Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 13

Desde há muito tempo que o desporto – maioritariamente o futebol – se “transformou” em algo maior que um simples jogo. O futebol é, agora, uma indústria, um negócio. A par de todo o sucesso desportivo que os demais clubes e instituições tanto logram por conquistar, nos dias que correm, o plano financeiro assume-se, cada vez mais, como um pano de fundo tanto ou mais importante que as conquistas dos troféus. Perdeu-se, também, alguma competição entre os clubes de todo o mundo. Os mais atentos certamente se lembram de todas as transferências astronómicas que tanta tinta correm nos jornais. Nomes como Figo, Zidane ou Ferdinand ilustram o poder financeiro que os maiores clubes da Europa detêm. Recentemente, o mesmo clube que há uns anos formava a equipa dos “Galácticos”, bateu todos os recordes de tranferências ao contratar o português Cristiano Ronaldo por uma soma superior a 90 milhões de euros. Aliado ao sucesso desportivo que o atleta tem, seja em que país ou competição for, o Real Madrid consegue pagar esses investimentos com merchandising ou direitos de imagem dos seus maiores craques. Mais do que a perseguição assumida pela décima Liga dos Campeões, ou por mais um troféu de campeão de Espanha, tanto o Real Madrid como qualquer outro clube, preocupa-se, acima de tudo, em conseguir uma situação financeira estável e, se possível, lucrativa. No plano nacional, seja Porto, Benfica, Sporting ou qualquer outra instituição, o objectivo terá de ser, sem dúvida, o de conseguir um ano sem grandes problemas económicos. De há uns anos a esta parte, temos assistido a um Porto e Benfica, maioritariamente, a funcionarem como “clubes satélite” dos grandes emblemas do futebol do Velho Continente. Recorre-se a mercados em exploração, como o sul-americano, onde os futebolistas são, tendencialmente, mais acessíveis às carteiras do nosso campeonato e, depois de uns anos de trabalho a “lapidar os diamantes”, vende-los a preço de ouro. A competitividade interna nunca pode ser posta em causa mas, concretamente no caso do futebol português, a máxima terá de ser, sempre, “comprar barato para vender caro.” Ora, no meio de tantos euros ou libras, o simples adepto fica, por vezes, indignado com esta ou aquela transferência. No mesmo prisma, o comum mortal fica estupefacto – e, talvez, cheio de razão – por pessoas normais conseguirem ordenados na ordem de muitos milhares, ou até milhões, para simplesmente correrem atrás duma bola, a meterem numa baliza ou evitarem que esta entre na sua. Surge, então, uma questão peculiar para os “amantes” do futebol ou do desporto em geral: Será que é possível ganhar dinheiro com o desporto sem se ser desportista? É, claro que sim, pode fazer apostas desportivas.

 

 

