Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Mai 13

Em qualquer casualidade do dia, a música tornou-se um fenómeno omnipresente. Todas as pessoas mesmo que com gostos diferentes, ouvem música, seja de manhã na rádio do carro, numa festa de anos, numa discoteca com os amigos, para fazer companhia numa tarde de descanso, etc., a verdade é que as canções fazem parte do nosso dia-a-dia.

“A música oferece à alma uma verdadeira cultura íntima e deve fazer parte da educação do povo.” (François Guizot).

Uns apenas a ouvem, outros reproduzem-na, outros fazem dela um modo de vida. Carlos Maciel, tem 32 anos e é artista de rua há vários, é no Porto que faz com que a sua voz seja o seu modo de sobrevivência. Apesar de cantar por paixão, é sentado na calçada quase todos os dias, que faz dinheiro para o seu sustento. Habituado a este “trabalho” não se vê a fazer outra coisa sem ser “dar música aos portuenses”.

 

 

 

Na mesma cidade de Carlos Maciel, também Nuno canta nas ruas para que possa sobreviver, ambos têm a mesma paixão com a música mas ao contrário de Carlos Maciel, Nuno viu-se mesmo obrigado a procurar nas ruas uma maneira de sustentar a sua família. Ficou desempregado recentemente e enquanto procura emprego, troca música por uma moeda. “Queria é que me arranjassem trabalho, não era o rendimento mínimo, queria trabalho”.

 

 

 

 

 

Fora dos cantores de rua, temos Hugo Bernardes, tem 23 anos e está desempregado. Para ele a música também tem um papel fundamental na vida: “Para além de nos transmitir bastantes e diferentes sensações, torna-se também numa companhia, fazendo parte da nossa rotina“. Hugo utiliza o seu dom de tocar percussão em bares e discotecas para o ajudar monetariamente. Há três anos que acha que realmente a sua carreira na música pode evoluir e crescer ainda mais, mas a sua paixão surgiu aos 14 anos no seu grupo de amigos. Começou a atuar apenas para eles e a partir daí a vontade de aprender aumentou cada vez mais. Sem nunca ter tido formação a sua determinação em aprender levou-o ao nível em que se encontra. As suas atuações são essencialmente ao fim-de-semana o que lhe permite procurar outro emprego no seu tempo livre, que é bastante.

                                                                     

 

 

 

Embora seja uma paixão Hugo considera que a sua área é complicada e que está em crise. Apesar de ir conseguindo sobreviver não permite ter a vida que desejaria. “A verdade é que em Portugal, na área de percussão, pouquíssimos são os que tiram grandes ganhos”.  Afirma que dificilmente as atuações são pagas mediante o trabalho que é feito e que apenas as pessoas de nome ganham consideravelmente bem. Para ele, a vida de percussionista é difícil e não é valorizada como deveria ser. “Os tempos não são favoráveis para entidades que recrutam este tipo de animação, tornando o mercado na minha área demasiado competitivo e cada vez mais, seremos obrigados a baixar preços que em nada vão de encontro ao que uma atuação vale”.

 

 

                                          

 

 

 

 

   Diana Sanches: Quando começou a tua experiência com a música?

Hugo Bernardes:  Tudo isto, começou então quando tinha 14 anos mais ou menos, tendo realizado a minha primeira experiência diante de um público por volta dos 17. Importa referenciar que utilizo esta minha vocação para acompanhar Dj’s em bares, club’s, discotecas.

Nunca tive aulas, apenas sempre houve um gosto especial por este tipo de instrumentos no meu círculo de amigos e fui aprendendo consoante o que ouvia, o que via e o que sentia a nível criativo.

 

D.S.: O que representa para ti a música?

H.B.: Se pararmos um pouco para pensar, a música é algo que influencia as pessoas diariamente. Para além de nos transmitir bastantes e diferentes sensações, torna-se também numa companhia, fazendo parte da nossa rotina.

Especificamente em mim, acrescento a vontade que me transmite de completar alguma música com aquilo que faço de melhor, tocar percussão.

 

D.S.: Há quantos anos te dedicas mais a sério à música?

H.B.: Há quase 3 anos que olho para esta área como algo em que posso evoluir ainda mais, em tirar proveito do dom que tenho e tentar viver com o que realmente me entusiasma.

 

D.S.: Como surgiu?

H.B.: Como referenciei na primeira questão, tudo surge dentro do meu grupo de amigos. Um deles comprou um instrumento chamado Darabuka, normalmente utilizada em músicas marroquinas. A partir daí o gosto surgiu, a vontade de aprender mais também e algum tempo depois, a percussão já fazia parte das nossas festas.

 

D.S.: É um hobby ou já se trata de uma profissão? 

H.B.: Bem, neste momento, posso classifica-lo como profissão, pois é a única forma que encontro para conseguir alguns ganhos monetários visto estar desempregado.

 

D.S: Permite que tenhas a vida que desejas (nível de tempo e monetariamente)?

H.B.:  Quanto ao tempo livre, claro que ele acaba por existir em abundância, pois todas as possibilidades de tocar numa festa, normalmente surgem ao fim de semana. Quanto a conseguir tirar proveitos suficientes para uma boa qualidade de vida, a minha resposta já tem que ser negativa. Permite-me auto sustentação mas não mais que isso. Os tempos não são favoráveis para entidades que recrutam este tipo de animação, tornando o mercado na minha área demasiado competitivo e cada vez mais, seremos obrigados a baixar preços que em nada vão de encontro ao que uma atuação vale.

 

D.S.: É fácil sobreviver com a música ou outro emprego já é uma opção?

H.B.:Muitas pessoas conseguem sobreviver com a música. Uns de forma excelente, outros que trabalham igualmente muito, mas que não conseguem passar a barreia do suficiente e depois há aqueles que apenas utilizam a música para ganhos de lazer, tendo um trabalho prioritário durante a semana. A verdade é que em Portugal, na área de percussão, pouquíssimos são os que tiram grandes ganhos. Para além das pessoas que têm uma imagem conhecida, muitos anos de experiência e muitos conhecimentos, todos os outros, acabam por estar limitados à sua cidade, a tentar contactos num lado ou em outro na busca de oportunidades que para além de serem poucas, muitas das vezes surgem com a obrigação de serem a custo zero numa primeira vez e apenas remunerada a partir da segunda, o que sinceramente, quando tal acontece, podemos esperar que a segunda oportunidade na mesma casa nunca aconteça. Existe muita má vontade e alguma ganância a mais de algumas pessoas.

 

 

publicado por Diana às 23:14

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