Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

24
Mai 13

 

 

A Universidade Lusófona do Porto foi novamente espaço de aula aberta. O novo convidado, Álvaro Costa, abordou vários temas entre os quais o paradigma do comunicador na nova geração das redes sociais, numa seção que durou duas horas na passada quarta-feira dia 22 de maio.

 

Qual é o papel do comunicador atualmente, em especial no mundo online? Foi a pergunta que Álvaro Costa, o enérgico caxineiro e jornalista da Antena 3, tentou responder. Tomou como exemplo a própria experiência, mais concretamente na época após apresentar o programa Liga dos Últimos para a RTP. “Quando o Michael Jackson morreu, fiz a cobertura noticiosa ao qual uma pessoa disse num blogue: o que faz ali o tipo da Liga dos Últimos?”.

 

  

Agora é uma pessoa mais atenta à nova geração, que reage cada vez mais rápido ao comunicador de massas, como Álvaro, num mundo mais ligado à internet. Num discurso decorado com anglicanismos como "mainstream", "whatever" e outros jargões típicos de um utilizador online do século XXI, explica que a interação com o utilizador online é a máxima do jornalista, que “nunca está só a ouvir o programa. Está em vários sítios ao mesmo tempo, a falar no Skype, a mandar mensagens. Se a interação falhar perde-se a atenção da audiência”.

 

 

Álvaro Costa chama também atenção para o acesso à net, que é “ tão instantâneo que até dói”. Explica que é necessário estabelecer um modelo de comunicação apropriado, para depois perceber qual o modelo económico mais viável. "Portugal está atrasado 10 anos em relação aos EUA", os pioneiros das redes sociais. Com a crise, torna-se "difícil arriscar pois não há dinheiro". Para ele, o futuro está no grátis, onde os "modelos tradicionais passarão para a net, para os grandes playeres como é o caso do YouTube". Os canais generalistas "só sobrevivem enquanto houver publicidade e eventos como a vinda de papas".

 

Álvaro Costa finaliza a sessão com algumas ideias quanto ao futuro da profissão, que "é brilhante e as possibilidades são imensas, daí que seja necessário estabelecer uma ordem na vasta biblioteca de Alexandria. Os meios de comunicação tornam-nos realizadores, como o caso do iPad em que podemos tirar fotografias e fazer vídeos da realidade que queremos captar. É fundamental usar os métodos de deontologia e perceber que estamos sempre no domínio público, mesmo no online".

 

Alguns dados:

Homem da Rádio

A cidade do Porto é o local ideal para viver deste portista incondicional

Amante da Cultura Pop, desde aos filmes à música

Disc Jockey

Pai de uma menina 

 

Trabalhos:

-BBC (programa Music Box)

-Liga dos Últimos (RTP)

-Bons Rapazes (programa da Antena3)

-Grande Área (RTPInformação)

-Portugal 3.0 (atualmente no ar na Antena 3)

-AC tv, projeto para um novo cana de informação

 

 

Imagens: Página Oficial de Facebook Álvaro Costa
Veja também: 

Por:
João Mota 
publicado por jonasmota às 18:33

Já lhe aconteceu pensar que está a ser perseguido? Ligar uma televisão ver uma cara, entrar no carro e ouvir a voz da mesma pessoa ou, até, viajar pela internet e ser, mais uma vez, bombardeado com comentários ou informações dessa mesma pessoa? Pois bem, essa situação é possível com Álvaro Costa, jornalista da RTP.

“Hoje, com a tecnologia que usamos, somos meios de comunicação.”

 

 

A frase é do mesmo jornalista, Álvaro Costa, aquando de uma aula aberta à comunidade universitária na Lusófona do Porto, na passada quarta-feira, 22 de Maio. Com um ar natural e completamente descontraído, o jornalista da RTP, de 53 anos, proporcionou uma viagem “atribulada” por todo o seu vasto trabalho. O “comício”, esse, decorreu de uma forma bastante relaxada e em jeito de conversa informal. Se nos perguntarmos, a nós e até mesmo aos outros quem é Álvaro Costa, a resposta será, tendencialmente, a mesma: “é o da liga dos últimos.” A verdade é que, apesar de segundo o jornalista, “a liga dos últimos foi o Santo Graal da minha reconstrução”, o seu reportório fala mais alto que somente “o programa cultural”, do povo, que vibrava com o futebol.

A sua tremenda variedade de conhecimento, junto com uma comunicação fluida e, de certo modo, desconcertante – no bom sentido, claro -, permitiu-lhe alargar a sua área de trabalho entre os demais temas: música, desporto e tecnologia. O programa “Bons rapazes”, na Antena 3 ficava ao encargo do jornalista que, em conjunto com Miguel Quintão, em Lisboa, deliciavam os ouvintes com duas horas de novidades e sucessos musicais; No futebol, apesar de ser um adepto confesso, e “gostar muito do jogo”, opta por uma postura mais neutral. No programa “Grande Área”, da RTP Informação, o jornalista é responsável pelo “programa B”, uma espécie de extensão ligada à tecnologia, seja nas redes sociais ou noutro formato qualquer.

