Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

13
Abr 13

Na passada quarta – feira, dia 10 de Abril, a Universidade Lusófona do Porto recebeu Paula Rebelo, jornalista especializada na área da Saúde, para partilhar com os alunos da Universidade o vasto conhecimento que adquire nesta área.

 

Paula Rebelo, é licenciada em jornalismo através da Escola Superior de Jornalismo.

Exerce a profissão de jornalista há 16 anos, e está atualmente a trabalhar na RTP.

Recentemente foi-lhe atribuído pela Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), que distingue os melhores trabalhos aparecidos em televisão, radio, imprensa e online, um prémio pela peça “Doença Renal Crónica”.

Confessou que nos primeiros anos de profissão era “mais um peixe no mar”, fazia todo o trabalho que surgisse sobre os mais variados temas, com o propósito de “chegar ao cardume”.

 

Ingressou na área da Saúde, por mero acaso. Tudo surgiu quando fez uma notícia sobre um hospital, o facto de ter ingressado na área da saúde foi “por força das circunstâncias”.

«Podemos ir para uma área específica sem sequer gostar, tudo pode mudar, tenham a mente aberta», aconselhou a jornalista.

Ao início era-lhe difícil encarar aquele novo mundo, principalmente quando se tratava de sangue.

Atualmente, quando está no bloco consegue ver tudo, pois começou a ver o corpo com um olhar também jornalístico.

 

Há 5 anos, sentiu-se quase que “obrigada” a tirar o mestrado em Comunicação e Saúde na Faculdade de Medicina em Lisboa. Pois «os profissionais de saúde utilizam vários termos técnicos e nós (jornalistas) temos que saber traduzir para conseguir explicar da melhor forma ao espectador». Admitiu que «esse mestrado deu-me mais bases e senti que ele me foi muito útil. Ao mesmo tempo que o tirava procurava assistir a palestras sobre o assunto, coisa que ainda faço».

 

Considera bastante importante dominar a área da Saúde para exercer este tipo de trabalho, porque a saúde tem pouca margem de erro, pois afeta demasiadas pessoas.

Para a jornalista, “questionar pode fazer a diferença”. Uma vez que a saúde é uma área com grandes interesses políticos, «os entrevistados dizem o que querem se não os contrariarmos». Evitar ficar com o nome manchado «posso fazer durante 16 anos trabalhos fantásticos mas basta meter o pé na poça num desses trabalhos e vai tudo ao charco, anos de trabalho» temos que fazer com que “a peça saía limpa, sem ponta que se lhe pegue”. Assim sendo, tenta estar o mais informada possível «Leio livros nas férias, durante o resto ano, leio dossiers».

 

A questão das fontes foi um assunto bastante vincado ao longo da palestra sendo que, para Paula Rebelo, o cultivo das fontes nesta área é crucial.

«Todas as semanas telefono a 10/20 pessoas, sem nenhum motivo aparente, funciono como uma espécie de radar». Até porque na área da Saúde «tudo esta interligado, é uma área politizada e cheia de interesses”, sendo imprescindível «cruzar todas as informações e ouvir outras fontes» porque médicos da mesma área têm “diferentes escolas e visões profissionais”.

 

Segundo a própria, tem como referência no exercício da profissão “traduzir, simplificar e ser interessante”.

Preocupa-se com a mensagem a transmitir, procurando que as suas abordagens sejam personalizadas, novas e relevantes. Pois aquilo “que é normal, não é notícia”.

A seu ver, deve-se evitar sensacionalismo nesta área, pois estamos a lidar com a saúde das pessoas. «Temos que proteger sempre a imagem de todos os doentes, principalmente em situação degradante. Ter uma atenção redobrada com idosos, crianças em situações critica. Aproveitamento gratuito causa repúdio».

«A polémica tem de ser percetível e fundamentada».

 

Sara Gomes

publicado por saragomes às 01:29

Abril 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10

15
19
20

22
23
24
25
26
27

28
29
30


pesquisar
 
blogs SAPO