Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mar 10

    

 

Rui Baptista, especializado em Jornalismo Político, foi o convidado da aula de hoje de Jornalismo Especializado.

Jornalismo Politico é a vertente da profissão jornalística nos assuntos relativos a questões de índole política (quer a nível local, regional ou nacional), ao parlamento, aos partidos e a todas as esferas de poder formal na sociedade.
Na política, mentir ou não mentir é o cerne da questão, a verdade é essencial na vida política. Rui Baptista afirma que há dois nichos de mercado, um que é muito procurado - a economia - e o outro, a política. O jornalista político tem que ter um domínio avançado da técnica jornalística. O poder político tem algo de afrodisíaco, vive as emoções de forma avassaladora, pleno de adrenalina, numa corrida constante para compreender e acompanhar as mudanças do mundo e para os outros acompanhem essa mudança.
Temas Usados no Jornalismo Político
O jornalismo político inclui assuntos como a cobertura de eventos (eleições, revoluções, golpes, votações parlamentares, decretos, negociações entre partidos e blocos de poder, entre outros), as instituições que geram produtos e factos (governos, ministérios, secretarias, partidos, órgãos oficiais, institutos de pesquisa de opinião), as políticas públicas (ministérios da área institucional, secretarias de governo) e o dia-a-dia do poder.
 Nos assuntos do quotidiano são incluídas as negociações, os acordos e trâmites de projectos de lei, mudanças de cargos, processos contra políticos e ocupantes de cargos públicos, além de escândalos de crime políticos, abuso de poder, tráfico de influência e corrupção.
Como todas as especializações da profissão de jornalista têm fontes. Que tipo de fontes têm o Jornalismo Politico?
 As fontes de política são divididas em protagonistas, os políticos (inclusive sem cargo público), autoridades (presidentes, governadores, ministros, secretários, deputados, vereadores), especialistas (analistas políticos, cientistas políticos, politólogos, sociólogos) e usuários (eleitores, contribuintes).
Os jornalistas que cobrem a política a nível nacional costumam estar concentrados na capital do país e geralmente trabalham em contacto constante com políticos e ocupantes de cargos públicos, inclusive fazendo refeições em conjunto.
De uma forma geral, as sedes de instituições públicas, no caso do jornalismo Político, Parlamento e palácios do Governo, sede ministeriais têm salas de imprensa, onde as assessorias recebem os jornalistas.
Há interessados na área da política?
Para Rui Baptista são poucos os que se interessam por esta área, dada a sua complexidade, e por acharem que os políticos se servem de todos os meios, para alcançarem o poder. Nas suas palavras “para se conhecer o carácter de um homem dêem-lhe um bocado de poder”, resume a sua fórmula para contrariar o que a maioria dos portugueses, onde me incluo, pensa acerca da política, acrescentando ainda que “a política é o palco ideal para conhecer o carácter humano”. Refere, ainda, a propósito desta questão que apesar da política ser uma área exigente é, provavelmente, das áreas mais recompensadoras do ponto de vista profissional, financeiro e pessoal.
 Como já referi, penso como a maioria dos portugueses, mas não podemos julgar alguém pelo que ouvimos ou pelo primeiro erro que um politico comete, mas sim assistir ao “filme” ou ler o “livro” até ao fim e só depois formar a nossa opinião. Ou seja, a opinião deve ter como base a posse do maior número possível de elementos informativos. Só então, termos uma opinião consistente e coerente com os factos.
 
Agencia Lusa vista pelo Rui Baptista?
Estando a trabalhar na Agencia Lusa na área de política, o Jornalista convidado para a aula de Jornalismo Político, falou-nos um pouco deste meio.
A Agencia Lusa é o jornal dos jornalistas, pois é através deste meio que os outros órgãos de comunicação têm acesso a muita informação, antecipando muitas vezes o jornalismo on-line.
Agenciamos os jornais”, diz Rui Baptista, pois os jornais, mediante o pagamento de uma quantia, têm acesso em primeira mão aos acontecimentos do dia, já que os jornalistas da Agencia Lusa actualizam constantemente as informações.
Na política, têm acesso e noticiam assuntos relativos à presidência, ao governo, ao parlamento, a questões militares e tribunais constitucionais, ou seja, tudo o que tiver relações com a vida política. “A política envolve tudo, está basicamente em tudo e o peso das palavras nesta área tem uma força extraordinária”, afirma Rui Baptista, e se reparamos é verdade que quase todos os assuntos ou de acontecimentos têm, directa ou indirectamente, um elo que o liga à política. A título de exemplo: se cair uma ponte, não faz parte da área de política, mas na investigação e na redacção jornalística os políticos são referenciados, por via da sua responsabilidade na prevenção de acidentes, na análise e tomada de posição (ou não) sobre eventuais relatórios, etc...
Sendo o jornal dos jornalistas, se a Agencia Lusa, comete um erro informativo, tem um impacto brutal, pois a noticia em poucos segundos está nos mais diversos meios de comunicação
Política e jornalismo: Que relação têm?
A comunicação social é importante e sempre foi um meio de incentivo para que a sociedade participe na vida política. Hoje em dia há novos meios, tomando como exemplo os blogs, onde a emissão e o confronto de opinião incentiva a participação dos cidadãos na actualidade política. Há quem pense que os media só servem para criticar e realçar os defeitos dos políticos, mas o jornalista Rui Baptista não concorda com esta ideia. Pelo inverso, os media não realçam os defeitos, chamam é a atenção para alguma coisa, fundamentalmente informam, admitindo, contudo que determinados órgãos de comunicação abusam do poder, exagerando na informação que dão dos políticos e da política. Portanto, podemos afirmar que têm uma relação de amor e de ódio, pois ambos se complementam: a política precisa do jornalismo para a divulgação do acontecimento e o jornalismo precisa da política para ter notícia
Carlos Magno, analista politico, considera que “que com esta relação os políticos perdem muito poder junto das sociedades enquanto que os jornalistas perdem poder editorial”. Perguntei a Rui Baptista se partilhava desta opinião, ao que ele respondeu que “não concordava, pois os políticos precisam muito dos jornalistas e gostam deles porque são fonte de muita informação”.
Do meu ponto de vista, concordo com certos aspectos de ambos, ou seja, os políticos precisam dos jornalistas e vice-versa, acabam por coabitar politica e socialmente, correndo muitas vezes o perigo de contra-informação, levando a que surjam casos em que, uns e outros - com predominância por parte dos políticos -, percam credibilidade junto da sociedade. Do mesmo modo, acabamos por ter jornalistas e jornais de má qualidade, prevalecendo a opinião em detrimento da informação, perdendo poder editorial, e conduzindo ao jornalismo vulnerável, isto é, alvo daquilo a que podemos chamar a dúvida jornalística.
No campo da política a maior crítica do papel dos media e do jornalismo é que cada vez mais a notícia está sujeita à apreciação crítica de pendor negativo, tornando os cidadãos desconfiados relativamente à política e aos políticos. Rui Baptista concorda com esta interpretação.
Concluindo, a política é uma área que divide a opinião dos portugueses. Vista como uma relação de amor e ódio, um e outro crescem ou diminuem ao sabor da conjuntura social - favorável ou desfavorável - em que vivemos quando a notícia é dada.
publicado por taniaaguiar às 23:11

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