A variedade e conhecimento são duas das principais armas que o jornalista tem em seu poder. Apesar disso, a sua inspiração está “nas leituras ou conversas com a nova geração.” Com a preocupação de ter, sempre, “um pé na deontologia e no rigor”, Álvaro deliciou, cativou e motivou a plateia da Universidade Lusófona.

 

“O futuro [da comunicação] é brilhante.”

 

Actualmente, o jornalista é responsável pelo programa “Portugal 3.0” mas, contudo, tem diversos projectos futuros. Explicando à plateia que, basicamente, até a “Joana-Tv” pode existir, o jornalista falou dos seus trabalhos futuros, relacionados com um canal de televisão da era digital, a AC.TV.

De uma forma geral, é enriquecedor para qualquer estudante, seja, ou não, da área da comunicação, lidar de perto com profissionais tão mediáticos e experimentes. Sucintamente, mais do que aprender segundo linhas orientadoras ou traços de aprendizagem, o conhecimento é transmitido a partir de experiências vividas e transmitidas aos que, no futuro, gostavam de passar por isso.

 

fotografia de Renato Cruz Santos, retirada do facebook oficial do jornalista

 

Luís Miguel Costa

publicado por Luís Miguel Costa às 16:20

 

Na Passada quarta-feira 22 de Maio, Álvaro Costa, Locutor da Antena 3 e antigo apresentador do programa da RTP "Liga dos Últimos", esteve presente na Universidade Lusófona do Porto numa palestra dedicada aos alunos da licenciatura em Ciências da Comunicação e da Cultura .

 

No âmbito da cadeira Jornalismo Especializado lecionada por Daniel Catalão, Álvaro Costa aceitou o convite para falar com os alunos do seu percurso profissional e sobre o atual jornalismo que se faz em Portugal e no mundo.

 

Os novos meio de comunicação foram o centro desta conversa.

 

O locutor e jornalista abordou esta temática dando ênfase às redes sociais e à importância das mesmas: "sem nos apercebermos já somos robots, acordamos e a primeira coisa que fazemos é pegar no smartphone e ir ao facebook" disse o convidado.

 

A velocidade com que as notícias são transmitidas é "avassaladora", a internet é cada vez mais uma ferramenta indispensável para o jornalista e é através dela que as notícias chegam a todo lado.
A morte da cantora Whitney Houston e do cantor Michael Jackson  foram também frizadas nesta palestra, não só pelo facto de serem figuras públicas conhecidas a nível mundial ,mas pela velocidade com que a notícia da morte das mesmas chegou às redes sociais.

No final da aula, os alunos tiveram oportunidade de questionar o convidado, ficar a saber mais osbre esta temática que são os novos meios de comunicação e ficar também a saber mais sobre ele próprio. 




Sérgio Ricardo Brito
05/2013 

publicado por sergioricardo89 às 14:56

15
Mai 13

Em qualquer casualidade do dia, a música tornou-se um fenómeno omnipresente. Todas as pessoas mesmo que com gostos diferentes, ouvem música, seja de manhã na rádio do carro, numa festa de anos, numa discoteca com os amigos, para fazer companhia numa tarde de descanso, etc., a verdade é que as canções fazem parte do nosso dia-a-dia.

“A música oferece à alma uma verdadeira cultura íntima e deve fazer parte da educação do povo.” (François Guizot).

Uns apenas a ouvem, outros reproduzem-na, outros fazem dela um modo de vida. Carlos Maciel, tem 32 anos e é artista de rua há vários, é no Porto que faz com que a sua voz seja o seu modo de sobrevivência. Apesar de cantar por paixão, é sentado na calçada quase todos os dias, que faz dinheiro para o seu sustento. Habituado a este “trabalho” não se vê a fazer outra coisa sem ser “dar música aos portuenses”.

 

 

 

Na mesma cidade de Carlos Maciel, também Nuno canta nas ruas para que possa sobreviver, ambos têm a mesma paixão com a música mas ao contrário de Carlos Maciel, Nuno viu-se mesmo obrigado a procurar nas ruas uma maneira de sustentar a sua família. Ficou desempregado recentemente e enquanto procura emprego, troca música por uma moeda. “Queria é que me arranjassem trabalho, não era o rendimento mínimo, queria trabalho”.

 

 

 

 

 

Fora dos cantores de rua, temos Hugo Bernardes, tem 23 anos e está desempregado. Para ele a música também tem um papel fundamental na vida: “Para além de nos transmitir bastantes e diferentes sensações, torna-se também numa companhia, fazendo parte da nossa rotina“. Hugo utiliza o seu dom de tocar percussão em bares e discotecas para o ajudar monetariamente. Há três anos que acha que realmente a sua carreira na música pode evoluir e crescer ainda mais, mas a sua paixão surgiu aos 14 anos no seu grupo de amigos. Começou a atuar apenas para eles e a partir daí a vontade de aprender aumentou cada vez mais. Sem nunca ter tido formação a sua determinação em aprender levou-o ao nível em que se encontra. As suas atuações são essencialmente ao fim-de-semana o que lhe permite procurar outro emprego no seu tempo livre, que é bastante.

