Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

06
Mai 13

Ana e António são namorados e há três anos atrás partiram para a Suíça em busca de trabalho. Hoje pretendem regressar ao País de origem, Portugal, e ainda sem certezas de nada já só pensam em estar integralmente com os familiares e amigos.


Ana Alves formou-se há cinco anos no curso de História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e após concluir a licenciatura apenas conseguiu arranjar alguns trabalhos precários no país de origem, Portugal. Foi então que, sem trabalho nem dinheiro para puder “conquistar a independência”, Ana decidiu emigrar.

No Verão de 2010 e com a ajuda de um amigo emigrante na Suíça, Ana partiu em busca de “um emprego e de melhores condições de vida”. A emigrante admite que “o ordenado” foi o principal atractivo da sua ida. Durante 6 meses Ana viveu sozinha, num país completamente diferente cuja língua desconhecia e a cultura também. Deixou em Portugal a família, namorado, amigos e todo um “sonho não concretizado”. Mas foi a vontade “de ganhar dinheiro” que nesta altura falou mais alto. “Custou-me mesmo muito, havia momentos em que me perguntava o que estava ali a fazer, mas tive de me aguentar e ser forte. Arranjei forças que nem sabia que as tinha”.



António Fernandes, namorado de Ana, resolveu, em Setembro de 2010 fazer companhia a Ana emigrando para a Suíça. António acabou nesse mesmo ano a licenciatura em Arquitectura pela ESAP e sem projectos promissores nesta área decidiu também emigrar. Mas este foi apenas um dos factores que impulsionou o António a ir para um país estrangeiro trabalhar, “foram diversos factores: foi na altura terminar um curso superior do qual já estava farto e surgir uma oportunidade na Suíça. Na altura a minha namorada também estava fora e havia também isso como possibilidade. E mais tarde fui porque realmente não encontrei trabalho na minha área e quis arriscar numa coisa diferente”.

 


Há três anos que vivem os dois na Suíça, mais concretamente em Scuol (Zurique), trabalham no ramo da hotelaria numa estância de neve mas agora afirmam com toda a certeza que “pretendem voltar”. Para Ana o principal motivo do retorno é “ a saudade da família”. Ainda sem emprego em Portugal Ana não volta atrás na sua decisão “o dinheiro não é tudo, ajuda muito mas não é tudo, e eu sou uma pessoa muito positiva e acho que mais tarde ou mais cedo vou conseguir arranjar trabalho”. Até a crise e a taxa de desempregabilidade não assustam a emigrante que se mostra segura e confiante até porque, caso não arranjem emprego, tem como seguro “um posto de trabalho na Suíça durante o Inverno”. Caso a sorte não esteja a favor destes dois emigrantes “ o trabalho sazonal (no Inverno) será sempre uma garantia que temos”.


 

 

António afirma que, apesar de não ter total confiança nesta decisão, corrobora com a Ana ao afirmar que “realmente o dinheiro não é tudo e há muita coisa que nos faz falta lá. E é sempre o regressar ao nosso País. É aqui que estamos bem, é aqui que temos a nossa família, os nossos amigos”. Para António a questão da empregabilidade em Portugal também não é um factor de grande preocupação “o pouco que já conseguimos amealhar já será suficiente para uma pessoa puder pensar em abrir qualquer tipo de negócio ou ter uma empresa que nos permita sobreviver a esta crise”.

 

Quando o António emigrou para Suíça ainda tentou a sorte na área em que se formou mas nada conseguiu “não é fácil, principalmente pela língua e um segundo factor é que a crise também já se começa a sentir lá. E convínhamos que o mercado a nível de arquitectura na Suíça é mais para os Suíços do que propriamente para os estrangeiros”.  A questão das restrições a imigrantes vigentes na Suíça tem sido também bastante debatida porque de acordo com António, “há muita  procura no mercado Suíço porque de facto é um país que tem muito boas condições de vida, de remuneração. Os salários são, para a média Europeia, altíssimos. E de facto vê-se que há uma procura quase selvagem no mercado Suíço. Cada vez vemos mais pessoas, de países de Leste. E perante tanta procura para tão pouca oferta eles controlam as entradas no País pois não querem chegar a um nível ou atingir um desemprego que lhes seja preocupante”. Apesar disso, António volta a frisar que este não foi um motivo solitário do regresso de ambos “o que nos levou a tomar esta decisão foi a ausência dos nossos familiares, dos nossos amigos”.

 

Ana e António no decorrer destes três anos fizeram na Suíça alguns amigos e aliaram-se a uma comunidade portuguesa no entanto para Ana, “não é o nosso país, lá é sempre estrangeiro e embora as pessoas nos tenham acolhido muito bem, o nosso país é o nosso país, a nossa pátria é a nossa pátria e a nossa língua é a nossa língua e só isso basta para uma pessoa quando vai já estar a pensar um dia em retornar”.

 

Ana está desejosa de voltar e afirma que o regresso está previsto “para um futuro muito próximo”, “entre este ano e o que se avizinha estaremos cá, no nosso País, finalmente!”.



Reportagem SIC NOTÍCIAS sobre restrição da entrada de Emigrantes na Suiça

http://videos.sapo.pt/qRUdHitvWqBrf1Z5mPs4


Trabalho realizado por: Marta Sobral



publicado por On-and-off às 23:04

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