Depois do termo “aposta desportiva” funcionar há muitos anos atrás, fosse na Grécia antiga ou no tempo dos Romanos, a evolução tecnológica permitiu um enorme avanço nesta actividade. O aparecimento da internet facilitou o processo de apostas desportivas. Agora, ao invés da necessidade de recorrer ao evento em que decidíamos apostar, ou de ser obrigatório a deslocação a uma casa de apostas, pode usufruir esta técnica, ou “emprego”, sem sair de casa. Basta que, para isso, tenha acesso a internet. De há uns anos a esta parte as casas de apostas online têm ganho uma enorme relevância no mundo da web. Inicialmente, estas indústrias eram casas onde os demais apostadores se deslocavam para dar o seu palpite e, caso fosse certeiro, a própria casa pagaria o valor mais justo pela aposta. Já no século XXI, depois da criação das plataformas online, isto é possível com um simples clique: escolhemos o jogo em questão, decidimos que é nesta equipa que queremos apostar, voltamos a escolher o montante e, passados alguns minutos, ou até os noventa – no caso de um jogo de futebol – temos o dinheiro na nossa conta virtual. “Parecia simples.” No meio de um jogo futebol, com o som das claques como pano de fundo, Paulo Vieira vibra com as emoções do jogo atrás de um computador. “Estou à espera de um golo do Real Madrid, depois já consigo fechar posição com algum lucro.” Paulo Vieira tem 22 anos e é estudante na Universidade de Coimbra. Através dos amigos conheceu o mundo das apostas online há uns anos atrás. “ Não sei ao certo, mas devem ser já uns 5/6 anos desde que conheço isto. Contaram-me que conseguiam ganhar dinheiro a apostar no futebol. Lembro-me de pensar: “Ora, basta apostar sempre no Porto, Barcelona, Real ou Manchester – que à partida ganham sempre, ou quase – e vou ficar rico com isto.”” A história não foi bem assim, e Paulo nunca conseguiu tirar rendimentos constantes desta actividade. Contudo, também não empobreceu. “ Longe disso. A primeira coisa a fazer é assumir que o dinheiro que depositamos não nos faz falta, ou seja, só vais apostar aquilo que podes perder. A consciência é o factor principal das apostas.” Entretanto, no meio das correrias de Cristiano Ronaldo, dos passes de Ozil ou das desmarcações que Higuain tenta realizar, o golo que Paulo desejava acabou por aparecer. “Pronto, o Real já deu a volta, o mais difícil está feito. Agora fecho posição, e qualquer que seja o resultado do jogo, já ganho dinheiro.” Efectivamente, ganhasse o Real Madrid, o Valladolid, ou o jogo terminasse com um empate, o lucro estava garantido. “A Betfair (casa de apostas online) permite-nos fazer isto. É diferente de todas as outras. Funciona como um mercado, em que compras uma probabilidade baixa e depois, à medida que ela vai subindo, tomas as decisões de vender, repartindo o lucro. A máxima tem de ser essa, comprar barato, e vender caro. Não é como Bet365 ou a Bwin, isto é uma bolsa de apostas.” O Paulo acabou o jogo com o lucro superior a 20€, ao apostar, na sua totalidade, apenas 4. São as vantagens da Betfair? “Não sei se são vantagens ou não, eu prefiro. Por exemplo, no jogo de hoje o Real Madrid começou a perder, o que não mudou muito a minha estratégia, pois ao analisar o jogo, sabia perfeitamente que o real estava em condições de dar a volta ao marcador. Como tinha apostado que eles ganhavam o jogo, aproveitei ainda mais a subida da sua quota, por estarem a perder, e apostei ainda mais. Quando viraram o resultado já tinha um lucro de 100% do que tinha apostado. Saí desse mercado, com lucro, e fui para os golos. Como estava um jogo aberto, apostei que ia haver mais 2 golos, pelo menos. Correu bem, mas podia estar a dizer, agora, que o jogo tinha ficado igual e eu ia perder grande parte do investimento.”

 

 

Contudo, no outro lado da barricada, mas a preferir “as coisas mais simples”, Ricardo Novais vestia a camisola do Valladolid. “O meu método de apostas é mais arriscado; tento apostar sempre, ou quase, nas equipas que não são favoritas, pois a mina de ouro está aí. Hoje perdi, mas quando as equipas grandes tropeçam tenho lucros enormes.” Aos 27 anos, Ricardo é gerente de um “café ou bar, um sítio diferente, não tem uma definição certa.” Conhecedor das apostas há uns anos, através da internet, o jovem conta como começou o seu percurso. “Já tinha ouvido falar disso, nos cafés e nas escolas, depois fiz umas pesquisas e acabei por me render. Andava toda gente maluca com essas coisas, já lá vão uns 7 anos, penso eu.” Não tendo paciência para ver todos os jogos de futebol em que quer apostar, acabou por se render a um método diferente do de Paulo Vieira. “Sei como funciona a Betfair mas, sinceramente, a mim não me fascina. Prefiro apostar num jogo, e no final do mesmo sei se ganhei ou não. Aposto através da Bet365, que foi a primeira que conheci.” À medida que o tempo passou, e que o futebol teve, também, algumas alterações, Ricardo alterou, também ele, a sua estratégia de apostas. “No início apostava normalmente, nas equipas favoritas, mas vi que a rentabilidade era reduzida. Precisava de apostar, por exemplo, 10€ que o Porto ganhava, e o meu lucro seria de 2€. Levava muito tempo e, caso o Porto não ganhasse as perdas eram grandes.” Não sendo suficientemente paciente para construir “carteira constante, ainda que pequena”, Ricardo decidiu ser um apostador “contra a corrente.” “Continuo a analisar os jogos em que quero apostar, seja fiado em estatísticas ou no que os jornais dizem, mas prevalece, quase sempre, o meu instinto. Aqui há tempos, o último classificado da liga da arábia saudita ia jogar a casa do quarto classificado. Vinha de uma sequência de 7 jogos a perder. Há poucas equipas que conseguem ter 10 jogos seguidos a ganhar, mas isso também vale ao contrário. Então apostei neles. Combinei essa quota com outras que à partida eram mais simples, e apostei um simples euro, pois era arriscado. Ganhei 450€, com um 1€. Imagine se tinha apostado 10, ou 20€.” Seja no futebol ou em outro desporto qualquer, a qualidade individual e colectiva é sempre importante mas, por muito que se esforcem, nem sempre a melhor equipa ganha. Existe, também, o factor sorte, seja no jogo, ou nas apostas online. “Claro que uma excelente análise pode correr mal, e uma feita “às três pancadas” pode correr muito bem, há sempre uma pontinha de sorte que atraiçoa um bom ou mau momento de uma equipa.” Contudo, se os treinos forem preparados, se um jogador treinar 20 vezes a marcação de um penálti, certamente estará mais à vontade se ele acontecer num jogo. “Isso é óbvio, também faço o meu trabalho de casa. Sou portista, claro, mas quando o porto estava em queda, apostei que eles perdiam. Claro que era a minha equipa, e se eles ganhassem, ia ficar um pouco contente, mas eles não me dão mais que isso – alegrias. Eu não consigo viver só de alegrias.”

