Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 13

 

Stresse na classe docente afeta milhares de profissionais


 

 


Tal como refere Mesquita “o jornalismo é a componente dos dispositivos mediáticos que mais de perto se relaciona com a visibilidade dos atores sociais…”.

O professor está na ordem do dia.

O quadro estratégico para a educação e formação 2020 recomenda que os alunos têm de trabalhar mais, o que propõe uma nova lógica de trabalho por parte dos professores. Segundo Claude Thélot, especialista em educação, os professores de século XXI têm de ser treinados na perspetiva da organização das aprendizagens.

O Estado e a Sociedade olham para a escola e obrigam-na a sarar todos os males sociais.

O papel do professor é cada vez mais difícil e complexo. Um crescente número de professores sofre de stresse e recorre à ajuda psiquiátrica para o ultrapassar.

Os jornais diários, durante a semana passada, noticiaram que em 2009, no último concurso foram lançadas quase 30 mil vagas positivas para colocações e 2 mil negativas. Este ano, há 618 vagas positivas e 12 003 negativas. Para o líder da Fenprof, esses números resultam das medidas “terroristas para a escola pública” de Nuno Crato.

Por sua vez, Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, refere: “Penso que Nuno Crato falou muito antes de ser ministro, mas que agora demonstra alguma dificuldade em o fazer. Espero que não fique para a história como o ministro que fez a Educação andar para trás”.

Os professores queixam-se com frequência do enorme stresse que esta profissão lhes provoca e cada vez mais aparecem no médico a pedir ajuda.

O stresse não é uma doença, no entanto, se não for tratado pode ser degenerado em doença, afirma Rui Mota Cardoso, fundador do Instituto de Prevenção do Stresse e Saúde Ocupacional.

Os professores vivem ou não em situação de stresse?

Todos os professores que, de facto, estão a “ser” professores sofrem de stresse, no presente.

As exigências do Ministério da Educação não são superáveis pelo professor, ser humano, profissional, principalmente o profissional mais motivado. Neste momento, o professor é obrigado a ser aquilo que não é.

Impreparado, naturalmente entra em stresse.

Fala-se muito sobre os professores e muito pouco se sabe sobre o que é ser professor e daí, muitos, principalmente os governantes, não entendem que o professor não vive de acordo com o que deve ser.

Estudos efetuados pelo CNE indicam que não é possível que os alunos continuem a chegar ao 9º ano com dois ou três anos de atraso, ou que vão passando com negativas a determinadas disciplinas, com grandes lacunas na aprendizagem.

 


Um Assunto Atual


 

 

 



Com a atual situação do país, não existem condições para cumprir os estudos do CNE e segundo Albino Almeida “se o país falhar esta meta, pagará isto mais caro que os juros à Troika. Os atrasos na qualificação de um país são irrecuperáveis”.

Cada vez mais há uma grande discrepância entre o que é exigido ao professor e aquilo que ele é. Estamos a viver uma época de muita instabilidade, inquietação, frustração, desânimo, em que não existe uma definição exata do que é a organização de trabalho destes profissionais nem das regras por que se regem.

Muitos docentes, neste momento, depois de 20 anos de carreira, lecionam disciplinas que nunca antes lecionaram e em ciclos onde, também, nunca trabalharam. Por fim, numa profissão de relações humanas, em termos afetivos, dá-se muito e recebe-se pouco.

A autonomia do professor desapareceu. E a solidariedade entre colegas? Desapareceu! A profissão é útil? Quem a reconhece?

Tal como refere João Ruivo, vice presidente do IPCB “a escola obriga-se a prevenir a toxicodependência, a educar para a cidadania, a formar para o empreendedorismo, a promover uma cultura ecológica e de defesa do meio ambiente, a motivar para a prevenção rodoviária, a transmitir princípios de educação sexual, a desenvolver hábitos alimentas saudáveis, a prevenir a SIDA e outras doenças sexualmente transmissíveis, a utilizar as novas tecnologias da comunicação e da informação, a combater a violência, o racismo e o belicismo, a reconhecer as vantagens do multiculturalismo, a incutir nos jovens valores socialmente relevantes, a prepará-los para enfrentarem com sucesso a globalização e a sociedade do conhecimento e sabe-se lá mais o quê…”.

Os professores não podem evitar o stresse emocional, afetivo e físico e, “entregues a si próprios, sem acompanhamento nem adequada e suficiente formação complementar, os docentes sentem sobre os seus ombros o peso da enorme responsabilidade que lhes é imputada pelo Estado e pelas famílias. Vítimas de uma angustiante solidão profissional, cativos dentro das quatro paredes da sala de aula onde trabalham, quantas vezes em condições desmoralizadoras, rodeados de muros e cercas metálicas de várias origens e diferentes significados, os docentes atingem perigosos estádios de desencanto, de desilusão e desmotivação profissional… Por cada nova competência que se lhes exige, sem a correspondente formação, o professor vai atingindo níveis cada vez mais preocupantes de incompetência no cumprimento desses novos saberes que lhe impõem e para os quais não foi preparado, aumentando os seus níveis de stresse” afirma João Ruivo.

Na maioria dos casos, a situação de stresse, não é aceite nem pela família nem pelos médicos. O professor tem mais possibilidades de pedir baixa por ficar afónico do que por se encontrar numa situação de “burn out”, ou seja, o stresse é uma doença incompreendida e desrespeitada, habitualmente traduzida por preguiça.

Num estudo IPSSO 2000, que foi publicado pela Porto Editora com o título O Stresse nos Professores Portugueses, 1 em cada 2,8 docentes percecionavam-se em situação de stresse e 1 em cada 15,8 relatavam sintomas de” burn-out”.

Rui Mota Cardoso aconselha os seus pacientes a investir o afeto em vários domínios . A tertúlia entre amigos será fundamental...


 


 

 

 


Trabalho realizado por : Maria João Domingues

publicado por mariajoaodominguesblog às 22:14

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