                                                                     

 

 

 

Embora seja uma paixão Hugo considera que a sua área é complicada e que está em crise. Apesar de ir conseguindo sobreviver não permite ter a vida que desejaria. “A verdade é que em Portugal, na área de percussão, pouquíssimos são os que tiram grandes ganhos”.  Afirma que dificilmente as atuações são pagas mediante o trabalho que é feito e que apenas as pessoas de nome ganham consideravelmente bem. Para ele, a vida de percussionista é difícil e não é valorizada como deveria ser. “Os tempos não são favoráveis para entidades que recrutam este tipo de animação, tornando o mercado na minha área demasiado competitivo e cada vez mais, seremos obrigados a baixar preços que em nada vão de encontro ao que uma atuação vale”.

 

 

                                          

 

 

 

 

 

publicado por Diana às 23:14

No passado mês de Abril, no dia 23 de Abril, o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), apelou aos Portugueses para optarem pela chamada “Dieta Mediterrânica”, considerada no momento a melhor dieta do mundo. A dieta reduz riscos de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e cancro. Durante o mês de maio a FPCdesenvolveu uma campanha de sensibilização no sentido de alertar os portugueses para uma mudança radical nos hábitos alimentares. A dita “Dieta Mediterrânica” passa pelo quase uso exclusivo do azeite, pela riqueza em fibras e antioxidantes derivados de vegetais e legumes e pelo baixo ou raro consumo de carnes vermelhas e lacticínios. Segundo dados da FPC, 20 % dos portugueses são fumadores ou obesos, 70% têm colesterol alto, 40 % são hipertensos e a maioria é altamente sedentária. A Fundação reforça ainda a ideia de que Portugal é o país europeu com menos praticantes de atividade física.

Segundo um estudo da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação (SPCNA), mais de metade dos portugueses, 53,3 por cento, considera o sabor o factor mais determinante na escolha dos alimentos que consome. O preço é a segunda condicionante a ponderar.

De acordo com o estudo da Health Enhancement Research Organization, as pessoas que comem refeições saudáveis ao longo do dia têm melhor desempenho. A análise recomenta a ingestão de alimentos de duas horas e meia a três, e cinco ou mais porções de fruta e vegetais pelo menos 4 vezes por semana. Segundo o estudo, as pessoas que se alimentaram de forma saudável durante todo o dia, obtiveram 25 % de melhoria na produtividade do trabalho.


Herbalife


 

Em 2012 a Herbalife facturou 6,4 mil milhões de dólares, sendo que 73 % do valor regressa para a rede de distribuição como fonte de rendimento. É hoje uma empresa com um crescimento a nível mundial a rondar os 20 %, e em Portugal, no primeiro trimestre deste ano, a empresa cresceu 8 % face ao ano anterior. Há 21 anos em Portugal, a Herbalife está sediada em Lisboa .Segundo Jorge Nogueira, dono do Clube de Nutrição situado na rua de Stª Catarina, no Porto, 2,7 milhões são distribuidores independentes da Herbalife. Em Portugal apenas 10 mil são distribuidores, representando 0,3 % da população.Há mais de 200 Clubes de Nutrição Herbalife, no entanto o Nutricion Club, situado no Porto conta com uma particularidade – o FitClub – com as aulas de Zumba. Jorge Nogueira está à frente do Clube há 4 anos, altura em que este foi aberto, diz “cada vez mais os portugueses têm cuidado com a sua saúde, e procuram um maior equilíbrio mental, de uma maneira acessível a nossa empresa proporciona uma demonstração de três produtos ao cliente, um batido, chá e bebida aloé vera. Um batido substitui uma refeição. ” Os programas são vários para fins diferentes, comentou Instrutor de Zumba – Álvaro Pereira, aquando de uma entrevista. “Assim que vim para cá dar aulas, iniciei o tratamento, o meu objetivo aqui é aumentar a massa muscular ao invés de perder peso. Estou cá há 5 meses e já sinto o meu corpo a mudar.” A Campeã Mundial de corta-mato de 1990, 92 e 93 – Albertina Dias – frequenta o FitClub, é aluna das aulas de Zumba. Segundo a atleta “uma pessoa como eu que sempre fez muito desporto durante toda a vida não pode parar, e as aulas de zumba fazem me sentir bem, dá para me cuidar, não sabia que tinha um interior tão jovem” riu-se. No entanto os produtos aqui vendidos não se destinam a diagnosticar, curar, tratar ou prevenir quaisquer doençasrealça Cláudia Barbosa, também dona do Clube.