 

 

A Betfair e a Bet365 são duas das mais conhecidas casas de apostas online que estão à disponibilidade dos utilizadores. Contam com vários milhões de utilizadores e oferecem inúmeras oportunidades de mercados, seja futebol, hóquei em patins ou no gelo, ténis, e até candidatos políticos. A bet365 pertence a um grupo inglês de apostas, bet365 group limited, no Reino Unido, e possui uma licença desde 1974, isto é, existe legislação face ao mundo das apostas. Em Portugal, essa legislação está a ser estudada há já uns anos, sob ponto de vista de as casas de apostas serem legalizadas e oferecerem aos apostadores profissionais a oportunidade de pagarem assim os seus impostos. Nesse sentido, surgiu, em agosto passado, a ANAon, Associação Nacional de Apostadores Online. A associação, que é constituída pelas três maiores comunidades de apostares em Portugal, Academia de Apostas, Aposta Ganha e Método do dinheiro, têm como objectivo principal “defender os interesses dos apostadores”, mas também, “alertar para o problema do jogo compulsivo”, “resolver problemas entre apostadores e casa de apostas” e ser “parte activa do processo de regulamentação das apostas em Portugal.” A ANAon, ainda que não seja conhecida totalmente por Ricardo e Paulo, dispensa apresentações sobre o seu presidente, Paulo Rebelo. “A associação, sinceramente, não conhecia, mas claro que todo o apostador, ainda por cima na betfair, sabe quem é o Paulo Rebelo. Acho que é o “guru” para quem quer realmente ter uma vida de apostador”, salienta Paulo Vieira. Já Ricardo Novais, que não utiliza a casa de apostas mencionada, fez questão de congratular a iniciativa. “Já tinha ouvido falar, mas nada de concreto. De qualquer maneira, é uma excelente ideia para quem é ou quer ser apostador profissional. Eu também gostava de ser, mas não é uma coisa assim tão simples.” Findos os noventa minutos de um jogo de futebol, sem direito a prolongamento, os dois jovens mostram-se, ainda assim, confiantes no futuro. “Adorava ser um apostador profissional, conseguir viver só das apostas que faço, mas é muito complicado. Já fico contente quando ganho alguma coisa para o dia o dia. Posso dizer que, no que diz respeito as apostas online, tenho lucro, e bastante, mas não dá para me sustentar”, conta o jovem estudante. Na equipa adversária, Ricardo Novais, de 27 anos, admite que “sempre dá para comprar algumas coisas por fora.” “Como aposto contra a corrente, não tenho uns ganhos constantes, se é que podemos dizer isso. Mas, por outro lado, quando ganho dá para eu andar uns meses sem ter que apostar todos os dias, ou regularmente.” No meio de todos os gráficos de análise ou cânticos das bancadas, as apostas desportivas tem-se tornado num dos grandes atractivos dos amantes de desporto. Não podendo ser um jogador mediático, ou treinador reconhecido, os desportistas de secretária tentam aumentar a sua carteira com as opções que lhes são dadas.

Contudo, importa realçar que, se fosse fácil ser-se um apostador desportivo, prever o que vai acontecer em cada momento do jogo ou do campeonato, qualquer amante da modalidade conseguiria apostador profissional.

 

Conheça aqui o apostador Português com mais sucesso que disponibiliza, também, aulas sobre apostas.

Consulte, também, o centro de ajuda e aprendizagem da Betfair.

 

Luís Miguel Costa

publicado por Luís Miguel Costa às 12:26

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