muda a situação por isso denuncia firmemente, de forma clara e eficaz.

 

Os médicos e os enfermeiros são os seus melhores parceiros pois fazem uma seleção natural por si. Um exemplo disso são as peças para o dia mundial de algo, aqui a ajuda destes profissionais da saúde é imprescindível, “o jornalista apenas tem que os direcionar”.

 

A seleção de fontes credíveis; o tentar ver de que lado é que as pessoas se posicionam, faz parte do processo. “Existem muitos médicos que são patrocinados por laboratórios e às vezes quando nos oferecem uma notícia pode não ser inocente.”

 

Para a jornalista, uma boa fonte é também aquela que fala e atende o telefone. Não importa se é o melhor médico se este não estiver disponível.

Aconselhou a que antes das gravações se tente sensibilizar o profissional para descomplicar a mensagem para que o espectador, independentemente do nível de cultura, a compreenda. No campo, ouve sempre mais do que um médico, “ (…) eles têm escolas diferentes”.

 

No caso da saúde, não pode errar, afeta demasiadas pessoas. Quanto maior for a área de projeção, maior o risco. Daí que questione sempre que pode. “Não chega ter só informação”, alertou. Principalmente quando as notícias são importantes. Há que saber “não como as dar mas como as tratar”.

 

Encontra alternativas para proteger os doentes, não faz imagens sem autorização. Os planos com pormenores das mãos são um exemplo que dá quanto à “não identificação” do paciente.

 

Rematou afirmando que as redes sociais e o correio electrónico são dos meios mais utilizados para apelos na procura de fundos para tratamentos.

 

Filipa Alves

 

publicado por jornalismofilipaalves às 22:48

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