Para saber mais sobre a Herbalife clique aqui :
Reportagem de Maria Girão Sá e Carla Silva
Mercado 
São vários os nichos de mercado atingidos, há quem queira aumentar massa muscular, há quem queira perder, no entanto o responsável da Herbalife referiu que apesar da marca não ter qualquer produto próprio para  emagrecimento a maior percentagem de público que adere tem o objetivo de perder peso e é feminino. Não há um cliente potencial, mas vários e diversificados, a concorrência é cada vez maior no que diz respeito ao mercado de produtos naturais e biológicos, acrescenta.
http://www.fpcardiologia.pt/
http://www.apdietistas.pt

http://www.spcna.pt

 

Reportagem de Maria Girão Sá


publicado por Maria Girão Sá às 11:50

“ Mesmo diferentes, somos todos iguais, somos todos seres humanos”

                Elisabete, Colaboradora no APPACDM de Gaia

 

 

 

                Os portadores de deficiência mental são muitas vezes excluídos ou olhados de lado pela sociedade. É neste sentido que instituições como a Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental lutam diariamente.

 

                Tal como afirma Maria Santos, professora no APPACDM de Gaia, “ em muitos casos cuidamos deles desde que nascem até que morrem”.

 

 

                Esta instituição encontra-se espalhada por todo o país, nomeadamente em Gaia, Aveiro, Braga, Trofa, Maia, Coimbra, Lisboa, Fundão …

 

Localização do APPACDM em Portugal
Localização da associação no país

 

 

 

 

                Contudo, muitas pessoas têm um total desconhecimento da existência destas instituições. Maria Santos afirma que “ temos muito poucos apoios. O trabalho que fazemos com estas crianças e jovens é um trabalho árduo, que necessita de muita ajuda e por vezes sentimos que não temos os apoios que necessitamos”

 

                Neste sentido, o APPACDM de Gaia, no passado dia 28 de Abril realizou a “ Caminha dos Sorrisos” com dois objetivos: apelar a consciencialização da inclusão do deficiente mental na sociedade e também como comemoração do seu quadragésimo aniversário.

 

               

                A caminha contou com mais de 600 participantes, entre eles a ex-atleta olímpica Aurora Cunha.

 

                Sílvia Teixeira, mãe de um jovem de 35 anos com trissomia 21, afirma que o seu filho “ adora que as pessoas metam conversa com ele, e é ele que também muitas vezes faz com que eles falem com ele”.

                Para Sílvia, Vasco é o seu orgulho. Desde cedo que “ ao contrário de muitos país que têm vergonha dos seus filhos, eu ia com o Vasco ao café, sempre o habituei a vir comigo para onde quer que eu fosse”. 

 

 

                No decorrer da caminhada, os sorrisos estiveram sempre presentes e foram muitos os gestos de carinho que foram possíveis observar.

 

 

                A caminhada terminou com a atuação dos jovens do APPACDM de Gaia juntamente com um rancho, onde as palavras que predominaram eram “ diferentes, mas iguais”. 

 

 

 

 

 

Reportagem sobre a Caminhada: 

Mais informações sobre o APPACDM de Gaia: 
Trabalho realizado por: 
Juliana Moreira 
publicado por Beneath Your Beautiful às 09:03

De acordo com a Segunda Conferência Ministerial sobre a proteção das Florestas na Europa em 1993:

 

“O manejo florestal sustentável é a gestão e utilização das florestas e das áreas florestais de uma forma e a um ritmo que mantenha a sua biodiversidade, produtividade, capacidade de regeneração, vitalidade e potencial para cumprir, agora e no futuro, funções ecológicas, económicas e sociais, a nível local, nacional e global, sem causar qualquer dano a outro ecossistema”.

 

Desde há muito que a floresta se transformou num negócio. A floresta é vista por muitos como uma indústria, como um “ganha-pão”.

Tal como Duarte Dinis que tem uma empresa de Exploração Florestal há 40 anos e desde sempre sobreviveu à custa disso.

 

Que tipo de exploração é que realiza?

Abate e transporte.

 

 

 

 

 

Quais são as espécies que explora?

Essencialmente, pinheiro bravo e eucalipto são as duas espécies dominantes e é o que é mais procurado. E depois em menor percentagem outras espécies, tais como, carvalho, chamaeciparis (cedros), bétulas, castanheiros, entre outras. Que servem para lenha, para o aquecimento das habitações.

 

De quanto em quanto tempo é que cortam?

Fazemos um trabalho contínuo, até ao final do ano já tenho lotes (parcelas de terreno com àrvores) para explorar.

 

Como é que adquire esses lotes?

Trabalho com lotes privados e públicos. Os públicos são leiloados em hasta pública, são-nos enviadas parcelas de terrenos e cada um escolhe o terreno que pretende explorar nos leilões. Depende dos anos, mas normalmente faço mais explorações em lotes públicos do que privados.

 

Quais são os cuidados que tem que ter no seu trabalho?

Tenho que fazer revisão das máquinas que utilizo de forma a não haver derrames de óleos, combustíveis, pois além de prejudicar o solo pode provocar incêndios.

 

 

 

Que planos é que faz em caso de incêndio de um lote que comprou?

Quando compro um lote no Inverno, corro o risco de chegar ao Verão e esse mesmo lote se ter incendiado, então tento retirar a madeira o mais rápido possível de modo a que esta não se estrague. Mas fico a perder bastante porque a madeira verde, que serve essencialmente para paletes, tábuas, forro (tetos em madeira) é mais cara que a madeira queimada que depois de estar nesse estado, apenas dá para pasta de papel.  

