Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

09
Mai 13

Ser músico em Portugal não é uma profissão muito comum. Para além dos artistas pop que ouvimos todos os dias na rádio, que visam atingir o lucro, existe um nicho mais restrito de músicos que ambicionam seguir esta profissão como o realizar de um sonho. João Pedro é exemplo. Pretende seguir uma carreira na guitarra clássica tanto como intérprete como professor, que segundo o próprio só é alcançável com uma paixão e dedicação incondicionáveis.  

  

João Pedro, quando acabou o 12º ano de escolaridade em 2011, esteve um ano a praticar guitarra numa média diária de 8 a 9 horas. Neste momento está no segundo ano do curso de música na Universidade de Aveiro e ambiciona ser guitarrista profissional, uma dedicação que também exige algum investimento. Mas nem sempre foi assim.

 

“Eu comecei pela internet. Tinha uma guitarra do estilo clássico lá em casa encostada e pensei: será que consigo tocar alguns acordes? Então o meu pai sugeriu-me que tivesse aulas de guitarra clássica, tal como ele na minha idade, mas eu queria era aprender os solos de por exemplo músicas dos Pink Floyd. Até que comecei a aprender peças mais complexas, como as de Fransico Tarrega e do período romântico, e a ver-me na pele de professor. Gostei da ideia de dar aulas e perguntei ao meu professor, Augusto Pacheco, como era a vida de músico. Aceitei o desafio”. Via a música como uma forma de entretenimento, como a “Playstation” em que as 8 horas diárias “se faziam bem, sabiam bem”.

 

 

 

 

Os músicos já formados sabem que só os melhores têm sucesso. Do ponto de vista de um formado, o professor de guitarra e membro do Quarteto Parnaso Augusto Pacheco considera que a falta de professores retira “dificuldades a um músico licenciado, pois pode dar sempre aulas”. No entanto, é fora deste contexto “que é muito difícil um músico conseguir viver da profissão, a não ser que toque à bilheteira”. Mas o talento nem sempre corresponde a lucro. Ramiro Lopes, diretor do Forúm Cultural de Gulpilhares, explica que “é pena que neste momento grandes músicos que se formam a partir das escolas não tenham muita saída. Pena que 90 por cento não encontre outra a saída a não ser o ensino. Sabemos que há grupos de música ligeira e popular que ganham bastante dinheiro com qualidade muito duvidosa. Se analisarmos a música deles chegamos à conclusão que não têm qualidade para justificar tal apoio.”.

 

  

Mas mesmo assim, João Pedro decidiu seguir os estudos de música. Para ele, o maior bónus é “uma pessoa entrar na faculdade e já ter trabalho na área que deseja seguir”. É uma arte que demora uma vida a desenvolver, com muito trabalho e treino. Mas que para todos os músicos entrevistados, a opinião é unânime: a música é gratificante em todos os sentidos.  

 

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Imagem: Facebook João Pedro


Por: João Mota




 

publicado por jonasmota às 00:50

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