Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 13

Realizado em 1987 por James L.Brook, Broadcast News é um filme que retrata, essencialmente, a história de um canal noticioso da América. Centrado em três jornalistas distintos, Jane Craig, Aaron Altman e Tom Grunick, a longa-metragem mostra, não só as valências que a profissão de jornalista acarreta, mas também todas as dificuldades e problemas que esta pode gerar.

Com um início que nos leva a passear pela infância das três personagens principais, é de notar que, de uma maneira geral, os projectos de vida que idealizamos para nós, seja no jornalismo, medicina ou engenharia, requerem uma dedicação e trabalho constante. Tom, que no início desabafa com o pai por não ter o melhor rendimento escolar, acabava o filme como o pivot principal do referido canal de televisão. Por seu turno, Jane e Aaron, que são os melhores amigos ao longo de todo o filme, desde cedo perceberam que a sua vida acabaria por girar à volta da comunicação, do jornalismo.

 

 

 

Passando ao lado da parte poética e romântica do filme, o triângulo amoroso composto por estas três personagens, o ponto fulcral da narrativa assenta no espaço em que decorre. A redacção de um jornal é, por si só, um lugar de muitas emoções. Jane é uma produtora dedicada, apaixonada pela profissão e com uns valores bem assentes. Repudia qualquer tipo de sensacionalismo e defende que as notícias devem ser isso mesmo, notícias, naturais e espontâneas. No seguimento, Aaron é um repórter de renome, com bastantes trabalhos em carteira. Um jornalista puro, conhecedor de toda a realidade que o rodeia. Em contraponto existe Tom, sem a vocação inata para profissão, batalhou para chegar às redacções. Contudo, tem uma perspectiva diferente dos colegas: recorre às emoções para atrair o público e as audiências.

Numa análise à profissão propriamente dita, o filme ilustra o funcionamento do canal de televisão, desde o trabalho de campo até as notícias irem para o ar. É de notar a opção profissional de Jane que, em cenário de guerra, não quer que os movimentos dos militares sejam artificiais, produzidos. Prefere – e, a meu ver, com toda a legitimidade – que o operador de câmara esteja atento constantemente, sob forma de captar todos os movimentos que possam ser importantes para a peça. Do outro lado da “barricada” surge Aaron que, numa situação de “vida ou morte”, possui a naturalidade e profissionalismo necessário para narrar a história do tiroteio, com o objectivo de o espectador se sentir no local em que a peça foi gravada. A “estória” acabara por ser um sucesso, e os dois jornalistas seriam, merecidamente, reconhecidos pelo trabalho feito.

Já dentro da redacção, na régie, o tema das deadlines está, também ele, muito bem representado. Jane e Aaron, mais uma vez, fazem um trabalho jornalístico de valor: rápidos, concisos, e de qualidade, limam as últimas arestas de uma reportagem quando faltavam apenas 80 segundos para esta ir para o ar. Esta sequência retrata, de uma forma quase perfeita, as emoções que se sentem numa redacção quando surge algum imprevisto.

 

Outro teor do jornalismo patente na longa-metragem é a de que, em caso algum, um jornalista pode “ser bom em tudo”. A certa altura, Aaron sabe que tem o seu lugar em risco. Com o objectivo de subir alguns degraus na escada de valores da empresa, oferece-se para apresentar o jornal da noite de sábado. Um grande jornalista não é, sempre, um grande pivot. Aaron é um jornalista com anos de profissão e com trabalhos em algumas áreas perigosas, como cenários de guerra, mas, no entanto, não lidou bem com a pressão de ser um pivot e passou todo a jornal a suar, com nervos. No reverso da medalha está Tom, que apesar de não ser um repórter exímio, até intelectualmente “incapaz”, é um excelente apresentador. Contudo, os dois complementam-se quando surge uma notícia de última hora. Tom fica responsável por apresenta-la enquanto Aaron está em casa. Apesar disso, todo a informação completar da peça chega ao pivot através de Aaron que, em casa, liga para a redacção com dados importantes sobre o acontecimento.

De todos os pontos do jornalismo que o filme aborda, o mais importante é, para mim, a reportagem que Tom elabora sobre as mulheres, vítimas de violência, após o primeiro encontro. Numa entrevista feita unicamente com uma câmara, aquando da mudança de planos para “compor” a peça, Tom finge uma lágrima. O objectivo, esse, estava claro: dar mais emoção à reportagem e sensibilizar o público. No entanto, tais acções são, a meu ver, incorrectas no cumprimento da profissão. Um jornalista deve ser, acima de tudo, eticamente correcto e verdadeiro. A sua função é, grosso modo, mostrar a realidade ao público, sejam eles leitores, ouvintes ou telespectadores.

De uma maneira geral, Broadcast News é um filme que ilustra, de alguma maneira, a realidade da profissão de jornalismo. Os dramas profissionais são constantes e estão “ao virar da esquina”. Cabe aos jornalistas serem ágeis o suficiente para contorna-los, sem nunca por em causa o seu profissionalismo.

 

imagens retiradas do google images

publicado por Luís Miguel Costa às 18:38

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