 

Quais são as características de árvores que é favorável à vossa exploração?

Pinheiro Bravo – com altura superior a 10m e diâmetro superior a 12, 5cm. Que estejam em terrenos bem situados (perto de estradas que tenham fácil acesso, que seja de madeira verde e que não seja resinado.

Quanto ao eucalipto que seja bem situado e com 10cm de diâmetro.

Em relação às outras árvores tento não procurar mas se existir no lote em que compro, corto.

 

 

Quais as características negativas que vê neste tipo de negócio?

A gestão de instituições, tais como, os serviços florestais, conselhos diretivos de cada freguesia e principalmente do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ornamento do Território, está mal feita primeiramente porque estas instituições não investem na plantação e apenas investem na exploração do que já existe. Num segundo ponto, recentemente saiu uma lei que temos que eliminar os sobrantes (galhos, rama, árvores doentes) para fazer a eliminação temos que queimar, ao queimar, queima-se a semente o que vai fazer com que deixe de existir a reflorestação natural. Também é uma indústria que necessita de várias máquinas que poluem e de combustíveis fosseis e o preço do combustível aumenta cada vez mais e as próprias máquinas são caras. É um trabalho que depende da localização do solo, se forem terrenos nivelados é mais fácil de trabalhar, depois em encostas, ravinas é mais complicado porque o acesso das máquinas não é tao fácil. Também com a doença que invadiu a floresta portuguesa em 1999, o nematodo, o preço da madeira aumentou porque quem compra a madeira tem que comprar equipamento para a tratar. Existe uma maior burocracia, pois em todas as cargas que fazemos, estas têm de ir acompanhadas por um manifesto de exploração florestal. Que identifica de onde vem, para onde vai, o período em que foi retirada e se tem sintomas da doença ou não. E essas instituições deveriam preocupar-se com este tipo de infestações que prejudicam o negócio e que eles recebem dinheiro da Europa para cuidar deste tipo de problemas e não o fazem.

 

 

É um negócio rentável neste País?

Já foi, há 15/20anos pra cá não é tao rentável porque o preço da matéria-prima nas serrações não aumenta, e em contrapartida o custo da mão-de-obra, lotes, máquinas, combustível têm aumentado.

 

Neste tipo de negócio são vistos como os “mauzões”?

Eu acho que não, porque o nosso trabalho tem que existir. Mas em contrapartida, concordo que deveriam existir mais zonas protegidas e em paralelo zonas de reflorestação para assim existir sempre um ciclo, porque se não existir daqui a uns anos podemos deixar de ter floresta.

 

Como é visto no meio onde vive?

Onde vivo é comum existirem pessoas a explorar a floresta, até pela diversidade de floresta que temos, por isso as pessoas não se incomodam com o nosso trabalho.

 

O seu negócio baseia-se essencialmente na exploração de pinheiro bravo e eucalipto, futuramente vê-se a optar por uma exploração mais equilibrada?

Não existem quantidade suficiente para retirar em grande escala outras espécies, para eu conseguir manter o meu negócio, por isso, não. O problema existente é a falta de reflorestação porque retira-se mas não se planta e daqui a uns anos vai haver escassez e vamos ser obrigados a importar e isso vai afetar grande parte do PIB do País.

 

Por outro lado, numa perspectiva mais ambiental Gil Pereira doutorado em Engenharia Ambiental mostra outro parecer em relação às explorações florestais.

 

Qual o impacto que as explorações florestais têm no ecossistema?
Tentando responder de uma forma mais simplista, diria que depende de como são realizadas essas explorações! Isto é, podem ter um impacto bastante negativo no ecossistema onde estão inseridas, especialmente nos casos em que a extração de produtos (principalmente a madeira) é bastante intensiva e nos casos em que a exploração se baseia em monoculturas (por exemplo de eucalipto, a mais comum no nosso país). Mas as explorações florestais podem também ser benéficas para o ecossistema que as rodeia, como são os casos de projectos com uma gestão florestal sustentável, onde por exemplo a exploração não se baseia em apenas um tipo de recurso florestal ou parte da área florestal é dedicada à conservação.

 

Quais são as consequências futuras?
Se o rumo continuar a ser o privilegiar a exploração dos recursos florestais de uma forma intensiva e praticamente "cega", claramente que continuaremos a caminhar para uma extinção das áreas florestais no nosso planeta, ou pelo menos para a inexistência de ecossistemas florestais saudáveis.
Mas se pelo contrário, passarmos a optar por planos de gestão florestal sustentável, conseguiremos manter e até mesmo recuperar grande parte da área florestal mundial, podendo ao mesmo tempo continuar-se a obter os diversos recursos e serviços que as florestas nos proporcionam.

 

Qual é a legislação que existe em vigor?
Existe um sem número de matéria legislativa quanto à floresta em Portugal, desde a lei de bases da política florestal nacional, passando pelo regime jurídico dos planos de ordenamento, gestão e intervenção florestal, até mesmo à estratégia nacional para as florestas, tudo isto disponível e acessível por exemplo online no portal do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a entidade estatal que tutela também este sector. Destacaria ainda a existência de uma norma portuguesa sobre os sistemas de gestão florestal sustentável, a qual congrega uma série de orientações e requisitos, existentes também no plano internacional, no sentido de uma cada vez mais responsável gestão da exploração florestal.

