Blog de Jornalismo Especializado, Universidade Lusófona Porto

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Abr 12

 

 

 

 

 


O filme Good Night, And Good Luck realizado por George Clooney, descreve os primórdios do jornalismo televisivo, na América dos anos 50, centrado na tríade: Media (4º poder/ contra poder), Estado/Forças Armadas e Informação.

 

No filme existe o confronto de ideais entre Edward R. Murrow, um pivô pioneiro da estação CBS e o Senador Joseph McCarthy. Graças ao desejo do pivô e da sua equipa em comunicar os factos e esclarecer o público americano, os jornalistas vêem-se a braços com dilemas e questões de integridade e ética profissional, remetendo sempre para valores humanos e políticos que ainda hoje permanecem actuais.

 

Por um lado, surgem as pressões da empresa de comunicação, tendo de se impor a autocensura e as pressões económicas dos patrocinadores (ALCOA), que retiram o patrocínio. Por outro lado, os jornalistas enfrentam as pressões políticas, onde havia o medo das perseguições, para revelar aos telespectadores as mentiras e as estratégias levadas a cabo pelo Senador durante a sua “caça às bruxas” aos comunistas. É visível também, a discórdia entre as ideologias dos jornalistas.

 

Num ambiente de terror e represálias o chefe dizia: «Estamos todos no mesmo barco, tenho que informar os patrocinadores, senadores e a força aérea sobre a emissão da peça… porque o terror já se instalou nesta sala… Ao passo que o general avisava que a equipa da CBS devia: Reconsiderar passar a peça, pois é navegar por águas muito perigosas!»

 

Após a emissão do programa no qual Murrow desmarcara o Senador, os críticos jornalísticos elogiavam a coragem do apresentador, excepto o jornal O'Brien (conservador) que acusava a estação televisiva de estar conotada com a esquerda. A pressão exercida sobre o jornalista Murrow e sua equipa, mostra o quanto é difícil manter o equilíbrio e a liberdade de expressão nos media.

 

O direito de resposta e o contraditório estão, também, presentes neste filme, porque o Senador McCarthy tem a possibilidade de se defender sobre os factos de que é acusado. A discórdia agrava-se quando o Senador reage sem provas , chamando comunista ao pivô, mencionando inclusive: «Não me deixarei demover. Murrow é o símbolo, o líder e o mais esperto da matilha de chacais.» Todavia, Murrow e a equipa pagaram cara a sua ousadia e o programa foi transferido para um horário menos nobre.

 

Num tempo em que se vivia a Guerra Fria são ainda retratados na trama dois casos de afastamento das suas funções exercidas, por suspeitas de ligação ao comunismo. Um caso é o do Tenente M. Radulovick que foi convidado a abandonar a Força Aérea, devido ao seu progenitor ler jornais comunistas. Após a vinda do caso à praça pública, o Tenente foi reintegrado, visto que os “filhos não devem ser julgados consoante o rótulo que atribuíram aos pais”. O outro acontecimento que suscitou controvérsia na sociedade americana foi o caso de um membro feminino do FBI ter sido acusado de quotizar nas listas do Partido Comunista. A defesa exigiu a materialização das provas com o intuito de a indiciada bem como o público tivessem acesso as provas de delação.

  

Do início ao fim do filme, o pivô Edward R. Murrow consegue transmitir uma imagem de honestidade e de ética, porque não cedeu às pressões e procurou exercer um jornalismo objectivo e isento, sem influências políticas. Acabando por colocar em risco o próprio emprego.

 

O filme “Boa Noite, e Boa Sorte” é uma personificação da sociedade actual. Não só sobre os direitos dos cidadãos, mas também sobre a responsabilidade dos media numa sociedade. A televisão não é somente uma “caixa mágica” que serve para entreter, divertir e isolar, tem a incumbência de educar e tornar os seus espectadores informados e conscientes da realidade.


 

 

Por: Renata Costa

publicado por renatadbcosta às 22:24

 

 

 

Década de 50, Estados Unidos da América. A crescente relevância da televisão no dia-a-dia dos cidadãos americanos e, também, o elevado número de simpatizantes do partido comunista dão origem a uma alargada perseguição ao partido “vermelho” (comunismo) e, por consequência, aos órgãos de comunicação. Proteger o país da ocupação comunista era o propósito do Senador McCarthny. No entanto, as obsessivas investigações e perseguições “atropelaram” os direitos e as liberdades civis. Embora julgasse que a maior parte dos americanos compactuasse com tal posição, havia um opositor. Edward R. Murrow, um prestigiado jornalista da CBS, denunciou todas as artimanhas levadas a cabo pelo Senador, descredibilizando-o. Desta forma, dá-se início a um confronto político, onde as ideologias das personagens estão presentes.

Quando terminámos de ver o filme, percebemos que este conduz-nos aos primórdios do exercício do jornalismo. Um tempo onde a publicidade se cruzava com a informação, um tempo onde não existia teleponto, um tempo onde os jornalistas emitiam opinião, conseguindo, até promover certos hábitos de vida, tais como, fumar.  Porém, apesar das práticas anteriormente enumeradas não coincidirem com as práticas estabelecidas pelo código deontológico, verificámos que, no decorrer da trama, existem pontos atuais. As várias pressões aos jornalistas estão presentes do início ao fim. Mas, o protagonista Murrow não cedeu à pressão e procurou exercer um jornalismo imparcial, objetivo e, sobretudo, isento, sem qualquer vestígio de influências políticas. Deste modo, o jornalista entra em conflito com o Senador, acabando por colocar em risco o próprio emprego, uma vez que a CBS perde lucros com a perda de patrocínios. A direção do canal tenta aliciar Edward a abandonar a investigação a que se propôs. O jornalista recusa, mas coloca em questão a viabilidade da mesma, questionando-se sobre a utilização de factos devidamente comprovados.

O direito de resposta está, também, patente nesta trama, pois o Senador tem oportunidade de se defender e justificar sobre os factos de que é acusado. O Senado opta, então, por investigar McCarthny, devido à tamanha relevância que o caso ganha, graças ao reconhecimento por parte de outros órgãos de comunicação de prestígio. Todavia, apesar do trabalho jornalístico ter sido reconhecido, a direção decide tirar o programa do horário nobre, de forma a desviar a atenção pública do caso.

Ano 2012. Portugal. Aqui, também nos deparamos com situações idênticas, dado que os meios de comunicação são chefiados por grandes grupos económicos. Objetivo principal: a obtenção de lucro. Muitas vezes, os jornalistas vêem-se obrigados a ceder a chantagens e publicar informação menos verídica, acabando por manchar e prejudicar a atividade jornalística.

Percebemos, assim, que a televisão tem capacidade para mover causas, mudar ideologias e opiniões. Basta utilizá-la de forma correta e não ceder a pressões e censuras, lutando, sempre, pela liberdade e imparcialidade. Deste modo, podemos perceber o porquê de classificarem os Média como o quarto poder. Por isso, só resta dizer: “Boa noite e… boa sorte.”.


Por: Ana Pinto

publicado por anavanessapinto às 11:42

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