Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

16
Abr 13

É sempre um desafio conseguir saber a verdadeira intenção de uma imagem acompanhada de um texto ditada por um profissional. Não é um de nós, comuns, a ler algo que conhecemos e detemos como verdadeiro. É alguém que já investigou o assunto e que talvez já formou uma opinião camuflada do mesmo. Que intenção terá este ao passá-la para o aparelho que soa em várias divisões? É visível, que no dia seguinte, o espectador manifesta-se, às vezes não espera as 24 horas para ir para um transporte e entrar na personagem “comentador” com o passageiro do lado. O impacto também passa pelas refeições, quando pousamos o garfo para prestar atenção a algo que nos desperta os sentidos. Aí alimentamos a notícia e esperamos que esta desapareça até que surja outra não tão viral. Como se fosse a pirâmide alimentar da primária, do mais importante para o menos. Semelhante ao alinhamento do jornal; à escolha das fontes; à estrutura de poder numa redação. Um dia, na América dos anos 50, um grupo de jornalistas inverteu esta estrutura. A CBS mudava o sentido que sempre dera à televisão. Um pivô passou para o “lado de cá” duas versões diferentes de um caso sufocado de tão encoberto. Por merecer a verdade, a sociedade foi alertada através do relato de crimes contra comunistas que afinal também são “comentadores”. A palavra de um Senador contra o senhor com o cigarro que queima em direto. Esta última figura, segura de si, não teme o preocupado o diretor executivo, a falta de patrocínios e o primeiro poder democrático. Teme sim a intenção dos media. De seu nome Edward Roscoe Murrow, “Ed” na redação, opôs-se pelos direitos civis e consigo levou um grupo de amigos imparciais cuja paixão aliada ao nervosismo evidenciava-se quando estavam “no ar”. Queriam ser os primeiros a desvendar que o meio não só enche os lares de anúncios mas pode também viver da contagiosa informação. Sem tomar partidos, esperaram por críticas até o bar quase fechar. A reação dos espectadores disparou o prazer do trabalho mas a sombra amarga da publicidade fez com que o programa mais tarde terminasse. Contudo, aquele momento em que público presenteou uma investigação ao Senador e o fim de denúncias inusitadas, tornou o dever cumprido. Esta comunidade jornalística, dona de um dialeto próprio em circuito fechado, marcou um período.

Assim, as opiniões acomodam-se em prol do jornal das 20 horas apresentado por um estranho com tamanha postura que nos parece credível.

Afinal o que é a televisão? Um espetáculo de luzes, cores vibrantes e falas persuasivas numa decadência rotineira? Ou, como diria “Ed” em 1958, a televisão pode também ensinar, elucidar e inspirar, desde que os humanos a usem para esse fim?

Toda a exaltação da importância das ideias e da informação continua a jogar com as nossas mentes com o intuito de ganhar e termina quando se ouve um “Boa noite, e boa sorte”.

Filipa Alves

 

Crónica do filme “Good Night, and Good Luck”

publicado por jornalismofilipaalves às 22:45

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