 

Quais as propostas para colmatar o impacto das explorações na floresta portuguesa?
Numa opinião pessoal, parece-me que o mais premente será conter e reduzir toda a extensiva monocultura de eucalipto que transformou por completo, e para muito pior, a realidade florestal portuguesa no último meio século. Para além disso, há que diversificar claramente os recursos e serviços obtidos através da exploração florestal, deixando de se basear quase exclusivamente na obtenção de madeira e pasta de papel, alargando mais para a cortiça, frutos silvestres, silvopastorícia, entre outros. Não menos importante será ainda passarmos a considerar muito mais a sério a verdadeira conservação das áreas florestais, principalmente pelos fulcrais serviços ecológicos que desempenham para a saúde e equilíbrio de todo o planeta.

 

Links a visitar:

http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0001149&contexto=bd&selTab=tab2

http://www.icnf.pt/portal

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/florestas-europeias-no-centro-de-conferencia-ministerial-em-viena-1049297

http://yeenet.eu/images/stories/documets/Publications/General_Publications/Forest_Report/YEE_FOREST_REPORT.pdf

 

 

Sara Gomes

publicado por saragomes às 00:33

14
Mai 13

A patinagem artística é uma modalidade desportiva que surgiu em Portugal na década de 50. De acordo com a Federação Portuguesa de Patinagem (FPP), 2002 foi o ano que a patinagem atingiu o seu auge, isto porque foram conquistadas 5 medalhas de ouro e 1 de bronze nos Campeonatos da Europa de Cadetes juniores e Seniores, que decorreram na Alemanha.

Patinadora - Imagem da Federação Portuguesa de Patinagem

 

  Patinadora - Imagem da Federação Portuguesa de Patinagem (FPP)

 

Actualmente este é um desporto que não tem grande visibilidade em Portugal, mas que mesmo assim atrai muitos jovens e o Rolar Custóias Clube é um exemplo disso mesmo, pois tem cada vez mais jovens a praticar esta modalidade. Daniela Pinto, antiga campeã em todas as categorias (Iniciação, Infantil, Iniciado, Cadete, Juvenil, Júnior e Sénior ), e actual treinadora começou a praticar patinagem com 6 anos de idade, “foi o primeiro desporto que experimentei e apaixonei-me de imediato”. Hoje, enquanto treinadora, procura junto dos mais pequenos incentivá-los a esforçarem-se e a darem o seu melhor para alcançarem o tão desejado título, porque “a patinagem não é fácil, é preciso um grande esforço físico e mental, o que muitas vezes é difícil de conjugar”.

Um dos motivos pelos quais incentiva tanto os alunos a  esforçarem-se é o facto de neste momento a patinagem não ter praticamente apoios nenhuns, e em tudo, desde as despesas de deslocações ao fatos, que tem de ser pagos pelos próprios atletas o que não torna possível a sobrevivência só com a patinagem. O mais difícil é “sobreviver a todas as contrariedades que existem neste meio. Não só as quedas ou as inúmeras horas de treino, mas também o fato de ser um desporto que exige instalações desportivas específicas, material de treino especializo, e mais-valias quase inexistentes”, explica Daniela e é isto que tenta transmitir aos alunos que treina.

Os jovens que estão inseridos no Rolar Custóias Clube e que são treinados pela antiga campeã, todos eles começaram na patinagem muito cedo. Há crianças dos os 6 aos 14 anos e todos eles afirmam que estão neste desporto por paixão e porque serem treinados por uma atleta de alta competição é um previlégio. 

 

  Prova de Patinagem Artística - Fotografia da Câmara Municipal de Gondomar


Campeã Nacional e com apenas 8 anos, Bruna Pinheiro arrecadou a vitória no Campeonato Nacional de Figuras Obrigatórias de Patinagem Artística nos escalões de Infantis, Iniciados, Cadetes, Juvenis, Juniores e Seniores.


"Treino seis dias por semana cerca de duas horas e meia por dia. É muito cansativo, mas vale a pena". Veio para a patinagem por intermédio de uma amiga que um dia a convidou a assistir a um treino e desde então que ficou. O facto de representar portugal nas competições faz com se se sinta "orgulhosa e ao mesmo tempo nervosa", porque tal como a prórpia afrimou, a responsabilidade é muito grande. Ao contrário do que a treinadora diz, Bruna considera que o mais difícil na patinagem são "os peões durante as provas".

 


 


Tributo aos lutadores contra o Cancro





Ana Luísa Azevedo





 

 

publicado por luisaazevedo às 22:04


Stanislav Ferdov, doutorou-se em 2005 na Academia de Ciências da Bulgária (Sófia), no Laboratório Central de Mineralogia e Cristalografia. No mesmo ano, partiu para Portugal onde começou um Pós-Doutoramento no centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Congénitostos (C.I.C.E.C.O.) na Universidade de Aveiro.

