Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 13

No passado dia 10 de Abril, foi à Universidade Lusófona do Porto, Paula Rebelo, jornalista especializada na área da sáude, a trabalhar actualmente na RTP, Rádio e Televisão de Portugal. Foi convidada pelo Professor da instituição e também jornalista – Daniel Catalão, a participar numa aula aberta.

Licenciada em Jornalismo, pela Escola Superior de Jornalismo, exerce a profissão há 16 anos. Trabalhou no jornal o “Público”, e passou por algumas rádios.. No passado dia 11 de Abril foi-lhe atribuído, pela Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), que distingue os melhores trabalhos aparecidos em televisão, radio, imprensa e on-line, o prémio pela peça “Doença Renal Crónica”.

 

A jornalista partilhou com os alunos não só todo o percurso até ingressar na área da saúde, como também falou nas próprias especificidades da área técnica que exerce. Teve cinco anos na área da política, altura em que lhe foi proposta fazer uma notícia sobre um hospital. Por força das circunstâncias iniciou-se na área de saúde. “Inicialmente não conseguia ver sangue, agora estou em blocos operatórios onde tu pode estar aberto. Nunca me  imaginei numa área especifica, se alguma vez pensei em área especifica foi com 16 anos ir trabalhar para a Blitz”, riu-se. Destacou que a saúde é uma área técnica, com um dialecto próprio, difícil de transportar para o telespectador.
Há 5 anos sentiu a necessidade de aprofundar conhecimentos, sendo a área tão técnica decidiu tirar o mestrado de Comunicação e Saúde, na Universidade de Medicina de Lisboa.

 

Na conferência que deu explicou que nesta área, só é notícia aquilo que tiver carácter negativo. “ O que é normal não é notícia! Em saúde, o normal é esperar que os serviços e profissionais trabalhem bem. O instinto humano valoriza mais o negativo, o perigoso, o erro, a incompetência. A denúncia quer mudar o cenário e às vezes muda mesmo.”

 

Assim o que está mal ou funciona mal tem maior projecção, acrescentou. Já o positivo, diz a Jornalista, “tem de encontrar “timings” e sorte. Se o Relvas for despedido no dia nacional do cancro ou no dia mundial da sida, então não haverá espaço para se falar de outra coisa que não seja o Caso Relvas. Lá está o negativo prevalece.”

 

No seguimento da conversa, destacou a importância das fontes para produzir notícia. Enumerou algumas características que as fontes devem ter e que o jornalista não pode dispensar. Ser credíveis , aqui exemplificou o caso – Gripe das Aves – polémica gerada pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS), disponíveis, boas comunicadoras e de confiança, vastas e variadas. Explicou que qualquer jornalista tem que ter formação específica, dominar dossiers, cruzar todas as informações, ouvir todas as fontes, com o objetivo de minimizar o risco de manipulação no domínio da matéria.

 

Tenho sempre que fazer três ou quatro telefonemas a outros jornalistas da mesma área mas que trabalhem noutras instituições, para poder confrontar as fontes. Confrontar noticia e fundamental, realçou. Paula Rebelo demarcou a sua posição ao ser contra o jornalista que consome passivamente, sem qualquer raciocínio crítico, tudo aquilo que a Lusa transmite.

“É importantíssimo cultivar as fontes, ligar por ligar, isto é “fazer a ronda” para ver o que há de novo, para ver se eles querem contar alguma coisa. Temos que nos manter interessantes, sedutores para que, quando precisarmos, essas pessoas atendam o telefone e forneçam a informação, e informação não manipulada.”

 

Terminou a palestra com a ideia de que, a área da saúde é extremamente politizada – “quem pensa o contrário é ingénuo. É um jogo de interesses e é preciso saber jogar”.

 

Maria Girão Sá

 

publicado por Maria Girão Sá às 22:15

Maria

desculpa mas acho que devias rever o teu texto. Há duas ideias que me atribuis e que nunca as exprimi.
1º "nesta área só é notícia o que tiver carácter negativo".
Não o disse! O que disse foi que nesta e em qualquer área Notícia é tendencialmente o negativo e o excelente! Sendo que o negativo tem mais facilidade em ser notícia.

2º Citas-me erradamente quando dizes " faço 3 a 4 telefonemas a outros jornalistas da mesma área mas de outras instituições..."
Maria isto não faz sentido!!! Faço 3 a 4 telefonemas a fontes especializadas de outras instituições...ou seja, médicos, enfermeiros, gestores, enfim...

Bom Trabalho
paula rebelo a 21 de Abril de 2013 às 08:24

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