 

 

 


Em 2008 ganhou uma posição como investigador auxiliar no departamento de Física, da Universidade do Minho. Deste trabalho, resultou o desenvolvimento de uma nova linha de investigação incluindo a síntese, modificação e aplicação dos materiais porosos. Estes materiais têm aplicações bem conhecidas na área da física e da química, por exemplo, optoelectrónica, catálysis, baterias, materiais magnéticos, entre outros.

 

Acidentalmente e em colaboração com a Academia das Ciências da Bulgária, o material desenhado e preparado pelo investigador, revelou uma aplicação sem precedentes na área dos materiais microporosos. "A descoberta resultou de uma investigação feita, por acaso, pois o objeto inicial era na área do meio ambiente, mais concretamente em relação à purificação de águas contaminadas. Contudo, depois de alguns testes in vitro, surgiu uma aplicação inesperada que abriu um caminho novo na família dos materiais microporosos", explica o investigador. Pode ver aqui a reportagem televisiva, "Avanço na luta contra o cancro".

 

Sem afetar as células saudáveis a substância chamada Zn-ETS-4 reduz certos tipos de cancro em 95%. Assim, "esta descoberta não significa apenas, uma oportunidade para desenvolver novas substâncias médicas na luta contra o cancro, mas também abre um nova linha de investigação que liga a classe dos sólidos porosos com a oncologia". O investigador considera que, "a novidade aqui é a seletividade, de fato, o material apanha as células de cancro sem danificar as células saudáveis". Desta forma, o silicato de titânio não é tóxico para o nosso corpo, como explica Carlos Tavares, chefe do Laboratório da Universidade do Minho:


 

 

 

 

Este avanço científico representa mais um passo na luta contra o cancro, a descoberta foi publicada sem correções, no dia 28 de Março, em Inglaterra, na Revista Royal Chemical Society (RSC Advances). Este reconhecimento pela Comunidade Científica significa para o investigador "uma recompensa muito grande".

 

Contudo, a crise afeta também a área da ciência e tecnologia, colocando a ciência portuguesa atrasada a nível internacional. Este ano, a Fundação para a Ciência e Tecnologia não vai abrir concursos para projetos de investigação o que afetará, negativamente, o desenvolvimento deste material, uma vez que que adia a implementação real do material na indústria farmacêutica.

Apesar da falta de financiamento para 2013, Stanislav Ferdov espera que em 2014 a Fundação para a Ciência e Tecnologia, abra novas candidaturas para estes projetos, para que o investigador possa desenvolver a sua nova linha de investigação.



Trabalho realizado por: Alexandra Alves




 

publicado por xanaalves às 21:49

A arte de Alberto Carneiro convoca a necessidade, filosófica e biológica, de regressar e vivenciar as origens, as raízes, as sementes que guardam o património, a génese humana. A natureza revela-se a mais sábia guardiã desse destino, é como uma mãe que transporta em si a fecundidade, a origem, a mais pura essência do homem, como ser criador e pensante, como intérprete das mutações que a natureza espelha nos seus ciclos.

 

 

                                                 

 

 

 

A obra de Alberto Carneiro confunde-se intimamente com essa mesma natureza, pulsante de “energias”, fonte de matérias de que o artista se embebe para encenar as suas esculturas, melhor dizendo, “momentos”, termo que Alberto Carneiro utiliza para designar a concepção de obra de arte, como se tratasse de um “ritual estético”. A arte de Alberto Carneiro investe-se profundamente de um carácter ecológico. Em 1973, nesse escrito seminal chamado Notas para um manifesto de uma arte ecológica, Carneiro afirmava o seguinte: “A arte ecológica será um regresso à origem das nossas próprias fontes; a reabilitação das coisas mais simples no significar da comunicação estética, não através de um processo de ordem cultural, na aquisição de valores de carácter transitório, mas pela consciência das essencialidades, pela penetração no âmago dos átomos, pela chamada aos contactos com aquele mundo que se define em nós sem os constrangimentos da complexidade social”. A sua arte é uma constante metamorfose, um diálogo genésico com a vida e com o outro, o espectador, que o artista entende como o “ser imaginante”, aquele ou aquela que interpreta, que se apropria do objecto artístico, lhe atribui um nome, o adopta, inscrevendo-o num cosmos de significados que se prolongam por uma extensa, talvez infinita, linha do horizonte, inesgotável, que só a vida, a arte, a natureza sabem equilibrar e manter.

 

 

 

 

 

Essa união, essa simbiose, a arte fundida com a vida, resultando numa relação íntima de transformações e renovação de sentidos, revela-se um paradigma fundamental na obra de Alberto Carneiro, sobretudo nesta exposição do artista que agora a Fundação de Serralves acolhe, intitulada Arte Vida/ Vida Arte: Revelações de energias e movimentos da matéria. A esta “unidade” se refere João Fernandes, antigo director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, mas que ainda comissariou a presente exposição de Alberto Carneiro, num texto a que decidiu chamar As metamorfoses de Alberto Carneiro: Outros envolvimentos – “A arte e a vida contaminam-se reciprocamente através das suas metamorfoses, em processos de múltiplas transformações pelas quais uma forma se transforma noutra forma, um significado se abre a novos sentidos, a identidade do autor se assume na definição da sua alteridade e o desejo funde a matéria e o corpo na expressão da relação humana com a natureza”. A natureza é mais do que um elemento que se imiscui nas esculturas de Alberto Carneiro, concorre para transformar a sua arte, vitalizando-a e imprimindo-lhe movimento e “energia”, uma autêntica experiência sensorial, um pleno exercício estético. Não foi por acaso que outro nome maior da cena artística contemporânea portuguesa, principalmente no que respeita à performance, Ângelo de Sousa, ter apelidado Alberto Carneiro de “operador estético”, isto é, um criador que intervém na natureza com uma função bem definida, por conseguinte, transformá-la em arte, empregando-lhe uma nova vida, restituída, no fundo, “estetizá-la”. O primeiro “momento” com que nos deparamos na exposição fala-nos precisamente de vida, de como esta se envolve na natureza e a transforma.

 

 

 

 

 

À nossa frente ergue-se a Árvore da Vida, plantada numa posição invertida, a raiz quase a tocar o tecto, os troncos apoiam-se no chão, as folhas reúnem-se ao centro, dispostas sobre um pequeno prato de vidro, como que reflectindo a imagem do “ser imaginante”, que se funde com a peça, portanto, com a natureza, criando e recriando significados numa torrente fluida e esteticamente livre. Ao nosso lado, inscrita na parede, dispõe-se uma linha horizontal, que percorre aproximadamente oitenta metros do comprido corredor do museu, traçada a lápis, potenciada por esse instrumento inalienável da arte de Alberto Carneiro, a palavra, a escrita, um importantíssimo “material plástico” de que o artista se apropria. Esta linha de horizonte funciona como uma bússola, descomplexada e descomprometida, apenas livre, que norteia o visitante, o envolve num acto de pura intimidade, através dos pequenos espelhos instalados, que envolvem o espectador, o convidam a fazer parte da obra de arte, e assim insuflar significados ainda não formulados. “Cada um destes projectos deslocará a experiência individual do artista para um envolvimento do espectador, convidando este último à recriação e apropriação dessa mesma experiência numa possibilidade infinita de outros tantos eventos com aquele partilháveis. Através dos seus percursos por estes lugares onde a obra acontece, o espectador é convidado a formular os seus próprios significados”, constata João Fernandes no mesmo texto.

 

 

 

 

 

É esse envolvimento com o espectador que permite a Alberto Carneiro pensar a presente exposição como um “manifesto”, centrado nessa ideia fundadora da “demonstração de que a arte é o artista e também o espectador”, como se afirma no panfleto que contextualiza esta exposição. A arte é um “momento” intensamente vivido pelo criador e o observador, o artista e o espectador, Alberto Carneiro e o “ser imaginante”, e esta simbiose, esta relação de sublime e orgânica intimidade, possibilitará ao artista “envolver” o espectador, facultará ao espectador as “matérias” que lhe avalizarão o diálogo telúrico com a obra de arte, proporcionando-se deste modo uma riquíssima e fecunda experiência estética, em jeito de ritual.

 

 

 

 

                                

Todas as peças expostas valorizam a vida, a arte, e o espectador, trindade genésica que se apoia num baluarte imprescindível e propulsor, a natureza, que tudo transforma e penetra, que tudo cria e dissolve: a metamorfose das laranjeiras, os quatros elementos vitais que impregnam uma raiz de laranjeira, os bambus que convidam a uma aventura labiríntica, as vides que se enroscam no chão e trepam a parede, a oliveira que se apresenta ao mesmo tempo numa posição vertical e horizontal, as outras oito oliveiras suspensas, olhadas pelos espelhos colocados em frente, adornados por canas da Índia, e que reflectem as palavras inaugurais desta exposição, Arte, Vida. A natureza converte-se em obra de arte e vive através desse diálogo que artista e espectador, ou “ser imaginante”, entretecem, numa comunhão de “momentos” singulares e indivisíveis. Uma reabilitação, portanto, das pequenas coisas essenciais.

 

 

 

 

 

 

Alberto Carneiro nasceu em 1937, na freguesia de São Mamede do Coronado (concelho da Trofa). Trabalhou, quando jovem, em várias oficinas da sua terra natal, desempenhando aí a função de santeiro. Com a idade de 17 anos matricula-se na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, e mais tarde, na mesma cidade, no período que decorre entre 1961 e 1967, dedica-se ao estudo da escultura na Escola de Belas-Artes. Completa em 1970 uma pós-graduação obtida na Saint Martins School of Art, em Londres, onde contacta com Anthony Caro e Philip King, seus professores. Ainda na capital britânica, no contexto de uma exposição, When Attitudes Become Form, toma conhecimento das principais correntes artísticas emergentes, casos da land art, a arte povera, ou a arte conceptual, com cujas “formas de expressão artística” se identifica, concorrendo estas para o alargamento do seu campo de “indagações”.

 

 

Texto e Fotografias: Joaquim Pinto

publicado por joaquimpinto às 21:28

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